sábado, 10 de dezembro de 2016





                    
              





                Nome mágico – férias – tempo de descanso, para quem trabalha, ou estuda. Férias para todos, o que lembra liberdade, alegria, sorrisos. Não há como ser livre o tempo todo, nem fazer sempre o que se quer. Férias longe das mesmices do dia a dia, e se possa vivenciar coisas novas, ou rever antigas alegrias. 
                
          Caprichar no riso solto, também deixar que rolem as lágrimas, para aliviar a dor, acalmar o coração feliz. Deixar de fora as cobranças,  as críticas, sejam quais forem, o ano cheio dessas coisas, arre. O demônio por perto em torpes chamamentos. Fugir correndo para longe, que pode ser longe mesmo. E ficar mais perto, bem perto, ao próprio aconchego. 

           Tempo do  renascer da alegria e paz no coração. Fica para trás um ano difícil, esse de 2016, sem deixar saudade. E se volte o olhar com fé para o céu azul, com o sol a brilhar. E que a chuva molhe a terra com vontade, e os campos úmidos possam ser fertilizados. 


           É Natal, comemoração da primeira vinda de Cristo Jesus, a nos lembrar do nascimento de um novo tempo. E esse ano que se finda anuncie a segunda vinda, tempo da prometida felicidade aos homens de boa vontade.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016





                          FERREIRA GULLAR, O POETA




           Falece no Rio de Janeiro, aos 86 anos, o maranhense Ferreira Gullar, um dos maiores intelectuais brasileiros, nascido numa pacata S. Luís, onde viveu a mocidade, berço de grandes nomes das letras no nosso país. O pai um homem simples, que tinha um pequeno comércio, na verdade, uma quitanda, da qual o poeta lembra das bananas já passadas sobre as quais voejavam abelhas, que delas eu também lembro, expostas na entrada das vendas da nossa cidade querida. Impróprias para o consumo humano — bom para as abelhas — as bananas, para as quais o filho de seu Newton e dona Alzira fez dois poemas e mais um conto. Também nós outros habitante da rua das Hortas, e ninguém se dava conta de tão nobre existência ao nosso lado, coisas da vida.
         
          José de Ribamar Ferreira Goulart, ou Ferreira Gullar, muito jovem ainda, escolheu o estudo, o convívio com os livros e, em especial,  com os seus conterrâneos intelectuais. E mesmo sem estar de todo preparado para enfrentar a vida sozinho, deslocou-se para o sul do país, levando poucos pertences, ou quase nenhum, mas uma considerável bagagem intelectual, indo logo trabalhar na grande imprensa. Começava uma saga, onde não faltaram percalços, como a prisão por questões políticas, o exílio, e, após a anistia, voltar ao Brasil, livre do ódio e certo da vitória pessoal.
          
          Ferreira Gullar, poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor e biógrafo, editou ainda em S. Luís seu primeiro livro Um pouco Acima do Chão , declarado pelo próprio autor como “tateio inicial”, “um livro ingênuo”. Mas foi com A Luta Corporal, editado pelo autor em 1954, que o poeta se revelou em todo seu vigor intelectual. Para o crítico Paulo Werneck, “seria a fagulha de um novo tipo de escrita, que nos anos seguintes mudaria as noções tradicionais  de verso, página, livro de poesia — em resumo, a própria poesia”. Com o Poema Sujo escrito no exílio, marcou definitivamente seu nome na história.
         
        Reconhecido como um dos grandes poetas nacionais, o maranhense Ferreira Gullar mereceu ao longo da vida todo respeito e admiração, sendo indicado duas vezes para o Nobel. Resistiu ao fardão, mas há dois anos foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, tendo declarado na ocasião que “a arte existe porque a vida não basta”. A arte que revela o nosso envolvimento com essa consciência superior que existe no homem. Deus o maior artista, e o dom da arte dado àqueles que sabem extrair da vida encantamento e beleza. A arte poética que se constitui de revelações da humana consciência.
 
    
        BANANAS PODRES 2

Naquele canto
                   em sombra
da quitanda
                   a tarde  — o tempo
                   o sol da tarde —
                   nas bananas virava mel
                                                     (aliás
                    mas água
 do que mel)
                        em outubro de 1938
                        .............
                       
       
      INFINITO SILÊNCIO

         houve
                 (há)
um enorme silêncio
anterior aos nascimentos das estrelas

              antes da luz

             a matéria da matéria

de onde tudo vem incessante e onde
                   tudo se apaga
                   eternamente

esse silêncio
          grita sob nossa vida
          e de ponta a ponta
         a atravessa
                    estridente

        
          EVOCAÇÃO DE SILÊNCIOS

O silêncio habitava
o corredor de entrada
de uma meia morada
na rua das Hortas

o silêncio era frio
no chão de ladrilhos
e branco de cal
nas paredes altas

enquanto lá fora
o sol escaldava


segunda-feira, 7 de novembro de 2016






                                   PRIMAZIA OU PARCERIA

      




     O economista e escritor Eduardo Giannetti em seu livro “Trópicos Utópicos” diz que os brasileiros estão culturalmente divididos em miméticos e proféticos. Os miméticos ou imitadores, são aqueles que sonham em cultura e comportamento nos moldes europeus, uma vez que o país foi colonizado por portugueses. Os proféticos levam em consideração a geografia e a peculiaridade  da nossa formação, onde se agregam as culturas europeia, africana e indígena. Sendo assim, ao se perquirir no país sobre o futuro, surge a dúvida se deveríamos pensar  a identidade nacional da forma imitativa, sem sofrer pressão dessa ou daquela cultura específica, entender-nos com independência, o que não significa  estarmos apartados do resto do mundo.
      
    Segundo Giannetti, somos um povo imperfeito em sua miscigenação, como imperfeita é nossa ocidentalização. Certo que temos de aprender a administrar nossas forças e fraquezas, como nação, para que possamos caminhar em direção ao futuro com segurança e mais confiantes. O Brasil tem grandeza territorial, o que pode ser confortável, desde que alarguemos nossos horizontes. Nenhuma nação deve ser arredia, ou arvorar-se de superior. Muitos dos conflitos deixariam de existir se os povos entendessem os benefícios da aproximação, para aproveitar conjuntamente os avanços da modernidade. Os meios tecnológicos disponíveis podem, sim, proporcionar uma vida melhor e em paz.
     
     Qualquer nação, qualquer cultura, por mais que se julgue avançada, erra ao  pensar que fica rebaixada ao deixar de lado a crença na primazia. Pensar em domínio nos tempos atuais é demoníaco. Mesmo que haja diferenças entre as nações no sentido de grandeza e riqueza, é importante reconhecer o valor que todas têm. As mais avançadass, que ainda lutam pela supremacia, devem rever esse conceito, e olhar as que sofrem com o atraso, para ajudá-las. As que são por demais retrógradas, podem até rejeitar o conforto material, e optar por permanecerem atrasadas, mas que respeitem as que pensam em bem estar.
      
      Não há certeza absoluta sobre o nível de progresso ideal, e parece que o céu é o limite. E inferno também. Um dito popular diz que “gosto não se discute”, e sabemos que gostar ou não gostar tem mão dupla. Melhor não optar pela tirania do gosto. O homem civilizado, de caráter refinado, é o que se aprimora culturalmente, elegendo o respeito como atitude de bom gosto. Sendo de péssimo gosto impor ao outro o seu próprio gosto, ou forçar a conversão de quem quer que seja. Princípios rígidos quanto à justiça e honestidade, bem como ter a mente respeitosa e solidária, confirmam nossa identidade como seres humanos evoluídos, ou então irremediavelmente  bárbaros.











sábado, 5 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016






                                                  
                                       MISSÃO DE VIDA



         



           

              Se temos olhos para ver, ouvidos para ouvir, língua para falar, se temos razão e emoção,   se podemos usufruir do sabor e da beleza da vida, temos também a dor, tantas vezes causada pelo mal do qual somos possuidores. Até  chegarmos ao fim da jornada, que é a morte. E nos perguntamos, afinal estamos aqui por que motivo? Razão pode até não haver da nossa existência, mas a vida merece respeito. Devemos guardar especial atenção pela vida, tomar como missão viver, sermos missionários, para que o bem se perpetue em nós, na família, na sociedade, na nação, no mundo. E dessa forma o mal não se instale.
           
             Missão  requer conversão. Como animais racionais somos responsáveis por nossos atos. De posse do livre arbítrio o homem pode agir para o bem e para o mal.  O bem é afirmação da vida, enquanto o mal é o contrário, sua negação. Dia após dia temos de estar atento a nós e ao nosso espaço vital. Não basta estarmos vivos, mas, como seres inteligentes cuidar de nós e da natureza, que nos compete preservar. Em especial, preservar os valores espirituais. Não estamos sós, não somo desvalidos, temos a consciência de Deus, que nos é dada pela fé, assim como contamos com a cultura laica. Os preceitos religiosos, éticos, válido por século e séculos.
       
           Viver tem seus perigos - frágeis criaturas que somos - por conta disso, requer aprendizagem e cuidados. Saber que a contrapartida do prazer é o dever. Tudo tem, sim, uma contrapartida: muito riso, pouco siso; muito sol, câncer; muito prazer, desgosto; e por aí vai. Podemos fazer o que quiser, mas há muito a ganhar com a obediência, do contrário, amargar o prejuízo pelo egoísmo e soberba. Quanto mais cedo atinarmos com nossas responsabilidades melhor. O que a vida exige de nós é que sejamos leais a nós mesmos, à nossa natureza humana. Não morrer antes de ter a felicidade de olhar par si mesmo com serenidade e amor.
       
           Ah, o amor! O amor compartilhado, que acontece, em especial, quando a mãe vê o filho, feliz pelo novo ser, pelo milagre nela realizado, sentimento que não é aleatório. Dizem que o bebê sorri para ver a mãe sorrir de volta para ele, o prazer que existe com a presença da pessoa amada. O florescer do amor, que jamais deve ser negado. Conquanto o instinto sexual visa, tão somente, à preservação da espécie. E nunca se perca de vista que amar e ser amado é o que dá sentido maior à existência humana.
      
          O amor é eterno, e de modo especial homenageamos nesse 2 de novembro, Dia de Finados, todos aqueles que já partiram desta vida, deixando saudade nos corações. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016




DIA DE TODOS OS SANTOS!



Figura publicada pela Igreja Católica

"CHORA CAPETA!"

Frase de Malafaia com a vitória de Marcelo Crivella do PSDB e bispo da Igreja Universal para prefeito do Rio, com larga vantagem sobre Marcelo Freixo do PT.