sábado, 24 de dezembro de 2022
quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
terça-feira, 20 de dezembro de 2022
NADA É PARA SEMPRE
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| S. LUÍS -MA |
A s narrativas de Galvão Bueno com seus
bordões nas Copas e demais eventos
esportivos transmitidos pela TV.
O
rosto perfeito de Dina Sfat na capa de
uma revista.
As crônicas de Raquel de Queiroz na última
página da revista O Cruzeiro.
A elegância do casal Charles Chaplin e
Paulette Goddard fotografados quando eram casados.
O recém-nascido em seu primeiro banho
na bacia de alumínio com a crianças em
volta.
As figuras impróprias desenhadas a carvão nos muros e calçadas de S.
Luís.
As declamações do poeta nas reuniões
em família.
O ite
missa est no fim das missas.
As tranças nos cabelos feitas pela
tia, e também seus beliscões.
O comportamento pouco ortodoxo de algumas
meninas, que não nos passava pela cabeça imitar.
A brincadeira de quebrar o osso do
peito da galhinha e a madrinha como juíza para os irmãos não trapacearem.
O assustador isolamento na pandemia.
Palavras e mais palavras a nós dirigidas,
ou que dizem por aí.
sábado, 17 de dezembro de 2022
Maria fica comovida com as palavras da coleguinha naquele novembro de 1950. “Nunca vou te esquecer” disse Socorro. O sino havia tocado no recreio para voltarem à sala de aula no último dia do segundo semestre do quarto ano primário. Encerrava-se um ciclo escolar, início das férias. Décadas se passaram, Maria lê no Facebook: “Lembra de mim?” E dias depois: “Eu estou aqui!”. As mensagens vinham acompanhadas de fotos da mensageira com o marido comemorando bodas de ouro, também das viagens do casal pela Europa.
Cinco décadas e muitas foram mudanças pessoais e no mundo, a novidade da internet com suas redes sociais dando oportunidade para encontro e reencontros. Maria está encantada com a mocidade e alegria daquele senhora que se comunicava com ela, e procura pelo rosto que havia ficado perdido no tempo. Vasculha a mente, até que encontra a frase antiga e sua dona. E surpreendida com o enredo das suas vidas, que eram bem parecidos, Maria indaga a sorrir: “Quem copiou quem?” Vivem em diferentes cidades, e ainda se comunicam pela internet.
Não ia ser fácil a caminhada, nem tão difícil, disso ela tinha certeza. Recém-casada, antes de partir com o marido Maria quis passar na Igreja para acender uma vela para a avó e rezar para a Mãe do céu, além de dar explicação a são Judas Tadeu sobre sua confiança nos dias que viriam pela frente. Do pouco que vivenciara até aquele momento e sem grande experiência de vida era provável que mais adiante suas expectativas fossem superadas. Estava segura do que queria, assim como a pessoa que estava ao seu lado comungando o mesmo sonho. Quando ele chegou depois de algum tempo sem se verem dissiparam-se as dúvidas quanto a se unirem em casamento. Ela ficou surpresa ao saber que seu sentimento havia mudado, e para melhor, assim como acreditava que acontecia com o futuro companheiro de todo sua vida.
Dezembro, e o terceiro casamento que Maria assistia naquele ano, os noivos já com algum tempo de convivência, como de praxe. Era a vez de ver seu neto conduzir a noiva ao altar para que a união deles recebesse a bênção de Deus. Após a cerimônia religiosa aquela linda festa em comemoração com os familiares e amigos dando início a uma nova etapa em suas vidas. O baile era uma novidade para os avós da noiva que observaram os recém-casados em feliz entrosamento, enquanto dançaram lindamente no salão. No passado casava-se ainda muito jovem, a união matrimonial como um ato de mais seriedade que felicidade. Dançar não fazia parte das bodas, que o casal devia com passos firmes cumprir o dever matrimonial da procriação. Sem esse doce bailar e alegre saltitar dos nubentes de hoje, que provoca inveja dos mais velhos presentes ao evento. Maria na convicção que a felicidade tem um preço, sim, e não sai barato, ela mesma saudara com o marido todas as prestações.
terça-feira, 13 de dezembro de 2022





