SILÊNCIO NADA INOCENTE
Na década de 50, em visita a uma prima em outra cidade lembro-me de suas palavras: “É normal as brigas em família, pior é o silêncio, as pessoas se ignorarem, não se darem atenção, sem compromisso uns com os outros, ou algo de maior gravidade.” O medo, por exemplo, de causar algum incômodo, ser inconveniente, quando o que se quer mesmo é a paz, em vez da guerra, que acontece quando não há diàlogo, diplomacia, para sanar, ou contornar uma situação conflituosa, isso em qualquer relação. Não cruzar os braços e deixar que as coisas se resolvam por si mesmo, ou com o tempo. Indispensável é o respeito, e não temor de desagradar, e por conta disso silenciar, o nada inocente silêncio.
As
pessoas devem ter a liberdade de expor suas ideias, e até mesmo suas
discordâncias. Certo que das frustrações a vida não poupa ninguém. Ajuda todos
precisam, e mais ainda nas horas de aflição, que requer é o amor, a necessária atenção, que
deve vir na hora certa, e, em alguns casos, que haja compaixão. Sem fazer o
outro de coitadinho, e lembro minha
tia-avó que diza par sua madrinha que se
voltava para ela toda compadecida: “ Coitada da Amélia.” Revidava: “Não me
chema de coitadinha.” Atender na hora certa um filho, ou alguém que precise de
ajuda, é de suma importância, e jamais pensar que cada um sabe o que fazer da
sua vida, que é capaz o suficiente para agir sozinho em perigo, mesmo adulto.
Isso com a desculpa da não interferência, que parece mais descaso, até
mesmo irresponsabilidade.