quinta-feira, 14 de maio de 2026

 


 

 

 

                                          FORMAR REPRESA

 




           Não, não era o momento de deixar-se levar pela tristeza, cair no choro, ocasião não lhe faltava. Mas, mais forte que tudo, era a vontade de seguir em frente, viver sua nova vida, com a criação da própria família. Ter cosnciência da responsabilidade que assumia e o destino do casal e filhos, o que ia depender principalmente dela, ainda na crença que o cérebro era o marido e à mulher cabia ser o coração do lar. Mesmo com dificuldade acomodar-se à nova vida, e a partir desse início, cumprir a nobre missão. Quanto às lágrimas só mais tarde é que ela poderia dar vasão. Águas reprimidas, com as quais formar represa para produzir energia, e que haja luz, muita luz.

           Qui amati cognoscit (“Quem ama conhece”). O amor como auxiliar desse amadurecer e envelhecer humano, junto com o mundo. A inteligência presente no universo, assim como em cada pessoa, e tudo e todos diante da onisciente inteligência da divindade, ou de Deus. Aqui colocados, pois, para fazer da vida o que quiser, ou for capaz. Sim, podemos tudo o que formos chamados a fazer. Nós, como seres criadores e,  acima de tudo, defensores da vida. E a vida em plenitude a vingar por conta do vigor físico e espiritual, e não da fraqueza. E na velhice olhar com orgulho para o que fez, e não se arrepender do que não fez. E há o maior arrependimento quanto ao amor, que não se dá, muito por conta da existência do obscuro, contrário  ao lado do claro da vida.


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