terça-feira, 6 de outubro de 2026



                              SIMPLESMENTE MARIA




COLÉGIO SANTA TERESA  - SÃO LUÍS


                             

 

               Há algum tempo desejo falar com uma pessoinha, e ela me acompanha toda vida, hoje distante, mas sempre presente, desde  quando estivemos juntas, o que eu recordo com especial carinho. Início de uma promessa de vida naquele passado distante, um simples viver o dia a dia, embora guardasse o mistério de tudo. Ela, como vigia voluntária, na intenção de evitar que algum irmão pegasse aquela arma que o pai colocara sobre o móvel da sala, e se ferisse, ou ferisse outra pessoa.  Outro dia, a mãe a pedalar sua Singer, quando vê, que o copo de leite servido ao filho fora por ele entornado de propósito. A jovem mãe poderia estar andando de patins com as amigas na Praça Gonçalves Dias, mas está ali por amor, e cumpre seu dever, e é com grande agilidade que tira a correia da máquina para punir o delito. O culpado, todavia,  atravessara para o outro lado da rua, e já estava sentado na mureta da igreja, sendo observado pela irmã aflita, até que ela adormeceu, sem ver o desfecho do caso.

                     Naquele dia ela procurava pelo irmão mais novo, e já chamara por ele na porta da rua, mas dentro da casa foi que encontrou uma pista nas cascas de fruto atrás de um imenso  baú, sinal de que o peralta estivera ali, e sentiu-se aliviada do medo que  ele tivesse fugido de casa, como ameaçou, depois da surra do pai. Fim de ano, e a família passara o Natal em S. Luís na casa da avó, as malas já prontas para o retorno, quando ela soube que o irmão mais velho, com nove anos, não voltaria para Caxias, ia estudar no Colégio dos Irmãos Maristas. Dois anos mais nova que o irmão, ela também queria ficar, e manifestou-se tirando suas roupas da mala, colocadas ali para que retornasse. Atendida, foi matriculada no Colégio Santa Teresa, onde teve o privilégio de estudar por 12 anos. Gratidão!


                

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