quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016








LIBERDADE

                 16-03-1935

 





Ai que prazer

Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler

E não o fazer!

Ler é maçada,

Estudar é nada,

O sol doira

Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,

Sem edição original.

E a brisa, essa,

De tão naturalmente matinal,

Como tem tempo não tem pressa...




Livros são papéis pintados com tinta.

Estudar é uma coisa em que está indistinta

A distinção entre nada e coisa nenhuma.

 
Quanto é melhor, quando há bruma,

Esperar por D. Sebastião,

Quer venha ou não!

 
Grande é a poesia, a bondade e as danças...

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca

Só quando, em vez de criar, seca.

 
O mais que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca...

 

Nota: poema que Pessoa escreveu no ano do seu falecimento


          Na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, o visitante conhece o quarto do poeta, localizado no segundo andar. Parece que o local está a  espera dele para continuar a escrever ou imaginar  algumas de suas poesias, ao lado do baú, onde jogava seus manuscritos, e diante da janela que se abre para uma agradável rua, não movimentada como hoje, lógico. Abaixo foto tirada na biblioteca do poeta onde estão preservados objetos, obras antigas de suas leituras e antigas publicações de seus livros.
 
 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016





                                                        BBB16

 


          O que mais se escuta é criticas, ou melhor, gente esbravejando contra o BBB16, a pior coisa que existe na televisão, e já devia ter acabado há muito tempo. Mas a indignidade continua, com Pedro Bial conduzindo ao vivo esse “zoológico humano divertido”, como ele próprio classificou o programa, logo no primeiro dia de exibição, com baixa audiência. O apresentador comprometendo sua credibilidade como jornalista de atuações importantes, inclusive, ao anunciar a queda do Murro de Berlim, o que nos lembra Luís Fernando Veríssimo, revoltado com o que se perpetra contra a cultura do nosso país, sendo a televisão palco de descalabros, como esse, que se assiste ao vivo a cores. Pessoas destituídas de qualquer heroísmo chamadas de heróis, pode uma coisa dessa? Questiona o escritor gaúcho, filho do grande herói das letras que foi Érico Veríssimo, que exemplifica os verdadeiros heróis brasileiros, os professores, que pouco recebem monetariamente e menos ainda reconhecimento, para o ofício que exercem, com empenho, sendo a educação base da sociedade.

       Há pessoas da maior dignidade, que trabalham para o bem social do país em vários campos de ação, e em todos os rincões do país, esses os verdadeiros heróis. Enquanto a televisão, abarrotada de dinheiro, contrata Bial a peso de ouro, para dar credibilidade a um programa que deseduca, até mesmo degrada os jovens em formação. Seria o apresentador um grande vilão? Ou um simples mascarado, desses que vão aparecer no carnaval, no início do próximo mês. A garotada de férias diante da TV envenenando a alma. De minha parte nem chego perto nos horários malditos da novela das nove e do BBB. Felizmente não tenho crianças em casa, mas imagino se algum dos meus filhos ou netos deixam de lado coisas melhores para fazer e ficam assistindo uma amostra da decadência cultural e moral que assola nosso país. Felizmente confio na minha gente, educada para ter bom gosto, e não dar atenção a essa dita fauna, que não tive oportunidade de ver, e jamais terei paciência de assistir.

domingo, 24 de janeiro de 2016






                                   UMA BOA SAFRA

 


        É o que se almeja todos os anos, uma boa safra. Não apenas quanto aos produtos de consumo, mas de pessoas nas escolas, no trabalho, na política, na sociedade, como um todo. Em meados do século XX, crianças e jovens frequentavam colégios públicos de primeiríssima qualidade, também os excelentes colégios particulares. Havia uniformidade na educação conservadora ministrada na época, sendo que nos colégios católicos, de tradição milenar, os alunos deviam ainda cultivar a fé. Todos o ensino visava, em especial, a preservação dos bens morais, familiares e sociais.

         O foco no presente, passado e futuro, quando os alunos eram devidamente assistidos como pessoa na sua totalidade. No contexto educacional levava-se em consideração o conhecimento, sem descuidar do necessário ao ser humano e à civilização, com sua cultura humanista, no que se acreditava. Foi uma boa safra colhida no passado recente, com que se nutriu a sociedade para que avançasse, depois da experiência traumática de duas grandes guerras mundiais. Avançou o homem em conhecimento, chegou ao topo, nunca dantes imaginado. A riqueza material a dominar o cenário mundial, enquanto, um bem maior foi deixado para trás, a Paz. A falta de concórdia entre pessoa e povos constitui o calcanhar de Aquiles em todas as sociedades, em todos os tempos.

      Sabemos que uma boa safra precisa de cuidado adequado, e, ao ser produzida em larga escala, como hoje, que tenha como se preservar das intempéries, dos ataques nocivos, de todo o mal. E que a safra não se deteriore, nem se extravie pelo caminho, devido a roubos, desastres, devido ao péssimo estado dos caminhos até chegar a destino certo. Cuidar do cultivo, da colheita, do transporte, para que a sociedade e todos os lares possam contar com o necessário ao seu bem estar, é o que almejam os homens de boa vontade. Atualmente clamamos aos céus que o mundo se livre da péssima safra de ideologias, de crenças, que pretendem acabar com a civilização, até mesmo com a espécie humana. “Oh, tempo, oh, costumes!” Teria clamado Cícero no Senado Romano, antes da civilização cristã.

   

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016



SUGESTÃO DE LEITURA


                        
        Conservador não significa ser de direita é o que ensina o professor e filósofo anglicano Roger Scruton em seu livro “Como Ser Um Conservador” da editora Record. A direita em confronto com a e esquerda, que quer reinventar o mundo sob perspectivas  incompatíveis com a ordem natural das coisas, simplesmente, um esquerdismo destrutivo. Já o conservadorismo é a "cultura  do vínculo afetivo", com o passado e também com o futuro, em que o presente seja a manifestação do sentimento de pertencimento, a uma família, uma comunidade, uma religião, que agrega valores atemporais, necessários para a vida. O autor que diz ser conservador desde o momento em que foi apresentado à poesia de T.S. Eliot, bem como à crítica de F.G. Leavis. Guardando o maior admiração por Margareth Thatcher, do partido conservador, que venceu a crise econômica britânica, quando era Primeira Ministra. 
       Há coisas que não podem nem devem ser modificadas, é o ponto central do conservadorismo. Mas a rebeldia começou pelos anos 70, o Ocidente premido, entre outras coisas, “pelo sentimento de culpa coletiva, reforçado por uma crescente cultura de dependência”. Hoje devido à pressão das elites políticas e dos partidos ideológicos, o caso do nosso país, que chegou aonde chegou, quase ao fundo do poço. Em seu livro,  Roger Scruton, parece dirigir-se ao Brasil de Lula e Dilma, ambos tentando “reescrever os princípios de ordem social em termos de progresso linear”, que acarreta um “fracasso desastroso, bem como o sucesso temporário”. A magnitude da corrupção que se abate sob as instituições, a serviço da reescrita socialista, longe do ideal de sociedade, que o país merece ter por sua magnitude,  e ser digno de respeito no cenário mundial.
      O professor graduado em Cambridge, como conservador, ensina que se deve olhar o mundo com um novo olhar, usando a linguagem natural das relações  humanas, em que a propriedade privada e as trocas voluntárias são características de qualquer economia de larga escala. O espírito de boa vontade e gratidão, mesmo admiração pelo que a família, a cultura, o país, representam, é a verdade do conservadorismo, contra a indiferença e ambição de poder, que a tudo subestima e pode levar à catástrofe mundial. No nosso país, a Petrobrás com a maior baixa e que se degrada a cada dia.  Enquanto isso, o Estado elabora currículo geral para as escolas brasileiras, incompatível com a sua finalidade, que é  o conhecimento. Em vez do saber, o partidarismo ideológico e teorias aviltantes, com que o ensino foge de suas reais funções.  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016






 
 
                     
                        TUDO VAI DAR CERTO

 






“Crescei e multiplicai-vos”, preceito divino cumprido à risca nos casamentos de meados do século XX, quando nenhum dos dois cônjuges  estavam ainda prontos, e a procriação era o fator principal da união. A mulher considerada um ser maternal, que pouco atuava fora do recinto do lar, vista exclusivamente como mãe na família e na sociedade. Foi sempre assim, até uma geração romper as barreiras que tolhiam a mulher de se beneficiar da liberdade de ser dona da própria vida. A maternidade continuou uma realização para a mulher, não mais restritiva, que impeça a mãe ter atividade, ou atuar, no mundo em que vive, como acontece com o pai.

Liberdades nunca dantes imaginadas fazem hoje parte da vida feminina, que adquiriu o direito irrestrito ao trabalho, ao lazer, a andar com suas próprias pernas, sozinhas ou acompanhadas. Coisa que elas já faziam, inclusive, contribuindo com o sustento da família, mas sujeitas à discriminação. Para quem viveu tanto tempo na dependência total dos homens da família, pai ou marido, e se tronava uma velha senhora aos 30 anos, bendita avanço. As oportunidades iguais para homens e mulheres, cada um disposto a cuidar de si mesmo, tendo ou não alguém por perto, ou apenas a companhia de algum bichinho de estimação.

A dúvida que incomoda ambos os sexos, se é melhor ficar só, ou aguentar um companheiro, ou companheira, por toda a vida. A mulher ainda quer ser mãe, mesmo que se torne uma pessoa despachada, trabalhe sem parar, e viaje nos intervalos. O ideal é deixar para mais tarde, sendo assim, o relógio biológico atrasou para a mulher, que já pode ter filhos com seguranças depois dos quarenta. O mais surpreendente é que as mulheres gozam atualmente da juventude aos 50 anos. No mundo moderno parece que não há dificuldade que não possa ser vencida. Mas todo cuidado é pouco, e se intuímos o que queremos, melhor ainda calcular com segurança o que fazer. Os cálculos se baseiem na observação da natureza das coisas, em especial da nossa natureza humana.