ARTE- INTERPRETAÇÃO
VERMEER - VISTA DE DELFT
A extraordinária pintura
holandesa do século XVII conta com o talento de Vermmer, pintor barroco, que no quadro Vista de Delft mostra sua cidade natal vista de longe, onde ele revela o drama do início da modernidade O cenário idêntico ao da dramaturgia
medieval apresentada em três atos: o céu, a terra e o inferno. A parte superior
do quadro em azul celeste, com algumas nuvens . Ao centro, um conjunto arquitetônico é formado por construções em ocre
e castanho, onde se destaca a luminosa catedral Neunwe
Kerk, obra a cargo de devotos arquitetos, em homenagem à eternidade das crenças. As construções margeiam um canal, situado na parte inferior do quadro, e as águas turvas, ou poluídas do rio... seriam consequencia da produção e também da navegação da portuária cidade de Delft
Brilha o astro rei no
céu de Delft, metáfora para ideias, que pululam no início dos tempos modernos.
Uma modernidade que esconde sua face oculta e perigosa. Burguesa e capitalista,
a recém-inaugurada república holandesa prega a liberdade e a paz. A fé cristã abalada
pela dissidência entre católicos e protestantes, já se começa a acreditar, quase
como uma crença religiosa, na economia mercantilista. Um reino subterrâneo e
obscuro ali escondido, que pode, ou não, ser ultrapassado pelos novos tempos. O
Ocidente tomará conhecimento da
filosofia gregos através dos árabes Averós e Avicena. Emerge o conhecimento
científico, em que se destaca a figura de Descartes.
A imponente catedral no centro da paisagem aponta para a força espiritual que avança em direção ao céu. A ética protestante reformista, mesmo sendo favorável ao comércio, ao capitalismo, presa acima de tudo à moral cristã, deve ser preservada a qualquer custo. Os valores cristãos cultivados em Delft, onde habita o artista, protestante por parte dos pais, mas que compartilha também a fé da sua mulher, católica praticante, a família vizinha dos padres jesuítas. O mundo material ainda em sincronia com a vida espiritual. Grande é o poder civilizatório da fé cristã, em que pese as raízes pagãs da Frígia, atual Holanda
A arte de Vermeer liga-se ao rito, ao mito, e também às técnicas, que vão impulsionar o progresso. Delft, com nome e espaço semelhante a Delfo, morada de Apolo, deus da lira e da inspiração. Vermeer o Apolo de Delft, de uma civilidade que valoriza, em especial, o feminino. Os pontilhados do pintor de Delft podem representar os “pontos metafísicos” de Leibniz, unidades de força primitiva unificadora. O obscuro, que quer vir à tona, representa as embarcações ali aportadas que parecem pairar na escuridão das águas, próprias para viagens gnósticas, do mundo do além. Mas é do além-mar que chegam notíciass do Novo Mundo, ou da América, representado pela porção de terra ensolarada, vista à frente da tela, as barcas tanto podem ser a Mayflower com os puritanos ingleses, que fundaram a colonis de Plymouth (Massachusetts), ou então as embarcações dos holandeses fundadores da Nova Amsterdã, hoje Nova York.

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