MUNDO ADMIRÁVEL!
NOITE
ESCURA
Adélia Prado
Como um cão doente à soleira do seu dono
que não lhe abre a porta,
começo a amar o fogo
de forma sacrificada,
pois o temo tanto quanto a grandes águas.
O mundo me faz ridícula,
mas não me torna humilde.
O apóstolo com suas duras epístolas,
ordena-me deserdar a carne,
o que mais amo em Deus,
a perfeição do seu Filho,
a poesia reunida
do universo.
Eu só quero adorar,
até me faltarem as forças
para escrever um único verso bom.
Estar doente é dádiva também,
Não ter palavras.
ELEIÇÃO NO BRASIL
Dois mineiros foram peças chaves
na campanha para a presidência do Brasil neste ano de 2026: Nikolas Ferrera e André Janones. O primeiro atuou
brilhantemente na campanha de Flávio Bolsonaro; o segundo, a favor da reeleição do presidente Lula da Silva. Nicolas, um fenômeno nas redes, acatado pelos bolsonaristas, enquanto os petistas não tnham o mesmo entusiasmo com Janone. Flávio ganhou no primeiro turno, e vinha na frente das pesquisas para vencer no segundo turno, mas, com a vitória de Lula, a
surpresa foi geral. Resta dizer com Elon Musck: “Pretty weird”. O caso é respeitar o resultado dos votos
dados aos dois candidatos, com pequena diferença. E que o vencedor aproveite para fazer um bom gverno, melhor que o do seu primeiro mandato. O povo brasileiro é confiante, e merecedor. E "Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade."
FIRMEZA E DOÇURA
Ganhar dinheiro para se sustentar faz parte da vida adulta, e é certo que cada um tenha uma profissão. Cora Coralina era professora até se casar e sair de Goiás Velho, mas preferiu destacar sua profissão de doceira, que veio depois, já na velhice. Deu destaque a seus doces, e teria motivo para isso, inclusive, poético, afinal, doçura, ou amor, é o que mais a vida precisa, o que a poeta quis dizer. Professora, doceira, e também poeta, ou principalment poeta como se achava, esa mulher de especiais talentos, que ficou famosa com sua poesia.
Pergunto-me se realmente os doces de Cora Coralina seriam melhores que seus poemas. E gostaria de ter indo ao interior de Goiás, aqui perto de Brasília, experimentar seus doces para comparar. Mas principalmente reflito sobre essa professora, que os alunos perderam, o cabedal de suas aulas, que ela certamente transmitia com firmeza e doçura. O prestígio que tinha a profissão de professora no passado, atualmente desvalorizada, e as professoras sendo desrespeitados, até mesmo espancada e mortas por alunos e seus pais. O que diria essa professora diante de tão grande afronta?
Vale lmbrar que Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou Cora Coralina, professava um sincretismo religioso, sendo a religião central em sua vida, mas não em sua poesia. Já Adélia Prado tem sua vida e sua poesia marcada pelo catolicismo. Ambas famosas escritoras, e visinhas, uma goiana a outra mineira.