sexta-feira, 4 de julho de 2014




                             IMAGINA NAS OLIMPÍADAS

                

          O momento exige que sejamos otimistas, no mínimo, por caridade, ou melhor, tenhamos respeito para com aqueles que lutaram e lutam ainda por um mundo melhor, que ainda mantêm sonhos e esperam realizá-los, é o mea culpa que faço aqui. O tanto que se vê de coisas ruins que temos a tendência de nos deixarmos levar pelo pessimismo. Sou de um tempo em que a gente acreditava em um mundo cada vez melhor, e de repente nos vemos com pouca confiança no presente e muito desconfiados quanto ao futuro. Não seria questão da idade, quando vemos os jovens hoje, mais que pessimistas, apocalípticos. Só que a visão dos mais velhos é diferente dessa moçada, os mascarados em especial, com seu poder de destruição. No momento, todos os brasileiros na maior felicidade com o sucesso da Copa em nosso país, onde acontece um espetáculo esportivo da melhor qualidade, em estádios maravilhosos, deixando todo mundo de boca aberta.      
            O brasileiro é elogiado como um povo alegre e hospitaleiro, o que os estrangeiros não se cansam de falar. “Por fora é bela viola, por dentro pão bolorento” é a nossa realidade? Em Minas Gerais um viaduto, às vésperas de ser entregue, e com atraso, acaba de desabar matando duas pessoas e ferindo mais duas dezenas, o que confirma o pessimismo para com as obras superfaturadas e de qualidade duvidosa. No exterior a imprensa já fala que tudo isso é por conta da corrupção que envolve o evento, com os desvios de verbas. País de políticos que gosta mesmo é de distribuir benesses com o dinheiro alheio, o que sobra das roubalheiras. Quanto à Seleção brasileira, se ela ganhar, já podem imaginar o que vão dizer, que foi roubalheira. Imaginamos o fracasso que seria a Copa, é deu em sucesso, agora o “imagina na Olimpíada” tem outra conotação, otimista, diferente do “imagina na Copa”. Só que o otimismo se circunscreve aos eventos em si, logo teremos uma presidente reeleita, continuando a fazer o que quer e os patriotas de plantão reclamando. Quanto aos outros, o que querem é ver o circo pegar fogo.


quinta-feira, 3 de julho de 2014




                        O NÓ CEGO NA CIVILIZAÇÃO
        

      




  A competição faz parte do mundo moderno, mas chegamos a um tal ponto de estresse que começam a cair vítimas para todo lado. Ninguém se espante, pode não sobrar pedra sobre pedra, em nossa casa, no país, no mundo. Inteligência não falta, nem disposição, tanto para construir, quanto para destruir o que se encontra pela frente. Uma involução nos costumes, do civilizado para a barbárie. Querer ter sucesso a qualquer custo, quão dramática é essa situação. Nós outros temos que aprender a reagir às investidas de quem quer nos apanhar no laço, seja quem for, que venha com más intensões, é só prestar atenção. Também de boas intensões o inferno está cheio.
  
  Algumas pessoas estão nesse dilema da competição, querem que os outros paguem por esse ou aquele insucesso que tenham. É gente que pauta sua vida pela dos outros, vê inimigo em toda parte, e pode ter mesmo, às vezes, de forma totalmente absurda. Tem sempre alguma coisa a desencadear a inveja, ou o desejo de desforra no outro, daí surgem os bode-expiatórios. Mesmo bem sucedidos, não admitem qualquer sombra. Geralmente as vítimas estão por perto, alguém tem que pagar por qualquer afronta nesse sentido, quando então se arregimenta a vingança, que esconde outras intenções. A Grande Guerra começou assim.  
   
       Sentir culpa por tudo, sem se dar conta de que pode ficar enredado numa teia, acontece com os bons. Mas parece que ninguém é inocente nessa briga. Ah, tempos difíceis de viver, onde é quase impossível experimentar a paz duradoura. Está aí o nó cego do nosso mundo, dito civilizado, não pela competição em si, que pode ser justa, haja vista a competição esportiva e outras mais. Mas a inveja, o ciúme, as duras incompreensões acabam por destruir a felicidade, inclusive no esporte. Em maiores proporções acontece com as nações, e não é por nada que temos na igreja católica Nossa Senhora Desatadora dos Nós, a quem recorrer. Cresce o número de pessoas que se acham o máximo, querem todas as atenções, pensam ser donas de todos os direitos, são mestras nas armações.
 

quarta-feira, 2 de julho de 2014






                         
                                 MAIOR RIQUEZA - A PAZ
                            
                              



         

               Hoje considerado discurso ingênuo aquele que nos remete ao que é pacífico, doméstico, amoroso, da paz. O amor é tudo isso, que se conquista com o espírito compromissado em ser feliz, o que seria, em princípio, ausência de infelicidade, por uma vida confortável livre de maiores tensões, discurso conservador, de direita. A paixão, ao contrário do amor, é revolucionária, e nada mais compensador para o ser passional do que estar apaixonado por alguém, ou mesmo alguma causa ou coisa. A tentação que é se sentir vitorioso, poderoso, coisa dos tempos modernos. Provocador, esse discurso de esquerda acende rivalidades, tensões, de quem compete até com a própria sombra, e acaba por transgredir. Nem sempre temos de concordar com tudo. A busca sensata seria por uma vida em que se possa gozar de bem-estar, contando com a segurança de ser quem somos, e que os outros também assim procedam, dentro da ética, do comportamento adequado ao convívio social. Típico da alma amorosa - santa, porque não? De direita ou esquerda, sermos conscientes do nosso papel na família e na sociedade em que vivemos. Simples assim.
          
            Ter orgulho, não do muito que se tem em termos materiais, mas por ser alguém digno de merecer a confiança daqueles que nos amam, dos que convivem conosco. O bom conceito conquistado no meio em que se vive é a maior riqueza, ou pouco mais que isso. Sem que valha a pena ter preocupação com agradar quem quer que seja, apenas agir corretamente com consciência do que se faz, ou deixa de fazer. Entender o quanto a sociedade consumista é felina em criar toda sorte de armadilhas, democratiza coisas que não convém, e desqualifica outras essenciais para as pessoas se manterem no prumo. A tal mobilidade social, por exemplo, grande causadora de estresse, todos querendo estar no topo, uma falácia, pois não há altas posições para todos, nem tampouco riqueza. Todo mundo querendo ser ou parecer rico. No passado feio querer aparentar o que não era, hoje querer é poder. Queixam-se os que não se conformam com a falsidade, que permeia as relações sociais, mas existe, e não precisamos ser por demais sinceros, ou rudes em nossas relações.

  



                 NINGUÉM IMAGINAVA TANTO SUCESSO 

   
           


         Quedamo-nos espantados com a Copa que não ia acontecer, e está acontecendo com sucesso, uma quantidade imensa de brasileiros e estrangeiros animados com os jogos lotaram as espetaculares arenas erguidas nos sete cantos do país. Outros tantos torcedores espalhados pelas cidades-cede, em festa nas ruas. Os estrangeiros contagiados pela alegria e hospitalidade dos brasileiros, o que eles não cansam de elogiar. Autoridades mundiais e majestades, outras tantas celebridades, apontam nas alas reservadas para a elite tupiniquim e internacional. Lembramos o sucesso da Jornada Mundial da juventude em 2013, quando acorreram para nosso país jovens de todas as nacionalidades, recebendo acolhida alegre e fraterna dos brasileiros, como acontece agora. Nenhum incidente em vários dias com a presença do papa Francisco, a merecer os maiores elogios de todo o mundo. No caso católico, ressalte-se o trabalho heroico da igreja para realizar o evento, sem auxílio do governo, contando apenas com recursos próprios da igreja e da boa vontade dos muitos adeptos da fé, que une as pessoas e nações, assim como acontece com o esporte. E só temos que nos regozijar com esses congraçamentos no nosso país, para promoção do ser humano na direção do bem, importante para o mundo em que vivemos, tão conturbado por dissidências de toda ordem. Agora mesmo, no dia 4 de julho, dia em que o Brasil vai enfrentar a Colômbia, é lembrado os 100 anos do início da Grande Guerra, da qual o nosso país não participou, mas lembra do conflito, que mudou a face do mundo. A destruição que é a guerra, tantos os mortos e feridos, o oposto do ocorre nos gramados das belas arenas brasileiras. O futebol que tem o mata-mata, mas ninguém morre, a disputa apenas para ver quem joga melhor naquele momento. As regras rígidas, a que todos têm de obedecer, ou serão expulsos do jogo, sofrer punições de acordo com a gravidade da falta, para isso tem o juiz, que examina cada jogada, agora com o auxílio da tecnologia. 

         A Fifa rebatizou nossos estádios de futebol, que passaram a se chamar arenas, numa mudança de espírito da Grécia para Roma. Estariam ali homens mais em clima de luta, que tem seus heróis. A paixão que comanda as ações humanas, também a truculência, a exemplo do jogador do Uruguai, que mordeu o opositor num acesso de raiva premeditada. Truculência  também no caso da vaia à presidente Dilma, um desrespeito sem tamanho, nem a ocasião era apropriada. Vaia da elite que se apropriou do futebol para fazer festa, que seria do povo, o que mais se falou sobre o incidente. Quer sejam ambas justa ou não, as vaias e a apropriação, o certo é que nem tudo merece palmas, nem é questão para vaias. Se há descontentamento com a presidente, se houve desvio de dinheiro, é só apurar o roubo e tratar de escolher o candidato certo na eleição que vem aí. Antes aplaudir as seleções, até vaiar os jogadores do time contrário, sem esquecer o espírito esportivo, sem descuidar que estão ali profissionais, jovens ainda, daí os constantes choros dos brasileiros, que sentem o peso da responsabilidade, das expectativas neles depositadas. Apesar de tudo, muito bom que a Copa esteja acontecendo no Brasil, mesmo com os enormes gastos, em detrimento que outras prioridades. Contanto que o governo não se aproprie do sucesso nos gramados, o que não acontece no campo da política.







quinta-feira, 26 de junho de 2014

JMJ 28/07/2013 - Flash Mob




                             

                     O SILÊNCIO DAS INOCENTES
            



A Copa trouxe à baila o problema do turismo sexual no Brasil, o país acusado de favorecer tal estado de coisa, com as propagandas em que aparecem mulheres com pouca roupa, as “popozudas”, para promoverem os pontos turísticos e ofertas de algo mais. Claras as intenções, ou, no mínimo, duvidosas. Com a vinda em massa de turistas para a Copa, na maioria homens, a coisa ganhou maior proporção. Saiu a notícia que o governo havia instituído a bolsa prostituição, no valor de 2000 reais, para que as garotas se apresentassem melhor, uma maneira de minimizar a situação, em vez de tentar coibir tais práticas. É assim que se resolve o problema no país: “Se pagar bem que problema tem?”  Luciano Huck  teria aconselhado através de post na rede social que as moças aproveitassem a Copa para arrumar namorado estrangeiro, e muitos brasileiros estão se passando por gringos para faturar alguma dessas oferecidas ao mercado do sexo. Depois das críticas furiosas que recebeu, o apresentador justificou-se, que a intenção era igual a do programa Namoro na TV, mas prontamente retirou a postagem da internet pela má repercussão, lógico.
           
            Vivemos momento delicado de mudança de costumes, as coisas não bem definidas  do que é certo e errado,  espécie de vale tudo. No passado recente as moças sofriam abusos, geralmente dentro da própria família, poucas as que não têm algo para contar nesse sentido, algum ataque, em casos extremos até expulsas de casa, tidas como responsáveis e não vítimas. O silêncio alimentava tal estado de coisa. Quem tinha coragem de acusar um pai de família? Seria pior para a vítima, por seduzir o homem, mesmo que ela fosse uma criança e ele um marmanjo de ficha suja?  Dentro do lar o homem era o todo poderoso. Era comum, pois, as moças passarem tais vexames. Aconteceu uma menina recém-chegada do interior ser tomada de pavor, ter um ataque de nervos ante um parente da família na casa onde ela foi morar e estudar. Reagiu, menos por coragem que por descontrole emocional, pois nem todas eram de ferro, para aguentar em silêncio uma coisa dessa. 
          
           De ferro ou de metal mais nobre, o ouro, o caso exemplar de Maria Goretti, elevada ao altar pela igreja católica, depois que foi morta defendendo sua pureza, com a graça que Deus lhe deu, e dá a cada uma, podem acreditar. Eram comuns no passado os ataques às moças que estivessem desacompanhadas, ou sem alguém de olho nelas para defendê-las de serem abusadas. Coisa de tempo de guerra, os horrores que aconteceram na Bósnia, mesmo que também aconteça na paz. Paz e segurança que nunca existiu, nem vai existir no nosso mundo cada vez mais perigoso, sem que haja leis duras para coibir as agressões à mulher.