segunda-feira, 2 de dezembro de 2019






                                     ATENÇÃO PLENA







            Iniciar e terminar o dia em oração ensina a igreja a seus fies. Sabe-se, hoje, através da ciência, que as palavras de fé, além do conforto espiritual que proporcionam, são exercícios de liberação mental. A maneira correta das pessoas religiosas começarem o dia é com a mente focada na oração. O poder que têm as palavras de fé.

       Ao acordar a tendência é que entre em nossa mente ocorrências indesejáveis que passaram, além da preocupação com as tarefas do dia. Em vez disso, liberar a mente, o que podemos fazer através da oração, atentamente pronunciadas, se somos religiosos. para esquecer o dia estressante que passou, e evita antecipar os acontecimentos do dia que inicia.

       Orando, no mínimo, treinamos nosso cérebro para a concentração. Mas, em especial, acumulamos energia espiritual. Pode se equiparar à técnica moderna de mindfulness (atenção plena) de inspirar e expirar corretamente, com a atenção focada no exercício. É importante começarmos o dia com a mente leve, e não pesada, que possa nos estressar. 

      Uma reação negativa diante dos problemas vividos e os vindouros podem estragar um dia promissor, ao liberarmos cortisol, o hormônio do estresse, em nossa corrente sanguínea. Ninguém quer isso, não é mesmo?

       Orar e respirar corretamente evita que a negatividade tome conta da mente. Acontece com quem não se preparara corretamente para ter um bom e eficiente dia. Mas se queremos ter um dia pouco agradável e produtivo é bom se preparar. O bem-estar pessoal e a eficiência de quem se prepara acertadamente para o dia que vai ter, assim que puser os pés para fora da cama, e que seja com o pé direito. 

     O dia a dia requer atenção e boa disposição, para bem interagir com a família, na escola, no trabalho. E o quanto a pessoa ganha em eficiência ao associar concentração mental à habilidade técnica. 


domingo, 1 de dezembro de 2019







conto

                         CONVERSA DE IRMÃOS





Da Luz via sua irmã mais velha sempre apressada, um dia falou-lhe:

— Da Paz, você corre o tempo todo de um lado para outro. Se eu tenho pressa na vida, é para ficar quieta dando asas à imaginação.

—Verdade, mana, você é a calma em pessoa, mas penso que deve arder por dentro, o que acontece com as pessoas imaginativas, não é mesmo?

— Sim, e não. Sinto prazer em pensar e gosto de escrever, e na minha idade, assunto não me falta. Sem medo de ser criticada coloco para fora as  lembranças, dúvidas, dores e alegrias. Criar é tão gratificante, sem ambição de estourar como escritora. Não tenho alma de artista, guardada as devidas proporções, como  diz  o filósofo C.K Chesterton, “o artista pode ser comparado a terrorista, que joga uma bomba, pois prefere um grande momento, a todo o resto”.

A irmã, por parte de pai, de Maria da Luz continuou a questionar:

—Embora tenhamos afinidades, somos diferentes em algumas coisas. Não sou propensa a devaneios.  Tenho dificuldade em pôr para fora meus sentimentos, e vejo você, minha irmã, ri e chora com uma facilidade incrível. Difícil alguém me ver às gargalhadas ou banhada em lágrimas.

—Já reparei, Da Paz, que você é igual a tia Elza. Nunca vi essa tia demonstrar sua tristeza, nem alegria, mesmo que haja motivo. Sempre altiva e ativa, médica dedicada,  profissão que requer certa frieza. 

Naquele mesmo dia o irmão mais velho chegou perto das irmãs, querendo surpreendê-las, a ponto de assustá-la. Antes de dizer a que vinha, perguntou-lhes:

—Como vocês estão, Maria e Maria? Fiquei curioso com a conversa das duas. Maria da Paz respondeu:

—Vamos bem, obrigado, como sempre. Agora mesmo encontrei Maria da Luz absorta em seus pensamentos. Pensar, no mínimo, ajuda a passar o tempo, faz o mundo parecer menos árido, e vida parecer mais interessante. Mas não tenho paciência para ficar imaginando que a terra é plana, em vez de redonda, por exemplo.

Sem mais delongas o irmão falou:

— A propósito, tenho uma incumbência para vocês, quero que uma das duas fale com sua cunhada, para que ela deixe de se preocupar, eu não vou mais chegar atrasado para o jantar. Meus amigos que arrumem pretexto para ficar longe de casa. Ainda com perigo de me deixar levar pelo prazer da bebida, tenho que parar. Sinto remorso desde que Helena caiu e quase morreu. Fiquei com uma pergunta engasgada: “Se minha companheira desaparecer, o que será de mim? Ficaria muito solitário, e não tenho dom para a solidão”. Da Luz rapidamente respondeu:

— Mano, você parece que está com pena de si mesmo, e menos preocupado com sua mulher. A solidão é dura, mas a gente se acostuma. Pior é o remorso pelo mal que se faz, isso para quem tem sentimento. A falta de atenção, principalmente a bebida, já destruiu muitos lares, faz sofrer a família. Vamos, sim, falar com sua mulher. Podemos acreditar em sua promessa?

O irmão ficou calado, enquanto Da Luz dava asas a sua imaginação: “Nada como um dia após o outro... Ia criar uma linda história de amor para o casal, que fosse verossímil”.





            CADA  CABEÇA,  UMA  SENTENÇA







O cérebro tem um poder extraordinário, regula todo o funcionamento do nosso corpo, e nos faz pensar. Um órgão sensorial pequeno e frágil, de uso sistemático, com objetivos físicos e mentais específicos. Seu poder de percepção é limitado pelos demais órgãos: da audição, visão, tato. Querer expandir a capacidade neural do cérebro pode lhe causar danos irreversíveis. E se houver uso artificial, através de substâncias alucinógenas pode até destruí-lo por completo. Cada cabeça, uma sentença, que pode ser de morte.

Produzimos no nosso corpo substâncias reguladoras do humor, que é a serotonina, a dopamina, anfetamina, cujo equilíbrio pode ser alterado por doenças e traumas, que fazem baixar seus níveis. Foram descobertas substâncias que tratam de corrigir os males decorrentes de eventuais acidentes, com seu uso e tempo determinado.  Em contrapartida, viabilizou-se o acesso a substâncias que, em vez de regular, desregula o funcionamento cerebral. Perigosos e destrutivos produtos, criados com a finalidade de abrir as portas da percepção, e elevar os novos níveis sensoriais, que seduz muita gente .

A mente humana é para ser usada como uma corrente de água, que produz energia quando devidamente represada. Comportas que se abrem normalmente, através de estímulos da inteligência, do entendimento, da razão, do sentimento. A fértil mente humana, todavia, inventou modos de usar droga para elevar a sensação de prazer. Tomou conta da moçada endinheirada e dos demais frequentadores de balada. E há tempos que a moda de consumir essa ou aquela droga serve para identificar uma cultura. Drogas falsificadas e letais são vendidas para todas as camadas sociais, um desastre, não só pessoal, mas para a saúde pública.

O dinheiro por trás dessa diversão enganosa, calamitosa, desastrosa.  

simulação de um super computador