segunda-feira, 25 de maio de 2026

 


 FICÇÃO

 

                                        RELAÇÕES HUMANAS


rua da capital são luís - ma -arrumada pela ia


 

          elas voltaram aos encontros que costumavam fazer no ano anterior, interrompidos por falta de disposição de algumas para saírem de casa. As cinco amigas firmes e fortes, vivem sua doce velhice, da qual se gabam, mesmo que tenham sofrido, como qualquer outro ser humano, suas dores ao longo do caminho, principalmente, sendo mulheres, nascidas há oito décadas. Naquela trade fria e seca de início de inverno em Brasília, elas estão reunidas outra vez para um café, onde trocam ideias, dessa feita, sobre as relações humanas. Celeste foi quem escolheu o tema, e deu início ao debate depois de servido o lanche em que se destacavam os deliciosos biscoitos veganos da Larissa, neta de Maria.

        — Quando saí de casa o colorido do céu em furta-cor parecia uma pintura. E como é bom ter esta bela visão ao olhar para o alto.  E aqui embaixo a coisa não é diferente com todo esse verde que nos cerca. Por tudo sinto-me grata. Sem poder me queixar de nada, nem  das  dificuldades nas relações com os meus semelhante, que podem ter frustrado minhas expectativas. Normal os desencontros, até com familiares, com os quais nos resignamos com o tempo.  

        Maria de pronto se manifesta:

      — Ah, minha amiga, não é nada fácil conviver com as pessoas, mesmo as mais próximas, e eu chego a pensar que tenho a função de administrar conflitos, uma vez que a família cresce, e mais gente resulta em mais conflitos e motivo para divergir, seja por que for, principalmente,  devido aos choques de personalidades, até por interesses, que mudam. Sem que haja verdadeiro motivo para a resignações, quando podemos prosseguir com nosso desenvolvimento. Desde que resignar-se não seja uma saída honrosa, até mesmo significar covardia.

        Inez, irmã de inácia, parece ter pressa em revelar sua opinião:

        — O que dá raiva é que os desentendimentos geralmente não acontecem  por algo que valha a pena, ao contrário, acontece por burrice, imaturidade e por aí vai. E quando tudo é motivo para a disputa, discussão, a coisa se agrava. O ciúme a encabeçar a listas dos  desentendimentos.  Pode acontecer ao participarmos de algum grupo, quando em vez de amizade, a gente encontre quem queira mesmo é tomar conta da sua vida, sabe-se lá para quê. Eu mesma não participo de grupos. Posso até ser considerada antissocial. Desculpo-me dizendo que sou autista. Só esse nosso grupo das amigas me tira de casa.

        Inácia estava calada assimilando as palavras das amigas para dar seu aparte:

         — Os cientistas, adeptos da evolução, dizem que entre os humanos não foi o mais forte e mais apto que sobreviveu, e, sim, aquele que melhor se adaptou às circunstâncias. No  mínimo o mais feliz. A alegria como motor da sua vida, ou a própria vida, que está ao nosso lado e não contra nós. Acredito que o ser humano nasce para, simplesmente, viver e ser feliz. Exigido aos seres humanos respeito para com a vida. Mas foi na competição que resolvemos nos empenhar, e deu nessa  constante disputa para ver quem chega primeiro, quem ganha mais, e, hoje, quem se exibe mais. A coisa elevada a tais extremos, que nos frustra, e em vez de verdadeiros, acabamos falsos vencedores. Quando na cooperação de todos para com todos  é que estaria a saída para uma nova visão de mundo.

        Laurinha fala por último, encerrando a importante conversa:

        — Penso que a vida é como um jogo, em que a pessoa pode vencer, ou perder algumas partidas, até a vitória. Numa sala de aula, por exemplo, todos podem tirar 10, mas só alguns alcançam a nota máxima nos estudos. Mas excelente mesmo é aquele que vence sua batalha interior contra o mal, e quanta dignidade há naqueles que  reservam sua energia para o exercício do bem. Maior seriedade dada à conscientização do que é certo. Picuinhas, “disse-me-disse”, fofocas, desconfianças, é para quem não tem coisa melhor para fazer, para os destituídos de valores  Quando a riqueza interior se adquire no exercício da fé em Deus e no amor ao próximo. 

            Palavras que tocaram fundo nas almas. Final daquela tarde, que havia passado tão rápida que elas não se deram conta da noite que chegara com a maravilhosa lua a brilhar lá fora. Dzespediram-se calorosamanete com a promessa de verem-se no mês seguinte, sem falta.

 

 


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