terça-feira, 24 de março de 2026

 

ARTE-  ESTUDO

atualizado

                                        VERMEER - VISTA DE DELFT

 


 

A extraordinária pintura holandesa do século XVII conta com o talento de  Vermmer, pintor barroco, que no quadro Vista de Delft mostra sua cidade natal vista de longe, onde ele revela o drama do início da modernidade O cenário idêntico ao da dramaturgia medieval apresentada em três atos: o céu, a terra e o inferno. A parte superior do quadro em azul celeste, com algumas nuvens . Ao centro, um conjunto arquitetônico é formado por construções em ocre e castanho, onde se destaca a luminosa catedral Neunwe Kerk, obra a cargo de devotos arquitetos, em homenagem à eternidade das crenças.  As construções margeiam um canal, situado na parte inferior do quadro, e as águas turvas, ou poluídas do rio... seriam consequencia da produção e também da navegação da portuária cidade de Delft

Brilha o astro rei no céu de Delft, metáfora para ideias, que pululam no início dos tempos modernos. Uma modernidade que esconde sua face oculta e perigosa. Burguesa e capitalista, a recém-inaugurada república holandesa prega a liberdade e a paz. A fé cristã abalada pela dissidência entre católicos e protestantes, já se começa a acreditar, quase como uma crença religiosa, na economia mercantilista. Um reino subterrâneo e obscuro ali escondido, que pode, ou não, ser ultrapassado pelos novos tempos. O Ocidente tomará conhecimento  da filosofia gregos através dos árabes Averós e Avicena. Emerge o conhecimento científico, em que se destaca a figura de Descartes.

A imponente catedral no centro da paisagem aponta para a força espiritual que avança em direção ao céu. A ética protestante reformista, mesmo sendo favorável ao comércio, ao capitalismo, presa acima de tudo à moral cristã,  deve ser preservada a qualquer custo. Os valores cristãos cultivados em Delft, onde habita o artista, protestante por parte dos pais, mas que compartilha também a fé da sua mulher, católica praticante, a  família vizinha dos padres jesuítas. O mundo material ainda em sincronia com a vida espiritual. Grande é o poder civilizatório da fé cristã, em que pese as raízes pagãs da Frígia, atual Holanda

A arte de Vermeer liga-se ao rito, ao mito, e também às técnicas, que vão impulsionar o progresso. Delft, com nome e espaço  semelhante a Delfo, morada de Apolo, deus da lira e da inspiração. Vermeer o Apolo de Delft, de uma civilidade que valoriza, em especial, o feminino. Os pontilhados do pintor de Delft podem representar os “pontos metafísicos de Leibniz, unidades de  força primitiva unificadora. O obscuro, que quer vir à tona, representa as embarcações ali aportadas que parecem pairar na escuridão das águas, próprias para viagens  gnósticas, do mundo do além. Mas é do além-mar que chegam notíciass do Novo Mundo, ou da América, representado pela porção de terra ensolarada, vista à frente da tela, as barcas tanto podem ser a Mayflower com os puritanos ingleses, que fundaram a colonis de Plymouth (Massachusetts), ou então as embarcações dos holandeses fundadores da Nova Amsterdã, hoje Nova York.  

Brilha em Vermeer uma ponta do continente americano. No século XXI essa terra haveria de doar para a Holanda uma linda e brilhante mulher para ser sua rainha, a rainha Máxima, esposa do rei  Guilherme Alexander, desde 2013. O  reino da Holanda instituido por Napoleão, em 1806, em substituição da República Batava.


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