GALERIA VERMEER

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 

                                     QUANDO DESCOBRIREM S. LUÍS

 

CASAS ABANDONADAS 

 

        Na fase adulta, por algum tempo, ela sonhou com a rua em que viveu sua infância e juventude, o bangalô da Rua da Hortas em S. Luís do Maranhão. Intrigada com as imagens, já que não tinha lembrança de ter visto aqueles escombros, como os de uma guerra. Até concluir que eram reais, estavam registrados no seu inconsciente. Realmente algumas casas antigas foram derrubadas na cidade para darem lugar a bangalôs, inclusive a meia-morada da sua avó, com um pequeno jardim no lugar do quarto da frente, que foi colocado abaixo na reforma. Pouco tempo depois o sobrado em frente, com a oficina do sapateiro Marçal no térreo, deu lugar à residência voltado para a Praça Deodoro, um palacete, que também engoliu a morada-inteira da família ali residente, que foi de muda para o Rio de Janeiro. Outro palacete erguido ao lado do bangalô da avó, no lugar da morada-inteira hedada por seu tio-avô e vendida ao proprietário.

         Uma cidade fundada por franceses, em 1612, desde então como que envolta em uma nuvem de sonhos, e ela, com qualquer criança, séculos depois, guardava na memória o que captava sua pureza de olhar. O antigo e encantador logradouro, um sonho de cidade antiga,  que os governantes na modernidade quiseram equivocadamente modificar, intento abandonado, quando o crescimento acelerado precisava de mais espaço, que aquelas ruas estreitas. A cidade haveria de crescer do outro lado da ilha, após a construção da Ponte sobre o rio Bacanga. Mas havia uma história a preservar. 

        Sim , ela tem uma história, fragmentos de vida guardados na memória, que contribuiram para ser quem é, assim cmo sua cidade natal. E foi possível sentir isso até em Brasília, de onde ela sonha hoje levar as pessoas para conhecerem essa cidade com um glorioso passado. Mostrar a todos sua rua, contar  sobre seus vizinhos, tantos os da mesma rua, como também os da rua dos Afogados, onde residia sua  professora e madrinha Eglantine, o quanto ela foi importante  para as crianças que alfabetizou com aquele carinho que lhe era peculiar. Observarem do outro lado da rua a residência que foi de dona Corina Neiva e seus dez filhos, pessoas puras e boas como diz o conterrâneo Chico Viana, o que confirmo.  Ao lado outra meia- morada, que era de dona Lavínia, quem primeiro se mudou com a família para o outro lado da Ponte. Logo em seguida mal desttinguir o bangalô de dona Maria Laura, conforme retrato acima.

        E quando as pessoas descobrirem s. Luís, o que ela sonha agora, ou seja, ver um monte de gente andando por suas suas conhecidas ruas e casas, que mesmo vítimas de abandono resistem. Os escombros, diferente dos anteriores, que ocorreu para darem lugar à construção de uma outra cidade em cima da antiga, sem que levassem em conta importância do patrimônio cultural ali existente, o que acontece até hoje, apesar do tombamento ou por conta dele. É esperar as restaurações, para os turistas conhecerem e se encantarem com S. Luís,  uma cidade de encher a vista. E os mais jovens, de tudo que for visto, tenham percepção e encanto dessa arquitetura tão encantadora. O turismo está na moda, inclusive, aconselhado aos mais velhos, aposentados, ainda dispostos a se aventurarem pelo mundo. O nosso sendo  o melhor de todos os mundos.  

NOTA - O BANGALÔ DA RUA DAS HORTAS 436, QUE ANTERIORMENTE TINHA SIDO UMA MEIA-MORADA, NA DÉCADA DE 70 VIROU UM SOBRADINHO, ONDE FUNCIONA HOJE UMA CLÍNICA MÉDICA. A TANSFORMAÇÃO OCORRIDA ANTES DO TOMBAMENTO. O MAIS ESTÁ TUDO IGUAL, FORA OS ESCOMBROS. OS DOIS PALCETES NA ESQUINA DA RUA ABRIGAM  ÓRGÃOS PÚBLICOS. MINHA PRIVILEGIADA RUA DAS hORTAS.

 

 

 


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