terça-feira, 9 de novembro de 2021

 


 

 

                                                                LUTO

 



 

Examinemos o objetivo primordial da arte, que seria o de transmitir os mais elevados sentimentos, o que a humanidade atingiu em sua consciência religiosa, a exemplo das extraordinárias composições de Johan Sebastian Bach. O conteúdo infinitamente diversificado e profundo da arte clássica, da beleza artística em todas as suas formas. A arte tornou-se extravagante e pouco clara, deixou  de ser sincera, ficou artificial, cerebral, de conteúdo empobrecido, para fins de produto de consumo. Tudo isso para atingir mais facilmente as pessoas, que passam a  experimentar sentimentos deturpados. Modo pelo qual muitas crianças e adolescentes vivenciam fortes sentimentos, de forma distorcida.  

A busca por um sentimento inteiramente novo tem efeito forte  em todas as faixas de idade. Mas nem tão novas são as emoções que transmitem  as atuais músicas, e seus autores, na busca por atingir o público jovem, cantam dores que na verdade desconhecem. Marília Mendonça, uma jovem mulher, “mal saída dos cueiros”, como se dizia tempos atrás, era conhecida como Rainha da Sofrência. Sua morte prematura deixa uma legião de fãs na dor do abandono. E ainda que desconhecida por parte considerável da população, a cantora e compositora fez o país sofrer de verdade após a divulgação da queda do avião, que a levava para uma apresentação na cidade mineira de Caratinga. Aos 26 anos Maria Mendonça dava continuidade a um talento musical, que iniciou aos 12 anos. Inacreditável ver o pequeno avião caído sobre as pedras de uma cachoeira, próxima da pista de aterrissagem.  

Deus guarde a alma de Marília Mendonça.

 


segunda-feira, 8 de novembro de 2021

 


                                 MEU TIO JÕAO





 

Meu tio João era engraçado, tinha sempre alguma história para contar, e acho que rir para ele seria uma saída para as horas de tédio, ou algo assim. Década de cinquenta, os habitantes de S. Luís, na quase totalidade, estavam nas ruas para acompanhar em procissão a imagem de N. Senhora de Fátima, vinda de Portugal, que visitava o Brasil pela primeira vez e estava na capital maranhense, um grande acontecimento.  Findo o evento, todos em casa reunidos comentavam o sucesso do acontecimento religioso que emocionou a cidade, encheu os corações de fé e esperança, só comparável à visita do papa João Paulo II, décadas depois. O tio  era um católico relapso, como o mesmo dizia, mas estava presente naquele dia memorável, assim com os demais membros da família. Contou então que ao seu lado iam duas senhoras contrita acompanhando a reza, até que começaram a reclamar dos empurrões, da falta de educação dos presentes àquele acontecimento especial de devoção, merecedor de maior respeito dos maranhenses. De repente, uma das senhoras foi empurrada e caiu sobre a outra, que revidou revoltada: “Você também, Camélia,...que tal, que bruta!”

A gargalhada foi geral.  


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Katarzyna i Mateusz Pierwszy taniec

 


                                      TEMPO DE NOS SALVAR

 




         No mundo contemporâneo há uma inusitada obsessão por qualquer coisa, “causa”, certamente para suprir o vazio, que já faz parte da atual vida estressante, de busca insensata.  Não chegamos ao paraíso, perdido faz tempo, ao contrário, estamos em um estágio de abandono e tédio. Um materialismo arrogante suga tudo, em troca de grande insatisfação. Esse dito homem moderno, ambicioso e ansioso, já ultrapassou os limites do bom senso, mesmo tendo alcançado alto nível de progresso material, e frustrações, nunca antes experimentadas.

        No momento, os líderes das nações desenvolvidas estão reunidos para o G20 em Roma. As tratativas sobre o aquecimento global e a destruição do planeta, com vista a salvá-lo, e a nós humanos, enquanto é tempo. As promessas são pífias, e nem sempre cumpridas. O Vaticano, sede de uma religião milenar, ali perto, aponta um sentido para a vida, uma versão benigna do estado de bem-estar de felicidade, com pessoas em busca de alento na família e na profundidade religiosa. Diferente da superficialidade e intensidade contemporâneas. O mundo hoje superpovoado, com gente dedicada ao consumo de coisas e mais coisas, numa compulsão. A espiritualidade consumida modernamente como um produto qualquer, comercializado com má-fé. 

       Bem verdade que as mulheres são hoje mais valorizadas, diga-se, mais como profissionais competentes, e menos como mães. E o que se vê é uma gente frustrada, as mulheres no desejo de terem ao menos um filho, para que não esqueçam quem são, e já esquecidas. Os homens sem muito empenho em fecundar as mulheres, para não se comprometerem, nem tirá-las do mercado de trabalho. A vida instável e estéril. E apesar das feministas, ou por conta delas, o mundo continua machista. A culpa  vem lá de trás, quando a mulher era mantida em casa, procriando sem parar, em vez de fértil na medida certa, o que disse o papa Francisco em sua visita a Tailândia.

          O tanto que a mulher se empenhou para povoar o mundo, e havia chegado o momento de libertação. A visão real diferente da visão ideológica, inclusive no sentido da procriação. Os futuros pais convictos dos filhos que querem ter, em vez de tratarem da simples sobrevivência da espécie. Reduzir a prole a níveis compatíveis com a oferta de bens disponíveis na natureza para serem consumidos. Mas aceitar a realidade requer maturidade. Rapazes de tão boa compleição física, adquirida à custa de muita vitamina e também nas academias, e o há é uma certa desconfiança pelo que são de verdade, acrescidos do preconceito que têm para com os mais velhos.

         Foi nos anos 60 que surgiu a ideia de que os jovens iam inventar um mundo melhor, mas o que surgiu foi uma geração de retardados mentais em termos morais. Hoje um grande contingente de jovens, que não tiram os olhos da tela do celular, onde o que mais se vê é uma exposição de vaidade. Homens e mulheres pouco dispostos a contribuírem de verdade para um mundo melhor  - ou seja, o mundo possível segundo Leibniz.

          A formação é que nos define. Não nascemos prontos, em cada pessoa um potencial evolutivo, e o livre arbítrio, para seguir em direção ao conhecimento, à sabedoria, e não se tornem retardados mentais. E sejam todos cumpridores dos claros desígnios de Deus, gravada na alma imortal a consciência humana do que é certo e errado. E em sua honra o mundo possa gozar da almejada paz e prosperidade para todos, na harmonia pessoal e social. Com respeito e sem preconceito.     


terça-feira, 2 de novembro de 2021

 

FINADOS

                                                           

 

                                   
                                    RELIGIOSIDADE

 





        Há mistérios no universo sondáveis, e também os que não se pode de todo desvendar. Pulsa a vida no planeta terra, com o fascinante ser humano, de tão vasta e complexa biologia e psicologia. E mesmo que seja audaz essa   sua mente, dita racional, pouco o homem conhece o que há por trás de tudo que vê diante dos olhos, que sente, e ainda mais o que está fora desse sua limitada percepção. Benigna e maldosa racionalidade, que através dos sentidos tem desvendado muita coisa. E muito ignora o homem com suas limitações sensoriais, até mesmo o confunde com sua astúcia mental. Confuso seu inconsciente, e pouco adianta querer invadi-lo, os resultados são pífios, até mesmo desastrosos.

         O ser diferenciado que somos,  possuidor de uma mente, que se instrui pelo conhecimento, e também dono de uma alma, que se forma ao longo da vida. Bom demais contarmos com a fé religiosa, que tem Deus como autoridade suprema, atualmente, com a missão de preservar o homem dos ataques da sua razão materialista.   Benigna e santa religião que nos faz vivenciar da melhor forma os anseios da alma, e se curem as dores do coração. E não se perca a inocência aos avanços da racionalidade, que procura dominar por completo a mente. E pior, tenta dar sentido à vida através da satisfação dos desejos.

        O maior bem da criação somos nós, a depender de como cada um se  conduz. Até a plena realização da condição humana, no que ela tem de sutil, de imperceptível, além da vida material. Há descobertas científicas com a pretensão de ignorar tempos férteis da inteligência, com foco na espiritualidade. Uma feliz infância, quando éramos mais felizes, o que agora sabemos, com uma fé que acompanhou o homem até aqui, mostrou-lhe a verdadeira humanidade, civilizou-o, para que atravessasse a existência com dignidade.

        Carta de navegação, bússola, farol, para guiar o navegante nesse mar de complexidade que é o mundo, assim é a religião. Oferece instrumentos para que se tenha consciência da maravilha que é o plano de Deus, ou seja, a realização plena do ser. Amar incondicionalmente tudo que lhe cerca, em especial, ir ao encontro de si mesmo, na certeza de que o sentido da vida é único.  Da maior importância, manter-se o homem atento, ligado, “conectado”, não apenas no sentido moderno da palavra. Verdade que as melhores condições de uma vida feliz têm os que perseveraram na fé, que aprenderam em criança com a família e em colégios religiosos. No respeito para com a Vida, tendo fé, esperança e caridade. Deus no comando.

 

 



domingo, 31 de outubro de 2021

 


   
                                          DOIS BRUXOS MARAVILHOSOS!