terça-feira, 28 de julho de 2015




                   
          TEM NOVIDADE NA PÁGINA VERMEER

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Mahler: Symphony No. 6 "Tragic" / Lorin Maazel : Royal Concertgebouw Orc...








                               O BEM, O MAL, O MAGISTRAL

 




           Gente boa evita falar dos outros para acusar; gente ruim, ao contrário, tem que achar culpa, ou desculpa, para tudo. a diversão preferida do malvado é apontar erro nos outros, no mínimo, um chato. Mas tem os gênios da maldade, que seduzem. Pior é que costumam, inclusive, colocar seus próprios defeitos na conta dos outros. Chegam a ser convincentes. Geralmente uma pessoa memoriosa. Ser malvado é para alguns uma arte, assim como tocar piano, fazer teatro. Seriam artistas frustrados? O malvado despreza o bom, a quem pode devotar até ódio, enquanto se derrete para quem o trata com indiferença, desprezo.

            Conviver com quem vê mal em tudo e em todos, não é fácil. O mundo realmente está um descalabro, aumentou a quantidade de gente e diminuiu sua qualidade. Mas podemos encontrar pessoas de qualidade, sim, só que não andam dando sopa por aí. Adorarmos encontrar pessoas boas, e ter alguém para chamar de meu tipo inesquecível é o máximo. Alguém que não se pode esquecer, por suas boas qualidades.  Nem sempre podemos escapar das passagens pouco gradáveis, que nos incomodam a memória, e só resta fazer catarse, através da leitura, da escrita e outros meios. Tratar de esquecer as coisas ruins e só  lembrar das boas, ou alguma  experiência magistral.  Tão rica que é a vida!   

quarta-feira, 22 de julho de 2015








                  JUVENTUDE

                      Mocidade
                                              
                                                 FLORBELA ESPANCA
 

 
A mocidade esplêndida vibrante,

Ardente, extraordinária, audaciosa,

Que vê num cardo a folha duma rosa,

Na gota de água o brilho de um diamante;

 

Essa que fez de mim Judeu Errante

Do espírito, a torrente caudalosa,

Dos vendavais irmã tempestuosa,

- Trago-a em mim vermelha, triunfante!

 

No meu sangue rubis correm dispersos:

- Chama subindo ao alto nos meus versos,

Papoilas nos meus lábios a florir!

 

Ama-me doida, estonteadoramente,

Ó meu Amor!, que o coração da gente

É tão pequeno...e a vida, água a fugir...

 




 




 

sábado, 18 de julho de 2015






                       A GRANDE FAMÍLIA



 

     A família não tem de ser necessariamente grande em número de pessoas, o que hoje em dia é improvável que aconteça, apenas algumas reminiscentes. Em compensação, deve ter aquela grandeza, pela maneira como seus integrantes agem entre si e como tratam as demais pessoas fora do seu núcleo. Acolhedora sem ser por demais permissiva, assim como acontece com as pessoas individualmente. Esse negócio de ter a porta aberta dia e noite para quem quiser se abancar, nem para os membros mais chegados. Esperar o convite e nunca ser inconveniente. É o respeito que mantém as coisas nos eixos. Não ser a “casa da mãe Joana”, expressão vinda do século XIV segundo Câmara Cascudo. Joana I de Nápoles e condessa de Provence, teve uma vida conturbada, envolveu-se com uma conspiração e que aos 21 anos foi exilada pela Igreja, e se tornou dona de bordel, lugar onde cada um faz o que quer, sem nenhum tipo de regra.    

     No passado as famílias moravam em casas espaçosas, e era comum os filhos continuarem residindo com os pais depois de casados, geralmente por necessidade, ou mesmo comodismo. O casal, ou os casais, permaneciam nessa situação por muitos anos, até a vida toda. A coisa aceita como norma, e todos se dando bem em família. Por falta de dinheiro, também porque a mulher era induzida a casar muito cedo, e  sem maturidade para arcar sozinha com a responsabilidade do novo lar, cuidar do marido e dos filhos. Era o que a família original pensava. Havia casos em que o novo par assumia a direção da casa e tudo ficava numa boa, os pais felizes por terem quem cuidasse deles na velhice. Havia abusos de poder, mas tudo bem, valia a pena pela família, que permanecia unida.

      Ou melhor seria que cada um casasse e fosse morar em sua própria casa? O alerta veio em boa hora, que os casais começaram a se desentender, cada um querendo puxar a brasa para sua sardinha. É uma brasa, mora? Roberto Carlos que o diga, com casamentos um atrás do outro, incentivando a moçada. Não apenas ele,  especialmente a turma dos psicólogos. Acomodar-se em casa dos pais, ou partir para a experiência mais importante da vida que é ter seu próprio lar? A ruptura foi drástica, e muita gente saiu de casa para morar sozinha, que o barato, mesmo, era estar livre, leve e solta. A profissionalização foi a mola mestra da mudança. E o pleno emprego da época, que os mais novos deixavam de depender financeiramente dos mais velhos. E emocionalmente? Ninguém queria pensar nisso.

       Longe da casa e do controle, que se dizia burguês, as pessoas foram viver suas experiências. A tecnologia dava condições para que a vida fosse cada vez mais confortável, mais fácil. A expectativa era grande, e a desconfiança idem, na mesma data, que a família sumisse, ela que vinha se deteriorando. Mesmo assim a nova geração era reverenciada como se tivesse atingido o ápice da evolução, os mais velhos, vistos como primitivos habitantes da terra, e alguns eram assim mesmo. Mas o que estava ali para todo mundo usufruir era fruto do trabalho e do saber, acumulado geração após geração, gente que acreditou no progresso e foi leal aos bons princípios. Não entender isso é navegar em águas turvas, e todo mundo sabe disso. O certo é que, hoje, para se ter uma grande família, não precisa que ela seja numerosa em número de filhos, nem é conveniente que seja assim, mas se exija dos seus membros  respeito e cooperação.

         


sexta-feira, 17 de julho de 2015






       LIÇÃO DE MÚSICA

 

 

                                  

                        O liberalismo econômico e, em especial, a fé reformada, faz com que o progresso e o dinheiro deixem de ser mal vistos. Às portas da modernidade, na rica República holandesa recém-inaugurada, a mulher começa a sair da obscuridade. Momento  teria compensado  a espera, justamente quando Vermeer pinta seus quadros. A intenção da arte barroca é, principalmente instruir, o que faz o pintor ao mostrar para as moças, modelos de comportamento, além de fazer propaganda dos produtos que expõe. Foi Vermeer um dos representantes da famosa arte holandesa do século XVII. As mulheres pintadas pelo artista exercem atividades diversas, bem vestidas e penteadas como para uma festa, salvo a leiteira no quadro do mesmo nome, cuja intenção é o glamour para esconder o aspecto tosco, comum em algumas dessas mulheres. No quadro Lição de Música a cena mostra uma moça cercada de objetos, que podem ser da coleção particular, ou expostos para serem negociados. Ela  certamente pertence à burguesia próspera, e é revelador que esteja de pé frente ao piano e de costas para o espectador que a vê dedilhar um instrumento musical, sua face  refletida num espelho pendurada na parede logo acima. Ao seu lado um mestre  e instrutor.
 

                         O barroco é a expressão artística com a qual o pintor de Delft mostra a nova postura feminina, uma farsa por trás do que se vê na aparência. No quadro, um espelho raro e caro, onde a mulher se mira, assim como o piano, onde ela exercita sua arte e vaidade, também nos demais objetos expostos, com o mesmo fim. Vermeer a se penitenciar por ser ao mesmo tempo artista e propagandista, menos por gosto e mais por dinheiro. Com menos gosto ainda Vermeer expõe em sua pintura-vitrine o feminismo, o consumismo, que então se esboça. O instrumento musical é simplesmente um rico e belo objeto de consumo, e não passaria de um estímulo à vaidade da moça, que simula tocar algo. Pensava-se a música como bálsamo para o espírito, o que está escrito no tampo do virginal: A Música companheira da alegria, balsamo para o espírito. Os reformistas, que se dizem herdeiros do povo hebreu, e certamente Vermeer junto com eles, pensam, todavia, que a instrução musical seria uma forma das pessoas se afastarem da fé, e tática das mulheres fugirem das suas reais funções de esposas atenciosas, mães dedicadas, filhas obedientes. O pintor barroco não estava de todo sem razão. Seria uma incógnita a nova Republica, assim como o progresso, o feminismo, e o próprio arte de pintar.

 

                        Os homens até então ocupados em suas viagens comercias e de conquistas pelo mundo,  em cruéis batalhas contra o poder espanhol. Enquanto isso, as mulheres ficavam reclusas nos lares e nos conventos, longe da violência, mas também da vida pública. As armas dos homens feitas para matar, diferentes das armas femininas da sedução maternal e sexual. Com a riqueza acumulada, muda a sociedade, e também suas mulheres, que  optam pela instrução. No século XVII as holandesas leem e escrevem, assim como tocam algum instrumento musical, o que faz parte da educação liberal para elas, que passam a evitar, sim, e com toda a razão, a sexualidade e a maternidade, compulsórias. Penso que para Vermeer tudo seria engodo, trama, do feminismo, que então se esboça, o que ele denuncia, como se previsse  nossa pós-modernidade, as mulheres, em sua maioria, optando por não casar, não ter filhos, e a consumir desastradamente, inclusive, roupas desbotadas e rasgadas, numa simulação, em sentido oposto à lição de música do pintor. A lição de Vermeer, como pintor barroco, são os comportamentos. Houve progresso, material, sim, mas a sociedade cresceu em injustiça, e nela infelizmente não se pode confiar, ao contrário, atemoriza. Mas a promessa era bela e justa, de que a pessoa se fartaria de tudo que a vida tinha a oferecer ao plantio e boa colheita...