sábado, 22 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
20 ANOS DEPOIS
Ainda no calor do escândalo que
envolveu o impeachment de Collor, outro fato mexeu com a opinião pública no
país, a divulgação pela imprensa do estrupo de uma criança ocorrido na Escola Base, localizada no bairro de Aclimação em S.Paulo. Os proprietários do pequeno estabelecimento de
ensino, o casal Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, desde então
passaram a viver um inferno de acusações as mais escabrosas.
A rede Globo
iniciava sua trajetória como a maior emissora de televisão do país e divulgava
o desenrolar dos acontecimentos sobre o crime, junto com o SBT. Elucubrações, sem
nenhuma prova, além do testemunho de uma criança de 4 anos, com apenas
uma assadura. O medo dos pais que fizeram a criança confirmar o suposto estrupo. O
noticiário causava perplexidade, grave agressão a um ser indefeso, e os
responsáveis pessoas que pareciam isentas.
A aflição que os espectadores sentiam em ver um simpático
casal de professores exposto à execração
pública. Os cabelos de Aparecida Shimada já embranquecidos pelos anos de vida, trabalho e dedicação ao ofício no ramo da educação. No
mínimo uma avó, só não via isso quem não queria. Menos os repórteres, atrás de notícia,
dispostos a divulgar qualquer coisa para impactar, e nada melhor que o lado
torpe da vida, justamente onde ele não devia estar, e não estava naquela
escola, dirigida com dedicação, até que tudo desmoronou. A televisão líder de
audiência se fazia de defensora da moral e dos bons costumes, meio para o
domínio das consciências.
Culpados ou inocentes, não interessava verificar a verdade. A mídia televisiva era
soberana, como se dissesse aos espectadores, agora seremos os salvadores da
pátria, os novos educadores, o que na verdade se tornaria daí para frente. Junto
com a televisão, o delegado de polícia ganhava notoriedade. A Escola Base destruída,
e seus donos, a princípio atônitos, depois
indignados com tudo aquilo, sofriam um terrorismo, sem precedente. A
opinião pública manipulada pela grande imprensa.
Vinte anos se passaram, e só agora a
justiça concluiu o processo, estabelecendo a indenização a que os donos da Escola Base têm
direito, paga pelo Estado e a rede Globo, para reparar financeiramente o
erro cometido. Muita coisa mudou na imprensa, o jornalismo amadureceu, hoje na tentativa
de não cometer erros dessa natureza, informar com mais consciência e responsabilidade.
A fábula que a TV Globo e o SBT arrecadam com publicidade me leva a comparar Roberto
Marinho, já falecido, e Silvio Santos como Icushiro Shimada, que provou sua inocência, mas não
vai pôr a mão no dinheiro da indenização, pois logo morreu de câncer, não era
para menos.
Saúde e
dinheiro não falta para a mídia televisiva, que tem contribuído muito pouco para educação e cultura do povo. Ao contrário, ajuda a sociedade brasileira no seu processo de dissolução, e também a purgar seus erros da
forma como aconteceu no caso da Escola Base. Cadê a educação? Parece que
morreu junto com o sonho daqueles educadores, que um dia fundaram uma Escola de
Base e foram massacrados.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
MEU TIO JOAQUIM
Lembro bem do tio Joaquim, uma doçura de pessoa, acolhedor,
amigo, bom conselheiro, o que sabem disso aqueles que se hospedaram em sua casa,
os parentes, como eu, solteira, e recém-casados, mais de um casal, que eu saiba.
Tivemos a oportunidade do seu incentivo para os estudos, inclusive, que nos
tornássemos servidores públicos, como ele, que era fiscal do consumo,
concursado. Falo aqui, porque a
tendência é a gente esquecer quem nos acolhe e ajuda em algum momento da vida, por
achar que a gratidão humilha, sendo assim, melhor reclamar disso e daquilo que
sofreu. É o que tenho a dizer antes de contar a história que segue.
Ficou estabelecido pela família que os rapazes iam estudar no Caraça, colégio
católico, que arrebanhava levas de estudantes em todo o Brasil, localizado a léguas
e léguas de distância de S. Luís, a ensolarada cidade praiana dos sabiás nas
palmeiras. Cheios de expectativas lá se foram meus tios-avôs, Antônio e Joaquim,
estudar com os padres Lazaristas, com quem iam se embeber de conhecimento e de fé.
Para tanto, os jovens maranhenses tiveram antes que vencer a Serra das Gerais, para
alcançarem o vale onde se erguia o conceituado colégio. Sacrifício que valia a
pena, de lá saíam grandes homens. Quase um exílio, ainda mais sem internet, lógico,
ainda não existia computador nem televisão, veículos de comunicação que
informam hoje a meninada, quase na mesma proporção que desinforma. O saber
adquirido nas fontes, ou seja, nos livros e na fé cristã. Quanto tempo eles
ficaram no Caraça não sei dizer.
Emergia uma sociedade entre guerras, voluntarista
e naturalista, mais que racionalista, os dois irmãos, ao retornaram à cidade natal, vinham com a
ideia fixa de encontrarem a felicidade na ordem da natureza, iam viver no interior,
longe das realidades e maldades da vida na capital, do que se queixavam. Seria
a fantasia rural dos filhos de dona Amelinha, também os casamentos por amor, ou
simples capricho, oposição à presunção burguesa da família, em especial das
irmãs, que mantinham suas almas urbanas e progressistas? As mulheres na época tendo
como única opção serem escolhidas por um homem, para lhes sustentar e dar filhos
para criar, ao que minhas tias-avós tiveram que aderir, meio a contragosto, quando
teriam sido profissionais exemplares, como foram mães.
Embrenharam-se,
pois, meus tios no interior maranhense, para logo estarem apaixonados, não
tanto pela natureza, citadinos como eram, mas por Flor e Santa, a quem prestaram
juramento, convictos do que diziam ao pé do altar: “Até que a morte nos
separe”. Embebidos de uma pura felicidade, o que seria o elo perdido da
humanidade. Ou felicidade seria simplesmente a paz consigo mesmo e com os outros?
O certo é que as pessoas na época não tinham aquela dúvida que acomete hoje a
maioria dos mortais, uma feliz estratégia da mente, pois ter sempre certeza,
paralisa, ou leva a atitudes, julgamentos e escolhas pouco racionais. A
felicidade que para Aristóteles estaria na virtude, o caso dos meus virtuosos
tios, que tiveram a sorte de suas escolhidas trazerem seus maridos de volta à
realidade, que era a vida na cidade, melhor ainda, na capital, e ali pleiteassem
um bom emprego.
O
certo é que, se há quem queira viver perto da natureza, outros almejam o
contrário, importante é que tudo acabe na santa paz. Quanto à minha avó e tias-avós,
elas nunca deixaram de acreditar na mente evoluída, no cultivo da boa
consciência. Adeptas do progresso burguês, penso que se vivas estivessem elas
travariam uma luta íntima para superar a descrença no “progresso” que se vê
hoje, mais ainda na consciência forjada na televisão e redes sociais. Uma
família abençoada, da qual tenho a honra de descender.
NATAL!
Presto aqui uma singela homenagem aos meus tios-avôs e tias-avós.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
PUBLICIDADE E
INFÂNCIA
Desde
o fim do século passado os nascimentos foram reduzidos a índices mínimos, em
comparação com o baby boom das décadas e cinquenta e sessenta. A infância hoje gozando
de privilégios como nunca se viu antes. A indústria aproveita da situação para
direcionar a ela sua publicidade e vender mais produtos. Alvo dos veículos de
comunicação as crianças tornaram-se grandes consumidoras. As lojas de
brinquedos aumentaram de tamanho. Como assim, se há menos crianças? A
explicação é que a economia deslanchou e os pais podem comprar mais coisas para
seus filhos. E as ofertas não param de crescer para seduzir os novos
consumidores, principalmente através da mídia televisiva.
Parece que foi a partir daí que tudo começou, com a chegada da televisão, e da rede Globo no nosso país. As crianças seduzidas pela moda e os comportamentos propagados pela mídia. Os maus costumes sob protestos de alguns pais, mas para outros é como se a sociedade tivesse evoluído, quando na realidade teria retrocedido a uma quase barbárie. As saias curtíssimas, a maquiagem, os cabelos pintados e com chapinha, coisas que fazem as crianças parecerem adultas, nada respeitáveis. A informação que hoje se adquire através da comunicação midiática dá às crianças uma noção de mundo e de valores, diferentes daqueles que elas recebiam no passado pela família, escola, igreja.
Até o século VXI as crianças não mereciam especial atenção, até mesmo sofriam total falta de consideração. Com o mundo moderno, a infância passou a ser vista com mais respeito, que devia ser protegida e educada, quando lhe foi reservada maior atenção. Sob rígido controle burguês, as crianças, todavia, eram formadas para atender ao sistema econômico, e se tornarem adultos produtivos. O dinheiro no comando da sociedade.
Nos últimos séculos formou-se uma nova burguesia que pouco produz e muito consome, e o que se vê é uma manada consumista, coisa que piorou com a chegada da televisão e dos veículos de comunicação. A mídia como instrumento de formação e socialização, cultura absorvida pelas crianças, ao lado de pais imaturos, formados dentro desse contexto, mas que se tornou ultrapassado. O que temos hoje é uma natureza exaurida e uma sociedade que sofre com a grave crise financeira. Por privilegiar a ganância e fecha os olhos para a corrupção padece a sociedade da quase total falta de valores, voltando-se ao passado, quando as crianças eram desrespeitadas.
O sentimento atual é que algo deve ser feito para que saiamos do buraco em que nos enfiamos, o que vem de longas datas. As crianças não necessitam da gastança desenfreada, mas que sejam esbanjados recursos, sim, mas para a formação de seu caráter – o amor, a afetividade, a educação, que as crianças merecem para que cresçam seguras dos reais valores que recebem. E que se deixe de formar adultos ansiosos, predispostos ao medo e de pouca iniciativa, um retrocesso. Justamente o contrário do esperado para um mundo feliz, da produção e consumo, como se queria, desde o início da vida moderna. A felicidade pode estar fora dessa visão de mundo que nos impõe um progresso desastrado.
domingo, 9 de novembro de 2014
Canção de Outono - Cecília Meireles
O dia 9 de novembro de 2014 marca o cinquentenário da morte de Cecilia Meirelles
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