RECORDAR É VIVER
| CSAS DO BB - SHS 715/16 - INÍCIO DE BRASÍLIA |
E se parássemos para pensar
no amanhã, o quanto será diferente do hoje, que passa muito mais rápido do que a gente imagina? Olharíamos com mais atenção o presente, não deixaríamos
passar momentos preciosos, que são todos
aqueles vividos ao lado dos entes queridos. Procuraríamos olhar, em especial, para
os filhos que crescem dia após dia, e a gente nem se dá conta disso. E ao lembrar
as passagens vivida com eles, não consigo lembrar tudo, quando estive ao lado deles
o tempo todo. Lembrar apenas vagamente dos primeiros dentes que lhe caíram, dos
primeiros passos, mas ter deixado de ver mais atentamente o quanto iam ficando
diferentes a cada passagem de ano.
Não deu para fazer tudo. E,
se deu, não fiz, é o que sinto. Sinto falta de mim na infância, na juventude, na
mocidade dos meus filhos. Sinto falta das palavras de afeto e incentivo que não
foram ditas, abraços que deixaram de ser dados, e por aí vai. Não basta suprir
os filhos de bens materiais, e no final sentir a ausência de um convívio mais afetuoso
com os filhos, assim como deixaram de ter
com próprios pais. A velhice tem dessas
coisas...E desde algum tempo sinto saudade dos meus filhos lá atrás, mesmo que
eu possa vê-los agora com os primeiros cabelos brancos. E eu até já sinto falta
de não poder acompanhá-los mais adiante, saber que envelheceram bem, e eles vão
certamente chegar ao centenário.
O tempo passa rápido e não
foi suficiente para usufruir melhor da presença dos filhos; amá-los, como devem
ser amados todos os filhos. Tempo que a gente devia agarrar com unhas e dentes,
mas passou sem dar tempo de viver mais intensamente aqueles melhores momentos,
quando os complicados das doenças, a gente lembra bem da dor, como também da
cura. A gratidão reservada, em especial, a Deus por estar no comando. E vê-los
hoje realizados com suas famílias é uma bênção. Mas sinto falta da certeza de
que os filhos tenham na velhice uma alegria de viver maior ainda que hoje. E desde
já lembro a eles o quanto são privilegiados por terem vivos os pais, avós de
seus filhos. Recordar é viver, e os momentos felizes de um tempo que passa permanecendo vivo nas suas lembranças.
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