sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

 



 

 

                                                   VIDA EM ABUNDÂNCIA

 

PARQUE LAGE - RJ




               Prometeu Jesus vida em abundância para aqueles que seguissem seus passos, o que não significa  somente abundantes bens materiais e, sim, os dons espirituais. Em especial, que se tenha uma abundante boa vontade para com a vida. Acordar pela manhã e ser grato por estar vivo, pronto para o trabalho, para os encontros,  as alegrias,  as conquistas. A vida pode parecer  fácil para algumas pessoas, mas para a maioria não é assim. E o que se tem de melhor a fazer é começar o dia com boa vontade para com as durezas do dia-a-dia. Não importa se acordo em um apartamento de fundo, sem vista alguma. Esquecer a vista para o mar, ou coisa de igual teor, e ir à luta. Agradecer por estar vivo, por ter saúde, por ter trabalho, além de outras coisas mais que temos, e não damos o devido valor.

Na década de 50 o jornalista Gondijo Teodoro  falou sobre sua chegada ao Rio para trabalhar, quando então passou noites dormindo na corda, mas tornou-se famoso e rico como repórter e por fim, apresentador do Repórter Esso, que era o Jornal Nacional da época. Situação difícil que muita gente boa enfrentou naquela época e venceu. É comum ter dificuldade para começar a vida, principalmente em terra estranha, até mesmo no rincão natal. Ao contrário do repórter da antiga TV Tupi, a bem nascida Marina Colasanti passou a infância e juventude com seu único e belo irmão no paradisíaco Parque Lage, construído por sua família, e que por longos anos viveu numa cobertura de frente para o mar, até seu recente falecimento. Acontece com raras pessoas. A premiada escritora lastimou, todavia, quem, por exemplo, se acostuma em morar nos fundos sem vista alguma.

Não é questão de se acostumar ou não com as coisas que se tem, ou que se faz, mas ter a boa vontade, além do requerido talento para realizar o que se quer. Olhar para frente e não para os lados, no sentido de querer as coisas já prontas, ou iguais a quem quer que seja. Jamais achar ruim acordar cedo para ir à escola, à faculdade, ou ir  trabalhar. Feliz de quem estuda, tem trabalho, do contrário, é sinal de que a pessoa deve acertar seus “ponteiros”. Ter hábitos que levem para frente, e o faça perseverar no bem. Jamais acostumar-se com o que não presta, como a preguiça, a impaciência, a inconstância, nem focar no luxo e na vaidade. Ter boa vontade de acertar.   


quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

 



 

 

 

                                              CABELO BRANCO

           

S. LUÍS MA - ANTIGA PRAÇA JOÃO LISBOA

 

               Até há pouco tempo uma pessoa idosa conservar o cabelo branco era considerado descaso com a aparência. Tal conceito mudou, afinal não tem como enganar a idade, mesmo com os melhores e mais caros tratamentos. Atualmente as jovens senhoras não se constrangem em expor suas madeixas prateadas, com o que elas deixam, no mínimo, de serem escravas das tinturas. Glória Pires assumiu o grisalho, e ficou mais digna de credibilidade, depois do fiasco na sua apresentação do Oscar de alguns anos atrás, quando, ao ser interpelada, se limitou a dizer que não tinha condição de  opinar, estando ali para fazer isso. Na ocasião seu cabelo chamava atenção pelo corte, pintura, escova, e ela parecia satisfeita com isso. 

                O grisalho deu um tom novo a imagem de Glória Pires, ou teria contribuido para isso, mesmo ela sendo uma boa atriz. A velhice tem pouco a ver com os cabelos brancos, pois muitos os têm assim desde jovens, e nem por isso são considerados velhos, até lhes proporciona um    certo charme. Charme no homem, pois a mulher tinha que se manter sempre jovem, os cabelos pintados. O certo é que a velhice é para quem desiste de continuar a fazer o que tem vontade, mesmo com as limitações da idade. Sem a juventude, claro, mas com outros ganhos, principalmente empenhados em aproveitar os anos que ainda têm para viver. Mais livres, mais leves e mais soltos, que os idosos se encontrem, achem sempre oportunidade  para comemorar a dádiva de terem envelhecido e não mortos.


 



 

 

                                                         O SAL


S. LUÍS-MA



              Era um dia como qualquer outro, quando ela cortou o dedo, e sem proteger o ferimento foi para a cozinha temperar o bife para o almoço. Ao enfiar a mão no saleiro teve uma dolorosa experiência. Anteriormente havia pensado na fria beleza do sal, assim como da neve. E quão parecido são o sal e o açúcar, ela pensou, mas enquanto um salga o outro adoça a comida. Tudo para nos proporcionar prazer na medida certa, ela pensou.

                 No dia seguinte, foi á livraria para o lançamento do livro de contos de um amigo. Ainda sem esquecer o dia anterior, imaginou que as palavras são como sal, que dão sabor à vida do leitor, mas também pode lhe doer a alma. A dor faz parte da vida de cada um, e o mais importante, serve de defesa do organismo. O que os escritores proporcionam aos leitores com seus textos, através das palavras, que servem, em especial, para “jogar sal na ferida”. A carne que vai ser tratada, ou ferida pelo sal. Assim como há as doces palavras, que encantam a alma.

                E de nada vale uma montanha de sal, quando apenas uma pitada é necessária. A pessoa vai comer o bife, não importa o brilho que emana dos saleiros, ou das salinas, que têm o tom de frieza.  E o frio comércio das  palavras, o que revela aquela montanha de livros, que ela via como uma montanha de sal. Um dos chamados escritores malditos, desses que atiçam os leitores a sentirem dor, um autor premiado, se empenha para levar a dor ao leitor. Mas não importa o brilho da montanha de sal nas salinas, como a dos livros nas livrarias, se não há a experiência do amor e da dor, o tom vai ser sempre gelado. E como quiz  dizer o poeta Olavo Bilac, só as almas sensíveis são capazes de ouvir e entender estrelas.

 


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Pot-Pourri Banda Cover (Full COVER 16:32) - Rivers of Babylon, Sugar Sug...

 



 REPUBLICAÇÃO

                                             RECADO PARA A IRMÃ

 

IRMÃS VAMPIRAS

             Ela confessa para a irmã. Quando éramos jovens, por curiosidade eu te seguia de longe,  te via sem saber o que se passava contigo, vivias com nossa avó materna. E porque não estivemos perto uma da outra, eu desconfiava de ti, e tuas amigas católicas, enquanto as minhas eram protestantes, e se tramei contra ti, peço que me perdoes. De repente eu me perguntava: "Para onde será que foi aquela minha irmã mais velha? Hoje sei que não estavas a passeio em outras terras, mas tentavas construir teu futuro. E retornaste para casa antes de alcançares teu intento, a saudade mata, inclusive, as ambições. Daí foi eu que parti, também por pouco tempo, mas se foi a oportunidade de termos uma convivência mais estreita. Já estavas casada.

             Tinha o jardim da casa da avó, e era para onde todos queriam ir, só tu moravas ali, mas sei que ela vivia ocupada com suas encomendas de doces, precisou trabalhar depois de perder o marido tão cedo. Eu ia lá em visita de médico, entrava e sai rapidinho, só dava uma espiada básica. Te via estudando, foi quando notei ao teu lado aquela cobiçada caixa de lápis de cor, do que nunca me esquci. Não parava de ir da minha casa para a casa da tia, e também ia à casa dessa avó. Tinha ainda a casa de uma amiga, que era como irmã, onde me sentia em casa na casa dela, e ela na minha. Tuas amigas também gente boa de verdade. E o silêncio que se estendia sobre as coisas horrorosas que aconteciam. 

             Findos os ciúmes, as desconfianças mútas,  eu declaro meu amor por ti, e te chamo, minha irmã. Vem depressa, vem contente, que eu também posso ir correndo ao teu encontro. Não precisas fazer nada, dizer nada. Vem com calma, vem com tua doce presença. Sei que isso pode acontecer, pois estamos vivas, graças a Deus.

               Irmã vampiras, nós? Não, carismáticas, com certeza!