PRINCESA ANNE NA COPA DO MUNDO!
SILÊNCIO NADA INOCENTE
Na década de 50, em visita a uma prima em outra cidade lembro-me de suas palavras: “É normal as brigas em família, pior é o silêncio, as pessoas se ignorarem, não se darem atenção, sem compromisso uns com os outros, ou algo de maior gravidade.” O medo, por exemplo, de causar algum incômodo, ser inconveniente, quando o que se quer mesmo é a paz, em vez da guerra, que acontece quando não há diàlogo, diplomacia, para sanar, ou contornar uma situação conflituosa, isso em qualquer relação. Não cruzar os braços e deixar que as coisas se resolvam por si mesmo, ou com o tempo. Indispensável é o respeito, e não temor de desagradar, e por conta disso silenciar, o nada inocente silêncio.
As
pessoas devem ter a liberdade de expor suas ideias, e até mesmo suas
discordâncias. Certo que das frustrações a vida não poupa ninguém. Ajuda todos
precisam, e mais ainda nas horas de aflição, que requer é o amor, a necessária atenção, que
deve vir na hora certa, e, em alguns casos, que haja compaixão. Sem fazer o
outro de coitadinho, e lembro minha
tia-avó que diza par sua madrinha que se
voltava para ela toda compadecida: “ Coitada da Amélia.” Revidava: “Não me
chema de coitadinha.” Atender na hora certa um filho, ou alguém que precise de
ajuda, é de suma importância, e jamais pensar que cada um sabe o que fazer da
sua vida, que é capaz o suficiente para agir sozinho em perigo, mesmo adulto.
Isso com a desculpa da não interferência, que parece mais descaso, até
mesmo irresponsabilidade.
“MAGNUS HOMO”
Terceiro
milênio, e diante do progresso tecnológico chegou-se até a IA, quando então o
papa Leão XIV sentiu a obrigação de
alertar sobre os acontecimentos recentes. Escreve a encíclica Magnífica Humanitas, na qual confirma a
magnitude do homem, pondo, todavia, em dúvida se na modernidade essa criatura
estaria apta para administrar um
avassalador progresso tecnológico. A revolução da informática, com uma
relevância semelhante às mudanças sociais e econômicas, que levaram Leão XIII a
escrever a Rerum Novarum.
A
Igreja com a responsabilidade de acompanhar a humanidade no seu progresso
material, e, em especial, a salvação espiritual frente aos apelos da matéria. O
plano material que esteja intimamente conectado ao plano espiritual, e o progresso
com vistas a promover o bem da humanidade. Mas há a possibilidade de o homem
cair na tentação de enveredar pela senda
a lhe fazer mais mal, que bem. Sem estar plenamente apto para viver sua humana
natureza diante desses avanços da técnica, que pode virar um tsunami, a exigir medidas de segurança para conter as águas, às vezes traiçoeiras. Haja discernimento, preparação a priori.
Ao
pensar e agir apenas por sua racionalidade, o homem pode falhar no cumprimento
do que Deus reseva para sua máxima
criação, sua humanidade e fraternidade. Daí a importância da encíclica do papa
leão XIV, ou seja, informar para a reflexão dos católicos e de todos os
mundialmente responsáveis desses avanços, sobre sua má utilização. A tecnologia
os fins que persegue. “Na
dúvida, pro réu”, diz o juiz ao dar sua sentença sobre uma acusação de
crime. Será que podemos deixar o barco
correr? Ou será melhor tomar as medidas
necessárias para que a travessia seja mais segura, e possa haver um porvir
realmente alvissareiro para a humanidade?