MORRE AOS 99 ANOS O PRÍNCIPE PHILIP.
A RAINHA ELIZABETH II REVELA:
"ELE ERA A MINHA FORÇA"
CRÔNICA
DO MODO QUE SE COME
Há mudanças nos costumes a cada geração, as pessoas com suas eternas perdas e seus pontuais ganhos. Assim como acontece com a natureza, em processo de morte e renovação. As transformações do ser humano que continua o mesmo com sua precária vida e soberba imaginação. E bota precariedade e soberba nisso. Mesmo que haja o consenso sobre
o que seja bom e ruim, e se possa educar os hábitos, adquirir bons costumes. O padrão de beleza, por exemplo, que no passado prestigiava a
fartura de carnes, mudou para a atual estética da magreza, até o extremo da
anorexia. Quando o que se deve é cuidar da saúde, ter boa alimentação, estar atento ao que se consome, para ter uma vida saudável, o que aprendemos a valorizar depois dessa pandemia.
A geração dos anos cinquenta lia Monteiro Lobato, deleitada com suas histórias, e tinha uma fantástica infância, mesmo sem a fartura de alimentos, e o Visconde Sabugosa era magro, magérrimo, mas sabido que só ele... Foi a geração do Biotônico Fontoura, produto, sabe-se hoje, que provoca perda do apetite. Tinha também o Postazen, responsável pela obesidade de muita gente, até ser banido das prateleiras das farmácias. Os remédios para compensar a escassez de alimentos, e ainda criar as gordurinhas, tão apreciadas. Mas lembro minha avó lá em casa a repudiar tais medicamentos, e falar sempre que a boa alimentação é o melhor remédio para a saúde, o mais importante de tudo.
Outra geração, dos anos setenta, dessa feita leitora de O Tesouro da Juventude, que refletia o espírito da época, cuja meta era avançar a todo vapor na ciência e tecnologia. Tudo bem, mas o progresso, o que propiciou além do conforto de se estar livre de certas doenças? Trouxe a ilusão de que consumir era o ideal de vida, principalmente comer e comer, a mesa farta de produtos industrializados, o que tornou-se sinônimo de progresso, de riqueza. Sem mais aquela escassez de alimentos do passado, com a produção em grande escala no campo e nas fábricas.
Do modo que se come, ou se consome, se vive, ou seja, bem ou mal.
Nada contra a produção para o consumo de bilhões de habitantes, sem descuidar da preservação do ambiente. Mas o problema é a ânsia consumista de crianças e jovens, que acompanham os adultos em sua comilança. Ou então na sua falta de apetite, o que é também um problema. Hoje sobra comida em muitos lares, e faltar o alimento básico em outros tantos. Também é comum faltar envolvimento afetivo, o essencial amor, por se estar envolvido por demais na satisfação pessoal. É evidente que o homem moderno, de modo geral, ama errado, vive errado, sofre errado. Empanturrado de comida e também de artefatos de toda espécie, mas que requer educação, para conduzir sua vida com sabedoria, e menor estresse. Época de pandemia, que faz sofrer, mas ensina, que o maior esforço deva ser em prol do bem estar de todos, navegantes dessa mesma vida.
SEMANA DA PÁSCOA
SERMÃO DA PÁSCOA
Murilo Moreira Veras
Ó homem da Terra, o que pensas da Páscoa?
O que pensas sobre o Itinerário da Paixão e Morte
do Salvador?
Quem é Ele, o Mestre, aquele que caminhou pela
Palestina, o que fez,
o que realizou, que mensagem transmitiu ao
Mundo,
por que o Mundo não O aceitou?
No Sermão da Montanha Ele iluminou o Mundo
com palavras de Justiça, Paz,
Amor, Perdão e Misericórdia
convertendo uma multidão desprezada.
Transfigurou a água em vinho nas Bodas de Caná,
perdoou à adúltera, fez pescadores Seus discípulos,
em vez de eruditos e grandes pensadores.
Curou leprosos e reacendeu a Fé e a Esperança
no coração dos aflitos.
Foi tentado pelo demônio, que lhe prometeu
riquezas se o adorasse.
Mas — Messias e Salvador —, sofreu o desprezo
da cúpula dos fariseus,
os homens da justiça e a justiça dos homens
açoitaram-NO, apedrejaram-NO e condenaram-NO
à morte na Cruz.
Senhor — por que morreste na Cruz?
Por que tanta ignomínia?
Os homens não acreditaram em Ti:
“Deus, ó Deus, por que me abandonaste?”
Ó seres humanos de pouca fé!
Raça de víboras, por que escondes em máscaras
a magnitude do Amor e da Fé?
Ó senhores que pretendem dominar o Mundo,
que demandas as Estrelas, mas rastejas pelo chão.
Desperta desse teu sono de Morte,
sai da Caverna e alça teus pés e teus olhos
para a Luz.
Ouve as palavras do Mestre, enquanto é tempo.
Eleva teus olhos à Cruz e verás a Redenção.
Sente as chagas doloridas de Jesus.
Ele sofreu por ti, Ele te redimiu e a teus irmãos.
O que fazes de tua vida?
Por que aniquilas os teus sonhos,
choras por tua sina inútil?
— O’ coração empedernido!
Os sinos já ressoam no limiar da Vida
O Universo todo rejubila,
miríade de estrelas lucilam nas galáxias.
Uma plêiade celeste de Anjos e Arcanjos
uníssonos, entoam hinos e louvores:
Hosana! Hosana nas alturas:
— Jesus ressuscitou!
Bsb, 28.03.21
FILME
UM FILME DINAMARQUÊS
“Há algo de podre no reino da Dinamarca” palavras de Shakespeare na peça Hamlet o que em parte se confirma no filme Druk—Mais Uma Rodada, concorrente ao Oscar 2020 nas categorias direção e filme internacional. O enredo conta a história de quatro amigos de meia-idade, professores de uma escola em Copenhague. Inicia com o protagonista Martin (Mads Mikkelson) assistindo apático a bagunça na sala de aula. Os alunos conversam, sem dar atenção ao professor, e um deles revela, às gargalhadas, o muito que bebe. A bebida alcoólica consumida livremente pela juventude na Dinamarca. E sabe-se, de longa data, do individualismo que voga nos países nórdicos.
Na atualidade a ciência capaz de revelar os mais difíceis segredos, e sendo assim, um dos professores fala aos demais sobre uma teoria científica de que os seres humanos têm menos álcool no sangue que o ideal, e que o equilibro neuroquímico seria mais satisfatório se fosse aumentado em 0,05 mg. Incita os demais a fazerem uma experiência, bebendo durante o dia e medindo o nível de álcool no sangue. Aceito o desafio, dessa forma vão quebrar as regras da boa conduta, de não beber no trabalho, nem chegar em casa aos trancos. O filme, de início tedioso, o que tem a ver com os personagens em o estágio de desânimo com a profissão, também quanto à vida familiar de cada um. Uma contradição nas sociedades modernas, bem financeiramente, o Governo a assegurar conforto e segurança a seus membros. Os professores bem pagos, disso ninguém pode se queixar.
Os professores de meia-idade consideradas ultrapassadas, e tornam-se desmotivadas para continuar, enquanto a moçada acha que pode tudo, mas sem fé, até em si mesma. E não apenas no reino da Dinamarca. Os novos tempos de descrença generalizada. Os pais presos a compromissos, que não lhes dão bom retorno, com filhos adolescentes cheios de exigência e rebeldes, e os menores consumindo a pouca paciência que resta aos adultos. Difícil suportar esse cotidiano. E é como um maná caído do céu que o álcool entra na vida dos quatro professores de Durk, numa experiência com a bebida, que os torna livres, leves e soltos. Martin vai ter aquela boa atuação na cama com a mulher, o que já não acontecia há muito tempo. Todos transportados para um estado de euforia, mas logo vão precisar aumentar a doses de álcool. Problemática essa busca através da bebida e das drogas. Pessoas de todas as idades em estado que beira à ruína.
Todavia, prazer e realização é o que desfruta o cineasta Thomas Vinterberg, juntamente com os atores contratados para atuarem em seus filmes. O elenco sempre fixo, constituído de bons atores, que também são amigos de muito tempo do diretor, para os quais escreve seus roteiros. O cinema é pequeno na Dinamarca, diretor e atores de Durk realizados profissionalmente, através da arte, o que repercutir na vida pessoal de cada um. Acontece também com os professores respeitados pelos alunos, interessados em aprender. Conclui-se que na Dinamarca, como em outro qualquer país, as pessoas são passíveis de se frustrar, sem algo maior que sustente a ânsia de transcendência, própria do ser humano, que necessita, em especial, da presença de Deus em suas vidas.
O perigo da bebida ser utilizada como panaceia. Diga-se que o alcoolismo é uma doença, mas que tem cura, em
especial junto aos AA, com chance de sucesso. No final, o ator Mikkelson,
que foi bailarino, dança entre seus alunos recém-formados e pacificados, numa
demonstração do quanto é fundamental as pessoas se sentirem bem consigo mesma, e possam
transmitir isso aos demais. E mesmo que nem tudo seja flores, há muito de de positivo nos reinos da Dinamarca,
Suécia e Holanda, países produtoras do filme Durk, Merece o Oscar?.