SIMPLESMENTE MARIA
| COLÉGIO SANTA TERESA - SÃO LUÍS |
Há algum tempo desejo falar com
uma pessoinha, e ela me acompanha toda vida, hoje distante, mas sempre
presente, desde quando estivemos juntas,
o que eu recordo com especial carinho. Início de uma promessa de vida naquele
passado distante, um simples viver o dia a dia, embora guardasse o mistério de
tudo. Ela, como vigia voluntária, na intenção de evitar que algum irmão pegasse
aquela arma que o pai colocara sobre o móvel da sala, e se ferisse, ou ferisse
outra pessoa. Outro dia, a mãe a pedalar
sua Singer, quando vê, que o copo de leite servido ao filho fora por ele
entornado de propósito. A jovem mãe poderia estar andando de patins com as
amigas na Praça Gonçalves Dias, mas está ali por amor, e cumpre seu dever, e é
com grande agilidade que tira a correia da máquina para punir o delito. O
culpado, todavia, atravessara para o
outro lado da rua, e já estava sentado na mureta da igreja, sendo observado
pela irmã aflita, até que ela adormeceu, sem ver o desfecho do caso.
Naquele dia ela procurava
pelo irmão mais novo, e já chamara por ele na porta da rua, mas dentro da casa foi
que encontrou uma pista nas cascas de fruto atrás de um imenso baú, sinal de que o peralta estivera ali, e
sentiu-se aliviada do medo que ele tivesse
fugido de casa, como ameaçou, depois da surra do pai. Fim de ano, e a família passara
o Natal em S. Luís na casa da avó, as malas já prontas para o retorno, quando
ela soube que o irmão mais velho, com nove anos, não voltaria para Caxias, ia
estudar no Colégio dos Irmãos Maristas. Dois anos mais nova que o irmão, ela
também queria ficar, e manifestou-se tirando suas roupas da mala, colocadas ali
para que retornasse. Atendida, foi matriculada no Colégio Santa Teresa, onde
teve o privilégio de estudar por 12 anos. Gratidão!


