segunda-feira, 28 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
PRIMAZIA OU
PARCERIA
O economista e escritor Eduardo Giannetti
em seu livro “Trópicos Utópicos” diz que os brasileiros estão culturalmente
divididos em miméticos e proféticos. Os miméticos ou imitadores, são aqueles
que sonham em cultura e comportamento nos moldes europeus, uma vez que o país
foi colonizado por portugueses. Os proféticos levam em consideração a geografia
e a peculiaridade da nossa formação,
onde se agregam as culturas europeia, africana e indígena. Sendo assim, ao se perquirir
no país sobre o futuro, surge a dúvida se deveríamos pensar a identidade nacional da forma imitativa, sem
sofrer pressão dessa ou daquela cultura específica, entender-nos com independência,
o que não significa estarmos apartados do resto do mundo.
Segundo Giannetti, somos um povo
imperfeito em sua miscigenação, como imperfeita é nossa ocidentalização. Certo
que temos de aprender a administrar nossas forças e fraquezas, como nação, para
que possamos caminhar em direção ao futuro com segurança e mais confiantes. O
Brasil tem grandeza territorial, o que pode ser confortável, desde que alarguemos
nossos horizontes. Nenhuma nação deve ser arredia, ou arvorar-se de superior. Muitos
dos conflitos deixariam de existir se os povos entendessem os benefícios da
aproximação, para aproveitar conjuntamente os avanços da modernidade. Os meios tecnológicos
disponíveis podem, sim, proporcionar uma vida melhor e em paz.
Qualquer nação, qualquer cultura, por mais
que se julgue avançada, erra ao pensar
que fica rebaixada ao deixar de lado a crença na primazia. Pensar em domínio nos
tempos atuais é demoníaco. Mesmo que haja diferenças entre as nações no sentido
de grandeza e riqueza, é importante reconhecer o valor que todas têm. As mais
avançadass, que ainda lutam pela supremacia, devem rever esse conceito, e olhar as
que sofrem com o atraso, para ajudá-las. As que são por demais retrógradas, podem
até rejeitar o conforto material, e optar por permanecerem atrasadas, mas que respeitem
as que pensam em bem estar.
Não há certeza absoluta sobre o nível de progresso
ideal, e parece que o céu é o limite. E inferno também. Um dito popular diz que
“gosto não se discute”, e sabemos que gostar ou não gostar tem mão dupla.
Melhor não optar pela tirania do gosto. O homem civilizado, de caráter refinado,
é o que se aprimora culturalmente, elegendo o respeito como atitude de bom
gosto. Sendo de péssimo gosto impor ao outro o seu próprio gosto, ou forçar a
conversão de quem quer que seja. Princípios rígidos quanto à justiça e
honestidade, bem como ter a mente respeitosa e solidária, confirmam nossa
identidade como seres humanos evoluídos, ou então irremediavelmente bárbaros.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
MISSÃO DE VIDA
Se temos olhos para ver, ouvidos para ouvir,
língua para falar, se temos razão e emoção, se podemos usufruir do sabor e da
beleza da vida, temos também a dor, tantas vezes causada pelo mal do qual somos
possuidores. Até chegarmos ao fim da
jornada, que é a morte. E nos perguntamos, afinal estamos aqui por que motivo?
Razão pode até não haver da nossa existência, mas a vida merece respeito. Devemos
guardar especial atenção pela vida, tomar como missão viver, sermos missionários,
para que o bem se perpetue em nós, na família, na sociedade, na nação, no mundo.
E dessa forma o mal não se instale.
Missão requer conversão. Como animais racionais
somos responsáveis por nossos atos. De posse do livre arbítrio o homem pode
agir para o bem e para o mal. O bem é afirmação
da vida, enquanto o mal é o contrário, sua negação. Dia após dia temos de estar
atento a nós e ao nosso espaço vital. Não basta estarmos vivos, mas, como seres
inteligentes cuidar de nós e da natureza, que nos compete preservar. Em
especial, preservar os valores espirituais. Não estamos sós, não somo
desvalidos, temos a consciência de Deus, que nos é dada pela fé, assim como
contamos com a cultura laica. Os preceitos religiosos, éticos, válido por século
e séculos.
Viver tem seus perigos - frágeis
criaturas que somos - por conta disso, requer aprendizagem e cuidados. Saber
que a contrapartida do prazer é o dever. Tudo tem, sim, uma contrapartida: muito
riso, pouco siso; muito sol, câncer; muito prazer, desgosto; e por aí vai. Podemos
fazer o que quiser, mas há muito a ganhar com a obediência, do contrário, amargar
o prejuízo pelo egoísmo e soberba. Quanto mais cedo atinarmos com nossas
responsabilidades melhor. O que a vida exige de nós é que sejamos leais a nós
mesmos, à nossa natureza humana. Não morrer antes de ter a felicidade de olhar par
si mesmo com serenidade e amor.
Ah, o amor! O amor compartilhado, que acontece,
em especial, quando a mãe vê o filho, feliz pelo novo ser, pelo milagre nela
realizado, sentimento que não é aleatório. Dizem que o bebê sorri para ver a
mãe sorrir de volta para ele, o prazer que existe com a presença da pessoa
amada. O florescer do amor, que jamais deve ser negado. Conquanto o instinto sexual
visa, tão somente, à preservação da espécie. E nunca se perca de vista que amar
e ser amado é o que dá sentido maior à existência humana.
O amor é eterno, e de modo especial
homenageamos nesse 2 de novembro, Dia de Finados, todos aqueles que já partiram
desta vida, deixando saudade nos corações.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
CRIATIVIDADE
Madrugava diante do
computador quando, sem motivo aparente, um livro despencou da estante atrás de
mim. Curiosa e um pouco assustada peguei o volume no chão. Era um best-seller
internacional, Ingenium, de Tina
Seelig, há meses colocado na prateleira
para ler depois, e lá ficou esquecido. Alguém pode ter mexido nos livros e deixou
o exemplar em má posição, o que o fez desabar. Sem mais elucubrações sobre o
incidente, comecei a ler o texto que tinha em mãos, com o seguinte subtítulo: “Um
curso rápido e eficaz sobre a criatividade”. Ideal para quem exerce atividade
criativa, como a escrita, onde a PHD em neurociência nos informa sobre a
atividade do cérebro, feito para imaginar. É bom saber que nascemos para ser
criativos, mas que só em parte a criatividade
é inata. Temos uma inventividade natural, a que se acrescenta habilidades
adquiridas no esforço de ativar a imaginação, o que pode acontecer através de
técnicas, constante do livro.
O
cérebro tem potencial para criar saídas para os problemas existentes, basta acionarmos
a imaginação, que não significa ideias falsas, ilusão. Mas aprender a avaliar
e reavaliar nossas condições de vida. A importância da criatividade para a sobrevivência
do nosso planeta, a catástrofe já às portas, como alerta o Pentágono, que avisa:
“O bicho vai pegar”. Não há como negar que temos pela frente um mundo cada vez
mais complicado, coisas radicalmente novas, que não existiam no passado, e nos
cercam de todos os lado, nem sempre para o bem, infelizmente. Ameaças naturais
cada vez mais constantes e piores, provações que não param de acontecer, tudo o
mais que requer preparo para enfrentar. Não é desconhecida a capacidade de destruição
do homem, também de restauração.
Com
criatividade e também humildade devemos operar as mudanças necessárias. Se as empresas
para sobreviverem precisam reinventar seus negócios, também a empresa maior que
é a sociedade, deve criar meios de enfrentar a decadência. E nós em particular fazer o dever de casa. Que
seja resguardada a integridade humana, e se possa seguir em frente. Mesmo que certas
notícias nos façam acreditar que estamos no fim dos tempos, por exemplo, que há possibilidade de
chegar às ruas a guerra ora travada nos presídios cariocas entre as facções
criminosas do PCC e o CV. Enfrentar esse caos social, e entender que um país
que se preza não descuida da educação
e presta os serviços adequados à população, para que pessoas não se marginalizem.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
O
CANTOR NOBEL DE LITERATURA-2016
Robert Allen Zimmeman, ou Bob Dylan, é o
homenageado pela Academia Sueca com o Prêmio Nobel de Literatura de 2016. O
cantor e compositor americano já havia abocanhado todos os prêmios no seu campo,
como 12 Grammy, o Globo de Ouro e até um Oscar. Mas os nostálgicos acadêmicos acharam
por bem aumentar o número de honrarias ao roqueiro, por ele haver “criado novas
expressões poéticas dentro da grande canção americana“, palavras da secretária
Sara Danius, que ainda se justificou citando Homero e Safo, poetas gregos, ao anunciar o nome
do premiado. Se era para causar impacto não deu outra coisa. Foram aplicados
critérios radicais para a premiação do autor de Blowin´in the Wind, provocando críticas à vetusta academia, que
deixou de fora, entre outros concorrentes da elite literária, o americano
Philip Roth e o japonês Huruki Murakami,
cotados já ha alguns anos ao prêmio.
A láurea concedida a Dylan causou certo constrangimento
àqueles que trabalham seus textos dentro do rigor literário e publicam obras de
reconhecido valor. Protestam por achar que escrever um livro, seja poesia,
romance, conto, é uma forma específica de expressão criativa, sem possível comparar as letras do talentoso roqueiro americano, por exemplo, com a poesia do
inglês John Keats (1795-1821). O escritor e jornalista Ednei Silvestre considerou
um absurdo, um descaso dado à palavra escrita, à literatura, o Nobel de 2016. Diogo
Maynard falou em disparate tal premiação. Acusaram o músico de “escrever balada
movido a LSD”. Dylan é um letrista que se pode dizer mutante e desconcertante, em
seus conceitos, mas tem a virtude de saber o que quer. No seu passado
contestador, o roqueiro dizia querer apenas sustentar a família, e em constante
mutação, e ficou de fora quando alguns se arregimentavam para a revolução, o
caso da ex-namorada de Dylan, Joan Baez.
Até agora o entendimento é que as
letras das músicas são feitas para acompanhar o som, e quando transcritas para
a página silenciosa de um livro, perde em qualidade literária, mesmo que as
letras de algumas canções tenham algo mais que suas costumeiras ligeirezas. Jerônimo
Teixeira, comentarista da Veja falou que o culto a Bob Dylan, a partir do
Nobel, transcende a área musical para ir em direção ao culto da palavra, em
qualquer área de aplicação, um vale tudo. Não há dúvida que o público ouvinte do
Rock é mais afeito ao som musical que às palavras, cantar e pular é sua praia. No
passado a boa música não devia ter letra, o caso da música clássica, pelo
encantamento que provoca, e não comporta som algum além do que está na pauta
musical. É o tal purismo a ser preservado na música, assim como na literatura.
Mas agora é o que atualmente se pretende abolir, ao que parece. São os novos tempos.
A
premiação do músico americano pode, inclusive, acalentar o sonho dos músicos brasileiros,
pois o que não falta é talento nem engajamento em Caetano Veloso, Chico Buarque
de Holanda, Gilberto Gil. E por que não o romântico Roberto Carlos? Vozes
brasileiras, que ainda ninguém ousou comparar com a voz do poeta Castro Alves, que
em versos magistrais defendeu os escravos e expressou a ambição maior do homem
pela liberdade. E como cabia bem o Nobel de Literatura para esse baiano
porreta. Bem como ao poeta maranhense, Antônio Gonçalves Dias, no seu oportuno
indianismo. Criada em 1864 por Alfred Nobel, químico e inventor da dinamite, nascido
em Estocolmo em 21 de outubro de 1833 ele destinou sua fortuna à premiação. Os citados gênios da música brasileira já receberam
muitas honrarias, faltam-lhes um prêmio da Academia Sueca, que pode ser, inclusive,
o Nobel da Paz, que neste ano de 2016 também
causou estranheza, mas essa é uma outra história.
Nota:
Bob Dylan ainda não se manifestou sobre o prêmio, e a Academia Sueca não sabe
até hoje se o cantor tem intenção de
comparecer à cerimônia de premiação e fazer o discurso de agradecimento,
como de praxe.
JOHN KEATS
“Desolado! As palavras ressoam
A levar-me de ti à minha solidão!
Adeus! A fantasia não ilude
Como dizem ela, a falsa ninfa.
Adeus! Adeus! Teu queixoso hino finda
Além das campinas, além dos riachos,
Além das colinas, já sepulto
Nas clareiras do vale próximo;
Foi uma ilusão, ou um devaneio?
Foi-se a melodia – acordei, ou durmo?”
Última
estrofe do poema ODE À MELANCOLIA
BOB DYLAN
“Quantas estradas um homem precisa andar
Antes que possam chamá-lo de homem?
Quantos mares uma pomba branca precisa
voar
Antes que ela possa descansar na areia?
Sim, e quantas balas de canhão precisam
voar
Até serem para sempre banidas?
A resposta, meu amigo, está soprando ao
vento.”
(Estrofe do poema BLOWIN´ON THE WIND)
“Tire este distintivo de mim
Eu não posso mais usá-lo
Está ficando escuro,
Escuro demais para enxergar
Sinto como se eu estivesse batendo à
porta do paraíso
Bate, bate, bate à porta do paraíso”.
(Dylan escreveu em seus versos a
última súplica de um xerife.)
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