CASAS ARRIMADAS UMAS ÀS OUTRAS
TÍPICAS DA CAPITAL SÃO LUÍS - MARANHÃO
DAS INTENÇÕES
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| MINHA VELHA S. LUÍS - MA |
A tendência do ser humano é desejar o que é amável, ou o
que é bom. Enquanto o ruim ninguém quer experimentar. E o bom e o ruim na
realidade resultam das nossas escolhas, ou das intenções que tivermos para com
as coisas do mundo, que na realidade não existe exclusivamente para nós.
A ética agostiniana diz que o mal não existe em si, as
coisas são como são. E a forma como o homem se relaciona com o mundo, ou suas
intenções, é que podem ser boas ou ruins; fazer a pessoa evoluir, ou se privar
da graça, ou da felicidade. Cuidar do corpo e da alma.
Ter vida em abundância e ser feliz, ou ter vida mesquinha e se
sentir infeliz? Um trabalho bem feito, uma vida
dedicada ao bem tem real merecimento. Não deixar que o medo e a maldade tolham seus
passos.
A melhor das intenções é estar com Deus.
A GRATIDÃO ESTEJA EM TODOS NÓS!
A felicidade
está intimamente relacionada com a gratidão. Ser grato pelos bens ofertados,
pelas oportunidades, inclusive, pelas mínimas coisas usufruídas. Controlar as
forças negativas dentro de si e do exterior, como o medo, o pessimismo, a
descrença, o orgulho. Perseverar na esperança, na fé, na caridade. Os maus
pensamentos e maus hábitos consomem a vida, sem dar nada em troca. Pelo
contrário, leva à infelicidade. Fortalecer
a mente, o caráter, para que estranhas forças não tentem atrapalhar uma caminhada
promissora.
Absurdo
o que aconteceu há poucos dias em Itumbiara, onde um pai matou os seus dois
filhos menores por conta do ciúme, ou obsessão pela mãe das crianças,
certamente com o intuito de puni-la. Ela havia pedido a separação, o que lhe
foi negada, mas continuou em casa com aquele homem, cujo crime ia provar que se
trata, no mínimo, de um psicopata. A cidade ficou em choque com o ocorrido;
gente solidária com a mãe que perdeu os filhos, suas vidas tão violentamente ceifada
ou destruída por aquele que deveria protegê-los. Ato de extrema covardia, falta
de amor paterno, do afeto mínimo, que tocasse aquela alma vítima do seu egoísmo, da sua loucura. Sem eximir a mulher de qualquer erro, mas nos temos atuais sumiu o respeito humano, e a família está sumindo pelo ralo.
Em
Platão existe uma correspondência estrita entre a harmonia interna do indivíduo
e harmonia externa, social. Certo que a felicidade está profundamente
relacionada com boa consciência. E uma vida feliz tem tudo a ver com a
capacitação do individual para viver e se comunicar com as outras pessoas do
seu convívio, e em instância social mais ampla. E se o que move o homem é ser
feliz torna-se imprescindível a construção de uma vida plena internamente, que
não repouse em si mesmo. E não é por outra razão a importância da ética no comportamento do ser humano e suas ações.
E
porque gratidão? O homem é vulnerável, especificamente trágico na realização de
sua vida de animal racional, sua arriscada liberdade, em que a vontade o faz
tropeçar, o querer assentado no bem, e não no egoísmo, no ódio. Devemos preparar-nos para
aceitar as contingências da vida. A gratidão que aquele homem deveria ter para
com a mulher que lhe deu os filhos, que ele disse amar, antes de ceifar - lhes
a vida. Ele deixou uma carta acusando a mulher como responsável do crime. Ah,
as palavras compartilhadas em um nível superior da existência! Mas há palavras
usadas para ferir, mentir, infamar contra os outros, como as do criminoso, que
covardemente se matou após o ato indigno, vergonhoso. E não faltam vozes contra
a mulher. Gente infeliz em suas palavras. Felizes os bons, cujo bem dizer, assim
como o bem proceder, ultrapassa a própria pessoa. A gratidão esteja em todos
nós!
ESTRANHA AQUELA NOITE!
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| ANTIGO BANCO DA PRAÇA DA ALEGRIA |
Habitar o tempo em vez de correr atrás dele. Bom conselho para os dias atuais. Chega o tempo em que é preciso apagar as queixas, cicatrizar as feridas, e nada melhor a fazer senão ir ao encontro do que não é material, que não é o corpo físico, mas algo sutil que está em nós, separado da carne, e nos completa, harmoniza com o que somos em essência. A descoberta das palavras, e ao mesmo tempo descobrir a si mesma e suas origens. Saber que pertenço àquela ilha, àquela terra onde vento e mar molda a vida. O sol a aguçar meus sentidos, e meu olhar a adquiriu reflexos de tudo que é antigo encanto, tudo que foi erguido naquelas ruas de pedra, onde aprendi o que é passageiro e o que é eternidade.
Estranha aquela noite. Ela acredita em coincidências, e quando vinha da faculdade de Serviço Social, pensando no trabalho para fazer sobre a situação da pobreza em S. Luís, um cara mascarado, era semana do carnaval, aproxima-se dela pedindo a bolsa. A cidade deserta, conseguiu correr, e antes que fosse alcançada chegou à praça perto de casa. Esbaforida, por sorte ali estava um homem dos seus cinquenta anos, que veio ao seu encontro. Vê que ele estava em seus preparos para dormir no banco, não parecia perigoso, mas um tanto amalucado, era conhecido na cidade pela alcunha de “casaca curta”, que diante dos gritos da molecada revidava: ”Casaca curta é .... da mãe. Ficou ao seu lado à espera do guarda da ronda noturna. O pobre homem após algum tempo resolveu inqueri-la:
—Senhora, ele disse, não sei se já notou os
mistérios que habita nossa cidade. Há uma rede de canais subterrâneos unindo algumas
edificações aqui no centro da cidade, que ninguém ousou percorrer desde que foram desativadas. Veja bem a coincidências,
hoje mesmo adquiri coragem e percorri parte daquele labirinto, e o que encontrei
foi somente um ninho de serpentes.
Não há magia nisso. A senhora deve ser uma pessoa instruída, boa leitora, e
sabe do que falo.
Ela lembrou-se do mistério contido na lenda da serpente de S. Luís. Com receio de retornar para casa ficou escutando o homem que parecia desejoso de falar.
— Estava estendendo minha
manta para dormir, no passado não tinha receio, mas a bandidagem cresceu, e sei
de casos no sul do país que queimam as pessoas sem teto, tenho medo. Gente ruim existe desde que o mundo é mundo, falta educação, amor ao
próximo. E o que não falta por aqui é gente pronta para dar o bote, que envenena com a língua, serpentes. Alegre essa nossa gente, o carnaval é uma amostra, com festa o mês
inteiro. “Por fora bela
viola, por dentro pão bolorento”, já dizia minha mãe, Deus a tenha. Morreu tuberculosa,
coitada, deixando esse seu filho desmiolado, que pouco aprendeu.
Vou lhe dizer uma coisa, um país rico como o nosso Brasil, e uma criança adoece
da cabeça por falta de comida, não pode acontecer.
O guarda chegou, e logo prontificou-se para acompanhá-la até sua casa. Já deitada, não conseguia adormecer, menos preocupada com o ladrão,
que desapareceu por milagre. Lembrava mais do pobre
homem que dormia ao relento, perto dali, na Praça da Alegria. Mas não parecia ser uma pessoa infeliz.
Estava escrito em algum lugar: ”A terra não estará em paz enquanto Jerusalém não estiver”. Após a leitura, seguiu-se o comentário, que uma paz não pode existir sem o perdão. E sabe-se que só pode ser perdoado quem reconhecer sua culpa. Os eternos conflitos humanos, sendo a mais grave culpa contra o povo judeu. As contendas que começam entre as famílias e mesmo em seu seio. E não param as dissidências entre as nações.
Sabe-se que enquanto a vida estiver em perigo, não haverá paz. Tudo começa quando desrespeitamos a natureza que nos cerca e nos mantém vivos, e o quanto hoje ela corre perigo. Gerir o que temos de bom e de belo, nossa riqueza natural e, em especial, nossa riqueza cultural. Mas parece que a sina do homem é gerir conflitos, mestre que é em criar meios de se desentenderem, em vez de aceitarem quem são, entrarem em acordos entre si e com o seu meio.
O risco de ignorar os direitos que não sejam os seus próprios, ou acatar as qualidades, mas não aceitar os defeitos que os outros possam ter sob o nossa visão. Quando devemos considerar, em princípio, as mudanças que a vida provoca em nós, com as quais nos alegramos, e também nos podem decepcionar, como as rugas, que o tempo nos trás com o tempo, se continuarmos vivos. Já as rusgas, são por nossa conta, e vamos continuar padecendo desse mal, se não mudamos nossa maneira de ver as coisas. Mudar ou morrer antes