terça-feira, 17 de março de 2020




                               
                                              CUIDA BEM DE TI








          Terrível pandemia assola o mundo, tendo como causa o covid19, com picos alarmantes em vários países. No presente momento o Brasil está correndo contra o tempo, para que o mal não atinja tão rapidamente o pico e nossos hospitais tenham condições de acolher devidamente os doentes, e tratá-los como lhes é devido. Podem faltar leitos nos hospitais e tudo o mais que a doença exige. Na China onde tudo começou foram rapidamente erguidos hospitais com essa finalidade. E deu certo.
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         O vírus é originário do morcego, que sofreu uma mutação para o novo coronavírus, quando então passou a afetar os humanos, fato que ocorreu a partir no mercado de animais vivos na China. Os chineses afeitos à sopa de morcego, como se não houvesse algo melhor para comer. O ser humano é mesmo incorrigível em seus extravagantes costumes.

         Precauções devem ser tomadas de antemão por todos os habitantes do planeta em tempo de pandemia, como no presente caso. Evitar se expor ao contágio, que ocorre de pessoa a pessoa, e outras medidas. Nunca passar as mãos sujas nos olhos, nariz e boca, além de lavar as mãos, assim que tocar maçanetas, corrimãos, e outras superfícies de grande manuseio. Não se alarmar, mas se cuidar

         Uma regra elementar é não descuidar da saúde. Entrar em quarentena se for preciso, mesmo que para muita gente ficar em casa seja a pior opção do mundo, devido ao costume moderno de se viver na rua. Os idosos devem mais que todos evitar sair de casa.  Atender à ordem: Cuida bem de ti. Sem deixar de ser solidário com os demais. Tomar apenas dipirona no caso de algum sintoma,  e só ir ao hospital se o quadro evoluir para pior. 

        Além da saúde afetada drasticamente pelo mal, a economia também sofre abalo. Os habitantes desse outro lado do mundo, em intensa comércio com a maior economia do mundo, e felizes por negociar com a China, quedam-se abismados. Adoeceu e parou por lá, adoece e atinge todo o mundo. No caso, temos uma  doença contagiosa, que se espalha pelo ar, e se transformou em pandemia, mas já tivemos outras. Chega quando menos se espera, mas vai embora, da mesma forma que chegou.

       No Brasil ainda não houve caso de morte, como ocorre em outros países, os óbitos a se sucederem em progressão geométrica. Tudo vai depender que cada um agora tenha o bom senso de, simplesmente, se cuidar, conforme foi dito acima. Escolas já estão com as aulas suspensas; cinemas, bares e lojas fechadas. Encontros com mais de dez pessoas proibidos. Os aviões com voos diminuídos. 

        O turismo acabou, Veneza está deserta.

      Apesar dos estragos provocados por esse novo coronavírus,  é certo que vai passar após alguns meses. Diz um ditado popular: “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.”

Diogo Mainardi, jornalista brasileiro que reside em Veneza, mostra a cid...

quarta-feira, 4 de março de 2020








FICÇÃO

Celebrando a semana da mulher

               

          UM CORPO NO JARDIM

                                                                   
Modesta e bem cuidada, aquela casa não tinha qualquer indício que pudesse ser associada a alguma tragédia, seus dois andares com flores na janela. Foi o que pensou o delegado, no alto dos seus quase oitenta anos, antes de bater na porta para averiguação de um crime. Dia abafado, a chuva ainda não viera refrescar o ar da tarde, dona Clara estava fazendo a sesta, em um dos cômodos de sua pensão, após o almoço. Quem veio atender a porta foi uma moça baixinha, começando a engordar, que após as apresentações, fez com que o recém-chegado entrasse e se acomodasse na sala. Falou solícita:

—A dona da casa logo virá atendê-lo.

A sala com um balcão para atender os hóspedes, atrás do qual se via  um armário com objetos de fabricação chinesas, coisas de casa e também um ou dois brinquedos para crianças, como uma grande melancia com rodinhas. Quatro confortáveis cadeias para as visitas, numa delas o delegado sentou-se para aguardar ser recebido. Mas o agente da lei não vinha como hóspede, nem para uma conversa amigável. Estava ali porque um cadáver foi encontrado no jardim de uma mansão localizada a alguns metros da pensão de dona Clara. Foi como justificou sua presença, ao ser recebido, e disse enfático:

—Por incrível que pareça, minha senhora, o caso remete a alguma de suas hóspedes. Cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo, e uma das moças aqui hospedada foi vista com o morto, uma possível conquista.

Por fim, indagou:

— Dona Clara, o que a senhora tem a dizer sobre o fato?
               Antes de pronunciar qualquer palavra dona Clara pensou com seus botões: ”Resolvo tudo sem auxílio de ninguém, cumpro minhas obrigações como cidadã, e agora a polícia chegava com suspeita acerca de um crime nas redondezas, um absurdo”.  Mas ao delegado, o que tinha mais a dizer, é que não conhecia o morto, vindo do Ceará, conforme sua informação.
  
— Recebo em minha casa, apenas moças como hóspedes, vindas do interior, com o que completo minha pensão de viúva de um servidor do Estado.  Só Berenice é minha filha, adotada antes do falecimento do meu marido, alguns anos atrás.

—Não percebeu nada estranho com as moças?

— Costumo perceber   quando algo está errado, e no caso de Berenice e das moças hospedadas na pensão, nunca vi nenhuma acompanhada de pessoa suspeita. A filha completa o ginásio, não tem namorado, e sonha começar a trabalhar. Quanto às outras moças, estão terminando os estudos, e já com casamento marcado no interior, o que sei das três hóspedes. 

O crime descrito em detalhes para dona Clara, era agora repetido na presença das pessoas que viviam na casa e haviam chegado para o almoço. As moças mostraram-se assustadas, quase não conheciam os rapazes da capital, muito menos um forasteiro. Apenas uma delas, Dalva, revelou que tinha acabado o noivado nas últimas férias, sem motivo, apenas queria mais liberdade. E quando falou ter esnobado os amigos, e dito para quem quisesse ouvir, que estava hospedada em um palacete, o delegado ficou de orelha em pé. Quis saber mais:

—E o rapaz assassinado, nunca se encontrou com ele?

—Encontrei esse rapaz   apenas uma vez, nunca mais o vi.
Dalva foi então indagada sobre o caráter do ex noivo, e a resposta que deu foi que o mesmo não era pessoa violenta. Mesmo assim o delegado ficou desconfiado, que havia algo estranho com as moças da pensão de dona Clara, e elucubrou para si mesmo: “O crime foi por ciúme, e o autor seria   o noivo rejeitado daquela moça, que veio à capital praticar o crime, e por engano jogou o corpo no único palacete da rua, possível residência de sua ex. Um crime passional, conforme o estado do morto, enforcado e com o pênis decepado”.

Foi com essa ideia na cabeça que o delegado saiu da pensão de dona Clara, coçando sua cabeça embranquecida. E enquanto retornava ao seu local de trabalho meditava sobre o mundo, que estava indo de mal a pior, a cada dia crescia o número de feminicídios, aquela lá tinha escapando por sorte, por ironia do destino quem pagou a conta foi aquele rapaz, um quase desconhecido na cidade...

Chegou na delegacia certo de ter encontrado o mistério do morto no jardim da mansão. Ia comunicar na delegacia sua ida ao interior do estado para prender o suspeito. Não teve tempo de dizer qualquer coisa e dar um vexame. Logo tomou conhecimento que um investigador de plantão na noite anterior havia desvendado o crime, e já obtivera a confissão do suspeito. Escutou o desfecho do caso:

— O cara em vida, gostava de esnobar as conquistas que fazia, nem de leve plenamente realizadas, mas selou seu destino ao envolver a mulher do chefão do tráfico, que pagou um matador de aluguel para dar cabo do “dândi”.

O delegado experiente em tantos anos de investigação, ainda estava incrédulo, quis questionar sobre o serviço do colega mais jovem:
                
                — E porque cargas d´água o corpo foi parar naquele belo jardim?
                
                 A resposta:
                
                — Acontece que o mesmo rapaz dizia ter um caso com a filha mais nova do dono da mansão, o que não era verdade, como já foi apurado, ao contrário, os dois nem se conheciam. Intriga da oposição, inveja. O forasteiro esnobando suas conquistas, e os fofoqueiros aproveitando-se da situação. O dono da mansão sendo um rico fazendeiro chamava atenção, assim como sua linda filha. Mas o crime não tinha conotação financeira, nem ajuste de contas, como sempre acontece. Foi crime passional, vingança, os dois investigadores de mais idade estavam certos neste ponto. O matador de aluguel, ao perpetrar o crime para o chefão do tráfico, jogou o corpo no local combinado.
              
            A estagiária de direito, que escutava tudo na maior atenção, não se conteve e deu seu aparte:
             
              —As mulheres sempre tidas como objeto sexual, prontas para serem abatidas. A bela mulher do chefão do tráfico, mesmo numa situação de  perigo,  ariscando sua vida por amor, um amor bandido, até mesmo bandida como seu homem, mas, no caso, desconhecia o rapaz, até vê-lo morto. O matador estava rondando a mansão quando foi pego, e não demorou a confessar o crime e apontar os mandantes.
               
              Uma quadrilha seria então desbaratada.

  


HOMENAGEM À AGATHA CHRISTIE

MESTRA DA FICÇÃO POLICIAL


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020




  FICÇÃO

                

              CASAMENTO À ANTIGA


"ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE."



Até aquele momento Margarida não havia pensado no sofrimento de sua única filha, quando então a viu a caminhar pela nave da igreja levando o único filho, em direção ao altar para casar. Por trás daqueles olhos fundos podia perceber a alma corajosa de sua filha, que nunca se deixou abater, e falava sempre que a realidade, insuportável, que fosse, fazia parte da vida. 

Mesmo magoada pela vida, Eva não era uma derrotada —  refletia  sua mãe, enquanto acompanhava a cerimônia de casamento do neto.  Nunca faltou coragem à moça apaixonada do passado, como também acontecia agora com seu filho. No caso de Eva, teria sido uma resposta a tudo que passara na infância? Disciplinada por um pai controlador, e por uma mãe empenhada, ao máximo, para a "felicidade" da filha, mas que não se esforçavam no amor e carinho, para construírem um lar onde a filha se sentisse feliz.  
                   
                Parecia um amor compulsivo de Eva por aquele rapaz, bem mais velho, que era empurrado para um casamento apressado. Mais que tudo, tinha a moça apressa de se ver livre do que a oprimia. O amor também pode ser opressor, qualquer amor, assim como o desamor. Houve resistência à união, que acorreu, mesmo sem o consentimento dos pais. E quando a filha foi receber a bênção da mãe após a cerimônia,  Margarida disse secamente:

— Espero que você seja feliz.

Eva respondeu:

—Tentarei, sim, minha mãe,  ser feliz.

Essa a relação mãe e filha. Nada de remorso, nada de autocomiseração. Uma aceitação disciplinada da vida, e o compromisso pessoal de viver cada momento, como tinha que ser. Dessa forma, Eva, aos dezessete anos, conquistou por lei o direito à independência. Como mulher, era sua grande, e até mesmo única, chance de vitória na vida. 
 Margarida ficou na sala com o olhar perdido sobre a cadeira vazia à frente, na qual Eva estivera sentada na despedida. Ao ver partir a filha, sentiu quase a mesma dor de um ano antes, quando seu marido, o pai de Eva, sucumbira à depressão. 

Com o tempo as feridas foram saradas. Ah, o abençoado tempo! Esse novo casamento fez a avó rememorar o passado...