domingo, 16 de fevereiro de 2020





                                                     
 



         

             Rosa está em dúvida, se brinca o carnaval, ou faz um retiro espiritual. Respondo: “Na dúvida, pró réu”. E ela não esqueça a quaresma, que vem logo após a folia.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020


CONTO

               

                               SE ACHE,

                   SE SEGURE,

                   NÃO SE PERCA!









Joana estava de volta do seu passeio matinal, escuta a crítica da empregada, Rose, dirigida à amiga, com quem acabara de falar pelo celular: 

- Sonia está se achando!...

Diante daquelas palavras, não se contém e fala para a outra:

- Primeiro, que a pessoa se ache, depois, se segure, por fim, não se perca". 

Ao falar assim, Joana, por sua vez, tem em mente a moradora ao lado, com  os retratos estampados no fecebook, depois de suas festas e viagens ao exterior.  Causava-lhe espanto a exposição de alguém não tão jovem, super plastificada, exibida que só. Tratou de explicar-se para a mulher parada em frente ao fogão, como se estivesse diante de uma plateia, realizando uma palestra de auto ajuda:

 - A pessoa deve encontrar-se consigo mesmo, assegurar-se do que quer e aonde quer chegar, e seguir firme pela estrada da vida.

Logo a seguir, foi para o computador escrever o texto do dia para seu blog. Segue abaixo.

"É verdade que querer por querer, ou fazer planos, não adianta nada, quando falta o que sustente o que se quer. Os sonhos não se concretizam se a vontade é fraca e quando não há uma boa estratégia.      Além do imponderável,    que acontece, e pode chegar em boa hora.  Algumas vezes é bom deixar que a vida nos leve. Dá certo, quase sempre. 

'Fulana é levada!' Outra sentença antiga, para quem se deixa ir ao sabor do vento, típico da juventude. E a vida não é fácil. Tem que aprender a viver. Não contar tanto com a sorte, nem com os outros. A sorte e os bons amigos aparecem esporadicamente. E dos inimigos que nos cercam temos que aprender a escapar.

'Melhor arriscar, que ficar com medo de realizar seus sonhos, afinal, são seus sonhos, e querer é poder, ponto fina', dizem os libertárias. E tem quem aconselha: 'Se joga'.

No que diz respeito ao que se pensa e se faz, os mais experientes levam vantagem, geralmente falam  com menos emoção que razão. Estão cientes que a vida civilizada requer se tenha mais coragem que comiseração, que se aja com mais contenção que liberdade. Respeitar a realidade e a verdade. O amor tem como essência a sensatez, regada pela paciência." 



terça-feira, 11 de fevereiro de 2020


                                                 
                                              

                                   ABSTINÊNCIA






                    Os dias de hoje exigem de todos uma postura mais consciente, ou seja, que se procure  minimizar os danos causado à natureza por nosso modo irresponsável de consumidores  compulsivos. A produção em larga escala, mais para satisfazer nosso desejo de consumir, em vez de simplesmente dar conforto para todos. Tem que ser novo o sapato, a bolsa, todo o vestiário. Usar apenas uma vez e jogar fora, como se a fonte de riqueza fosse inesgotável.  Com o sexo acontece o mesmo, as pessoas usam uns aos outro e depois jogam fora. Sofre a natureza com nosso desperdício, sofre nossa alma, no mínimo, padece  nosso bolso. A ordem é reciclar, poupar, e até mesmo, abster-se de muita coisa consumida sem a responsabilidade e devida precaução.

               A felicidade no mundo atual está atrelada ao que as lojas oferecem em suas vitrines,  ao que é visto nas propagandas da TV, e tudo o mais. Dia a dia as pessoas simplesmente afogadas numa abundância de  coisas, um desperdício, o que só pode causar danos. O sexo também objeto de consumo, como qualquer outro. Em contrapartida, há escassez de sentimentos, de alegria, de paz, de fé. Escassez que se estende à natureza, de onde se extrai essa riqueza, que seduz, ofusca, mas que se esgota a olhos vistos. O ser humano também parece esgotado. 

                Uma busca incessante pela felicidade está nos deixando estressado, no mínimo, tristes. Tornou-se um bezerro de ouro o propósito de sermos felizes a qualquer custo. E querer ser feliz o tempo todo é sinal que a pessoa não achou ainda o que procura. E não vai achar dessa forma. As buscas geralmente egoístas, sinal de que, quanto mais você almeja a felicidade, menos você é feliz. Experimenta-se uma felicidade, que frustra, quando não resulta num processo destrutivo.

              No que diz respeito ao sexo, a atual proposta governamental feita aos jovens é que pratiquem abstinência. Tem como finalidade principal evitar a gravidez precoce. Abstinência, que não significa ir contra o sexo, apenas que haja paciência de aguardar o tempo certo para a iniciação de uma prática da qual vai depender  o futuro de cada um, físico e emocional. Abstinência não é a mesma coisa que inapetência, que muitas vezes acomete as pessoas que cedo iniciam sua vida sexual, sem a devida maturidade.

              A hora é agora, além reciclar o que consumimos em grade quantidade, melhor ainda, é poupar, abster-se. Vale também recolher, para as devidas providências, o que ficou inacabado, o que acontece com alguns importantes compromissos com a vida. Recomeçar hoje com esperança no amanhã, ciente de que, ou se faz a coisa certa, ou tudo vai por água abaixo. E, por falar no precioso líquido, enchentes castigam nosso país nesses meses de janeiro e fevereiro. Avançamos sobre as encostas dos rios, tomamos os morros de assalto, e com as chuvas o resultado são desabamentos e mortes. Consumimos sem qualquer  respeito o que aguça nossos sentidos,  inclusive, o sexo, um verdadeiro desastre. Estamos hoje à mercê de um destino por demais incerto e ingrato.