A CONDESSA DE
BARRAL
O
que D. Pedro II sentia pela Condessa de Barral não era uma paixão comum, o que
certamente resultaria em decepção, como sempre acontece aos apaixonados. Luísa
era culta, e, mesmo sendo mulher, atuava nos negócios herdados do pai, dono de
engenhos. Avançada para aquele tempo, o Brasil ainda escravocrata, a baianinha fora
educada na Europa, onde passou a juventude e parte da mocidade, a circular com
desenvoltura entre a elite europeia. Paris era como um segundo lar para Luísa, que
escolheu um conde francês para se casar,
após recusar o pretendente brasileiro bem mais velho que ela, como o pai
queria. Eugênio de Barral era belo, mas sem dinheiro, o que não faltava à
mulher, que queria amar e ser amada, além de precisar quem a ajudasse a gerir
seus negócios no Brasil e na Europa.
Amada pelo esposo, que lhe era fiel em tudo, uma felizarda, que ainda
mereceu as graças de D. Pedro, e a quem deu apoio até o fim.
A
escritora e historiadora Mary Del Priore, de descendência italiana, não poupa
Pedro II em seu livro “Condessa de Barral - a paixão do imperador”. À época, o
Romantismo pregava um sonho de relacionamento, e é plausível que romance de Pedro e Luísa tenha sido mais idealizado que
real. Preceptora das princesas Isabel e Leopoldina, a condessa era uma
funcionária do palácio, que se fez também amiga devotada da família imperial, cumprindo sua função com sucesso, até casar as
princesas brasileiras com pessoas da corte europeia, escolhidas por ela. A
obsessão de Pedro II por Luísa fazia com que ele quisesse tê-la sempre ao lado
para dar-lhe apoio, inclusive moral, o que seria uma contradição, se eles fossem
amantes. Sem ceder aos caprichos do
imperador, a condessa o repreendia constantemente, e não poupou esforços para
apresentá-lo bem às Cortes europeias em suas viagens. Reinos que se findaram,
como o Império brasileiro, e de uma forma nada gentil, diferente do gentil
mandatário brasileiro, que merecia melhor tratamento, em vez de ser expulso do
Brasil, seu país, e que tanto amava.







