quarta-feira, 25 de março de 2026

 


 

 

                                      A CONDESSA DE BARRAL

 




O que D. Pedro II sentia pela Condessa de Barral não era uma paixão comum, o que certamente resultaria em decepção, como sempre acontece aos apaixonados. Luísa era culta, e, mesmo sendo mulher, atuava nos negócios herdados do pai, dono de engenhos. Avançada para aquele tempo, o Brasil ainda escravocrata, a baianinha fora educada na Europa, onde passou a juventude e parte da mocidade, a circular com desenvoltura entre a elite europeia. Paris era como um segundo lar para Luísa, que  escolheu um conde francês para se casar, após recusar o pretendente brasileiro bem mais velho que ela, como o pai queria. Eugênio de Barral era belo, mas sem dinheiro, o que não faltava à mulher, que queria amar e ser amada, além de precisar quem a ajudasse a gerir seus negócios no Brasil e na Europa.  Amada pelo esposo, que lhe era fiel em tudo, uma felizarda, que ainda mereceu as graças de D. Pedro, e a quem deu apoio até o fim.

A escritora e historiadora Mary Del Priore, de descendência italiana, não poupa Pedro II em seu livro “Condessa de Barral - a paixão do imperador”. À época, o Romantismo pregava um sonho de relacionamento, e é plausível que  romance de Pedro e Luísa tenha sido mais idealizado que real. Preceptora das princesas Isabel e Leopoldina, a condessa era uma funcionária do palácio, que se fez também amiga devotada da família imperial,  cumprindo sua função com sucesso, até casar as princesas brasileiras com pessoas da corte europeia, escolhidas por ela. A obsessão de Pedro II por Luísa fazia com que ele quisesse tê-la sempre ao lado para dar-lhe apoio, inclusive moral, o que seria uma contradição, se eles fossem amantes.  Sem ceder aos caprichos do imperador, a condessa o repreendia constantemente, e não poupou esforços para apresentá-lo bem às Cortes europeias em suas viagens. Reinos que se findaram, como o Império brasileiro, e de uma forma nada gentil, diferente do gentil mandatário brasileiro, que merecia melhor tratamento, em vez de ser expulso do Brasil, seu país, e que tanto amava.

 



terça-feira, 24 de março de 2026

 

ARTE-  ESTUDO

                                        VERMEER - VISTA DE DELFT

 


 

A extraordinária pintura holandesa do século XVII conta com o talento de  Vermmer, pintor barroco, que no quadro Vista de Delft mostra sua cidade natal vista de longe, onde ele revela o drama do início da modernidade O cenário idêntico ao da dramaturgia medieval apresentada em três atos: o céu, a terra e o inferno. A parte superior do quadro em azul celeste, com algumas nuvens . Ao centro, um conjunto arquitetônico é formado por construções em ocre e castanho, onde se destaca a luminosa catedral Neunwe Kerk, obra a cargo de devotos arquitetos, em homenagem à eternidade das crenças.  As construções margeiam um canal, situado na parte inferior do quadro, e as águas turvas, ou poluídas do rio... seriam consequencia da produção e também da navegação da portuária cidade de Delft

Brilha o astro rei no céu de Delft, metáfora para ideias, que pululam no início dos tempos modernos. Uma modernidade que esconde sua face oculta e perigosa. Burguesa e capitalista, a recém-inaugurada república holandesa prega a liberdade e a paz. A fé cristã abalada pela dissidência entre católicos e protestantes, já se começa a acreditar, quase como uma crença religiosa, na economia mercantilista. Um reino subterrâneo e obscuro ali escondido, que pode, ou não, ser ultrapassado pelos novos tempos. O Ocidente tomará conhecimento  da filosofia gregos através dos árabes Averós e Avicena. Emerge o conhecimento científico, em que se destaca a figura de Descartes.

A imponente catedral no centro da paisagem aponta para a força espiritual que avança em direção ao céu. A ética protestante reformista, mesmo sendo favorável ao comércio, ao capitalismo, presa acima de tudo à moral cristã,  deve ser preservada a qualquer custo. Os valores cristãos cultivados em Delft, onde habita o artista, protestante por parte dos pais, mas que compartilha também a fé da sua mulher, católica praticante, a  família vizinha dos padres jesuítas. O mundo material ainda em sincronia com a vida espiritual. Grande é o poder civilizatório da fé cristã, em que pese as raízes pagãs da Frígia, atual Holanda

A arte de Vermeer liga-se ao rito, ao mito, e também às técnicas, que vão impulsionar o progresso. Delft, com nome e espaço  semelhante a Delfo, morada de Apolo, deus da lira e da inspiração. Vermeer o Apolo de Delft, de uma civilidade que valoriza, em especial, o feminino. Os pontilhados do pintor de Delft podem representar os “pontos metafísicos de Leibniz, unidades de  força primitiva unificadora. O obscuro, que quer vir à tona, representa as embarcações ali aportadas que parecem pairar na escuridão das águas, próprias para viagens  gnósticas, do mundo do além. Mas é do além-mar que chegam notíciass do Novo Mundo, ou da América, representado pela porção de terra ensolarada, vista à frente da tela, as barcas tanto podem ser a Mayflower com os puritanos ingleses, que fundaram a colonis de Plymouth (Massachusetts), ou então as embarcações dos holandeses fundadores da Nova Amsterdã, hoje Nova York.


segunda-feira, 23 de março de 2026

 


                                                      O QUANTO VALES?

 

                                       

SEMPRE SÃO LUÍS -MA 


 “Nada, nada é que tu vales”, dizia Jô Soares no seu programa de humor. E quem seria essa pessoa? Certo que cada um tem seu valor, independente de qualquer coisa.  Justa seria a avaliação pelo comportamento frente às adversidades. E cada um carregue sua cruz conforme recomenda o saber cristão.

Valor maior tem a vida. Simplesmente viver. Fazer o que a vida espera da gente. A caminhada não é fácil, melhor não dificultar as coisas. Comandar o barco com sabedoria para que navegue mesmo em águas turvas.  

Resposta para a pergunta acima: Perde o valor quem estiver preocupado em agradar ou desagradar os outros.

 


sexta-feira, 20 de março de 2026

 

SABER O BÁSICO IMPORTA!



 


 

 

                     O QUE ELAS FALARAM DOS HOMENS

 

 

SÃO LUIS -MA-  ANTIGA ELEGÂNCIA MASCULINA - PRAÇA JOÃO LISBOA



 

Palavras para não esquecer, mesmo que as escutem uma criança. Ditas num contexto social em que as mulheres eram consideradas rainhas do lar, mas na realidade padeciam naquele hipotético paraíso. O que pensar da mulher que falou  depois de algum tempo de casada: “Eu devia ter voltado para casa no dia seguinte do meu casamento.” Outra frase a causar espanto foi pronunciada por uma mãe para os filhos que a culpavam veladamente por não terem o pai vivo: “Matei, sim, matei ele, matei o pai de vocês.” E em desagravo revelava: “O rim dele estava do tamanho de um caroço de feijão.” Revelações impactantes contra os homens.

Mas podia ser considerada um resgate da honra masculina as palavras pronunciadas por uma mãe em momento de raiva,  dirigidas à própria prole: “Eu preferia todos os meus filhos mortos, mas que meu marido estivesse vivo.” Certo que nem todos os homens são iguais, e, assim como há os maus por natureza, há os bons maridos, pais, irmãos, que merecerem elogios, o que seria resultado da criação realizada pela própria mulher que os gerou em seu ventre, e os educou. Homem e mulher, que, mesmo feitos um para o outro, possuem diferenças que dificultam a relação.

Necessário haver afinidade entre as partes, em primeiro lugar. A mulher avalie bem o homem, com quem vai conviver, e vice versa. Bom estarem ambos atentos quanto às paixões, que levam também a outros extremos. Certo que a maioria dos crimes contra a vida da mulher são passionais, os chamados feminicídios, em que pese o confronto à liberdade feminina recém-conquistada. Há homens violentos, sim, mas as mulheres malvadas não são tão raras. Ambos que se cuidem...


segunda-feira, 16 de março de 2026

 

 

 

                                                SEMANA DO OSCAR

 

 

CINEMA  "EDEM" - SÃO LUÍS - MA  - INAUGURADO EM 1919

Que o mundo decaiu não temos a menor dúvida, assim como sentimos que a humanidade vivencia sua pior fase. Evidências há por toda parte. E como o sangue, que corre nas vias do homem, assim é sua cultura, que periga morrer por grave doença, ou por inanição. A mente humana tem grande e fatal perda na sua capacidade de interpretar o mundo. O cérebro atual em estado de atrofia, sem aquela disposição para o enriquecimento da alma, através do cultivo da mente, gerações após gerações.

Para que serve cultivar a espiritualidade, se não mais seve para uma mentalidade hoje focada no aqui e agora? Hoje degradadas a noção de cultura e de fé. Havia a crença no pleno desenvolvimento do homem, constituído de corpo e alma. E diante de um raso conhecimento, e a pouco custo, achou-se melhor baixar as expectativas, inclusive, de paz. A burrice vigente afeita às ideologias, quaisquer que sejam, formadas por uma turma de imbecis oportunistas. Além do ateísmo que quer imperar nesse mundo de pessoas ingratas. Imbecilidades atuantes, pondo a perder o que ainda há de bom no mundo.

O  filme brasileiro Agente Secreto não ganhou o Oscar, meus sentimentos. Mas que falta faz um Martin Scorsese,  um Alfred Hitchcock, que levaram a arte cinematográfica a atingir um alto nível. Alguns filmes estrangeiros são, no mínimo, cansativos. Já os filmes brasileiros atuais nos levam a ter saudade das antigas chanchadas. Há banalização de tudo nesse nosso mundo, mesmo que ainda se reciclem algumas coisas, antes que a arte cinematográfica, por exemplo, pereça na fogueira das vaidades, o que mais se vê no tapete vermelho do Oscar.

Pode ser dito, sem medo de errar, que o homem vive hoje em estado de penúria mental,  e a IA é a providencial solução para esse grave problema.