O POETA , O MUNDO, E DEUS
“Mundo, mundo, vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo,/ seria uma rima, não seria uma solução”. É como Carlos Drummond de Andrade fala de si mesmo no Poema de Sete Faces,. O poeta não tem uma solução para o mundo, nem se mudasse de nome, o que serviria apenas para fazer uma rima. Ele é o homem atrás dos óculos e do bigode, que está descontente com o céu de sua vida: "A tarde talvez fosse azul / não houvesse tantos desejos”. Em Itabira dirige-se a Deus, como Jesus no Calvário: “Meu Deus, porque me abandonaste / se sabias que eu não era Deus / se sabias que eu era fraco.” Confessa sua fraqueza para Deus, adquire a consciência de si mesmo e do mundo. Deus revelado, e não inventado. Por fim, afirma o poeta: “Mundo, mundo, vasto mundo / mais vasto é o meu coração.” A inconsciência do mundo e sua vastidão. E mesmo que "um anjo torto, desses que vivem nas sombras" tenha dito ao nascer : "Vai Carlos, ser gauche na vida", o poeta tem consciência de que mais vasta é a sua consciência.
DEUS É A SOLUÇÃO!
Poema de Sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vive nas sombras
disse: Vai , Carlos, ser gauche na vida!
As casas espiam os homens,
que correm atrás das mulheres.
A tarde .talvez fosse azul
naõ hovesse tantos desejos.
........
.O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, porque me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo, mundo, vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo, mundo, vasto mundo,
mas vasto é o meu coração..
......
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