terça-feira, 27 de fevereiro de 2018





                         LEITURA





               Descansar não é só ficar sentado no sofá vendo televisão, ou dando uma boa soneca, no último caso é imprescindível, quando se está cansada. Uma boa leitura pode ser a escolha perfeita para os momentos de pausa do trabalho, ou do estudo, refrescar a mente, iluminar o espírito, distrai. Sair da rotina, viajar, não há como fazer sempre, mas basta abrir um livro e a viagem acontece, numa outra dimensão. Ler é investir em si mesmo.

Um tempo de leitura razoável pode livrar a pessoa de qualquer aflição, inclusive da solidão. Ler é a melhor opção para descansar, se divertir, mudar de ares. Escape, fuga, principalmente, um refresco para a mente, um bálsamo para a alma. Quem não gosta de ler não sabe o que perde. Quando a leitura é boa, não tem preço para o bem que faz. E se não gostar do livro escolhido, é só fechá-lo, e buscar outro na estante da biblioteca. Coisa mais prática não há de instrução e diversão  ao mesmo tempo.

Os primeiros escritos foram apenas registros, nada parecido com os textos que surgiram mais tarde, os poemas de Homero que obra mais fantástica, escrita há milhares de anos. A Bíblia considerado o livro mais importante do pensamento universal, até hoje é leitura insuperável. Os hebreus que escreveram os textos sagrados foram mais tarde considerados os povos mais inteligentes da história. Pudera, sabemos que quem lê não só alarga os horizontes, mas expande a mente, satisfaz a alma. Quando lemos projetamo-nos para fora do nosso espaço físico, para além do tempo, o que é um grande privilégio da espécie humana.          



                                                   


                                                               EXCELÊNCIA
                                                               

     
               
           Há quem ultrapassa o estabelecido como padrão, que vão além da obrigação, seja na família, no trabalho, com os amigos, pessoas admiradas pelo que fazem. Pródigas em se doar, excedem no bem que praticam. Ah, se o mundo contasse com mais pessoas assim, consideradas excelentes, por se dedicarem a um trabalho, a uma causa. E se  sabe de muita gente egoístas, que só se preocupam com o próprio bem e resolver seus problemas. E há as más que criam problemas. 
   
       Há que se buscar a excelência, ou seja, um patamar de vida elevado, no melhor sentido da palavra, em latim excellens, que significa elevação. Tanta gente que é chamada de excelência e não merecem o título. Enquanto pessoas há dignas de reverência. Todo mundo pode, sim, melhorar seu desempenho, mas é comum ninguém querer fazer nada, mesmo quando há necessidade de agir. Ficamos travados, achando melhor não interferir, outros que o façam por nós. E tem as interferências abusivas. Acontece, sim,  gente que só quer aparecer, e se mete em tudo. 

         Tem gente que acha difícil fazer a obrigação, quanto mais exceder as expectativas, um pouco que seja. Lógico que a ninguém é exigido que ultrapasse o limite do razoável, conforme estabelecido. Ultrapassar metas, bater record parece ser apenas para esportista,  atleta, como na recente Olimpíada de Inverno  em PieongChang, na Coréia do Sul. Uma beleza de competição, com a presença maior de países gelados, que se cobrem de neve no inverno e têm que aproveita. O Brasil compareceu com poucos atletas, de excelente qualidade. Record foram batidos, como sempre acontece, a capacidade humana quer superar seus limites. 

          Meu tio-avô em meados do século passado, antes se ser presidente de Banco, bateu  record na maquina de escrever, e ganhou um cobiçado prêmio.  Não precisa ser um recordista, basta elevar o desempenho, querer não apenas aumentar sua potencialidade física, mas no sentido de possibilidade humana de ser melhor como pessoa, os que vão mais longe. E deixam para trás  os acomodados, travados, que não costumam ir adiante. Excelência, elevação,  em todas as áreas. 

       Nos esportes, e em outros campos, com igual possibilidade de alcançar excelentes resultados e ganhar até o Nobel, áurea máxima. O literato, como qualquer outro em sua atividade só alcança um nível de excelência com muito treino e dedicação, escrevendo diariamente, lendo o máximo que pode. E mesmo aqueles pagos para servir os outros, os garçons, têm que superar as expectativas, o que atende melhor o cliente é primordial. As pessoas que mais crescem na vida são as capazes de ir em frente, se superar.  

Sua majestade  a Rainha Elizabeth II


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018






           
               LIVRE PARA MUDAR
            




         A talentosa cineasta Greta Gerwig é diretora e também roteirista de Lady Bird,  filme que tem cinco indicações  ao Oscar de 2018: melhor filme, direção, roteiro original, atriz e atriz coadjuvante. A trama é leve apesar dos problemas abordados, o cotidiano de uma família  na  periférica Sacramento, Califórnia, a protagonista é vivida pela excelente Saoirse Ronan, uma garota que busca se afirmar como individualidade, ao lado de uma mãe ansiosa e exigente, papel da veterana Laurie Metcalf. O pai é uma pessoa rara, aquele homem calmo e atencioso, que podia ser ideal se não fosse a falta de ambição, assistindo complacente as brigas de mãe e filha, uma relação tanto calorosa quanto dolorosa. A intempestiva filha Christine rejeita seu nome, quer ser chamada Lady Bird,  estudante que precisa trabalhar para ajudar nas despesa em casa. O pai de cabelos encanecidos acaba de perder o emprego, enquanto a mãe desdobra-se em dois empregos.

O roteiro agradou a Academia, certamente por focar na família, que vive hoje  momentos difíceis, em especial a classe média,  a americana principalmente, com frequentes tiroteios nas escolas. Com um esnobismo falso e cafona, Lady Bird quer fugir da realidade, com a qual não sabe lidar pela pouca idade. Mesmo não sendo um roteiro tão original quanto o do filme A Forma da Água, acredito que mereceu essa e as outras quatro indicações. Mexer com os brios da sociedade de hoje, com a educação em crise, sem que  ninguém entenda o que está realmente acontecendo com a juventude, já de algum tempo causando apreensão. A maior parte  da trama acontece no colégio onde a garota estuda, e também se relaciona. O colégio é católico, com freiras sorridentes e um padre bonachão, responsáveis pela disciplina, sem a rigidez de tempos atrás nas instituições religiosas de ensino, mas que ainda tenta preservar as virtudes cristãs de respeito, solidariedade, humildade, amizade.

            Christine, ou Lady Bird implica com tudo dentro de casa, até com os cabelos naturalmente crespo da moça afrodescendente, que mora com sua família, seus pais anfitriões também de um rapaz asiático. Diz que a moça com aquele cabelo não vai arranjar emprego, enquanto capricha na tinta rosa das seus madeixas, para chamar atenção. Conquanto a boa educação escolar e familiar seja o maior trunfo que há para a pessoa se dar bem, de verdade, na vida, alçar o tão almejado voo com segurança. E após um ano de expectativa, Christine é selecionada para ocupar uma vaga na faculdade, que concorreu escondida da mãe. O fato acirra os ânimos, a mãe deixa de falar com a filha, magoada com o segredo guardado com a ajuda do pai. Problemas com as pessoas em casa existem, e ninguém está isento de ser um problema, quando acha que não deve dar satisfação das suas ações, e pode merecer restrições no seu jeito de pensa. Não querer que ninguém mande em sua cabeça, e desprezar os argumentos e a opinião de pessoas abalizadas, os pais, por exemplo, não torna a pessoa livre. Liberdade é pensar e agir de forma firme e razoável, com possibilidade de mudar de ideia. Não ser tacanho e inflexível. Mas também não viver na prisão da opinião alheia, pois quem se preocupa em agradar ou desagradar, não consegue nem uma coisa nem outra. 

            O filme em apreciação mostra as falhas na educação dos jovens na pequena e tacanha Sacramento, como em qualquer outro lugar no mundo atual, de trajetória confusa, de pais sem autoridade, que se estressam de tanto trabalhar, não apenas para sustentar a família, mas satisfazer as exigências dos filhos. Já na faculdade Christine vai a uma festa na casa de um colega, a farra correndo solta, quando então ela lembra de perguntar se o rapaz que bebe ao seu lado acredita em Deus, a resposta é não. E antes de ir pra a cama com o dito cujo, passa mal, indo parar no hospital. Ao sair do atendimento médico, está só, desamparada, quando avista a cúpula de uma igreja perto, bela e imponente construção, uma fortaleza, o que mostra seu exterior à universitária, que para lá se dirige. Dentro do recinto a paz que transmite, e lhe toca fundo na alma o coro harmonioso de crianças e jovens que ali se apresentam. De imediato sente necessidade de telefonar para casa, para expressar sua gratidão pelo cuidado e amor incondicional que os pais lhe dedicam. Despertada naquela alma a virtude da gratidão pelo bem recebido, e também o desejo de pedir perdão e perdoar as faltas de atenção e respeito. 

                   Christine, que queria ser Lady Bird em Sacramento,  é chamada na Faculdade pelo nome que os pais lhe deram ao nascer, verdade registrada em cartório, de acordo com sua biologia, marcada na alma pelos ensinamentos familiares e religiosos. A família e a fé cristãs, tão dignas heranças, que dão aos filhos o melhor de si. Instituições que tem resistido às intempéries, e não se sabe até quando. A garota avoada da pequena cidade onde viveu seus primeiros tempos escolares queria mais que tudo ser livre para voar, ou seja, ter o próprio pensamento, ser dona de sua vida. tudo bem, mas foi  preciso que se afastasse para adquirir a consciência do valor da herança que tinha,  sua de direito, e não podia perder. Por precárias que sejam, não tem o que substitua a família e a igreja, que ensinam o valor do amor, dão sustentação na dor, servem de farol, luz no fim do túnel, fortaleza contra o mal, em suma, são portos seguros para atracar nossa frágil embarcação após a tempestade. Por tudo isso merecem amor e respeito. São instituições confiáveis, que amparam, iluminam os caminhos, ainda mais em um mundo louco, tenebroso, em que se vive hoje. Fica a seguinte pergunta: "O que podemos fazer em benefício da família e da igreja?"  O filme talvez não ganhe Oscar, mas merece as indicações recebidas.


LADY BIRD

 
blogueira coach

domingo, 18 de fevereiro de 2018




O COLO  DA MÃE - ESSENCIAL 





                  Tudo começou quando a psicologia passou a difundir suas ideias pouco ou nada ortodoxas, até mesmo nefastas, como a da mãe não dar colo os filhos e deixá-los chorar sem consolo. Falta de colo, o mesmo que falta de amor. Tanta rigidez acontecia justamente na época do baby boom, o que era, no mínimo, uma contradição. A amamentação substituída pelo leite industrializado, as mães orgulhosas da pirâmide de latas de leite em pó utilizadas por elas, enquanto o leite materno secava no seio, assim como o amor. Mulheres  que, em meado do século XX, foram levadas a parir  sem planejamento, e, ainda mais, que a maternidade fosse considerada uma obrigação para com a sociedade engajada no programa esquerdista de socialização. Os filhos “indesejados” deviam se acostumar com a dureza da vida, a começar pela falta de aconchego materno, muitas mães com trauma pós-parto. 
  
                A mesma psicologia que tirou os bebês do seio da mãe mudou de lado, e diz hoje que, dessa forma, sem colo e tudo o mais necessário à sua segurança e bem  estar, torna as pessoas inseguras, diga-se, pais e filhos. O mundo descuidado espiritualmente, e levado pela ambição material, essa a verdade, para quem não ama seus filhos, como é devido, por insegurança. Houve até uma geração “paz e amor”, um estrondoso grito de protesto à geração dos seus rígidos pais, numa anarquia total dos comportamentos. Hoje em total inversão dos valores. 

          A humanidade se fez desvalida, e tenta apoiar-se em ideias malucas, concepções espúrias. A ideologia do gênero, por exemplo, dá direito aos filhos de escolher o sexo que "querem" ter e não aquele com o qual a pessoa nasce. Os pais inseguros do seu papel de educadores colocam nas mãos dos filhos toda a responsabilidade de suas vidas, e ainda lhes fornecem uma parafernália tecnológica, em substituição do amor necessário para que eles e os filhos tenham uma vida plena. Que seres são esses? Os seres humanos o que devem é viver em lares onde haja amor verdadeiro, a começar pelo respeito ao direito do bebê ter o colo da mãe e a assistência amorosa do pai. É o que a sociedade deve promover em benefício do mundo para que ele volte a ser do Bem.



BLOGUEIRA  COACH

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018



texto revisto
                   NOSSO BONDE DA ESPERANÇA 




     Meado do século XX na velha S. Luís-Ma, de um passado áureo, que se desfazia numa afoita modernidade, enquanto seus jovens habitantes aguardavam o futuro. Havia fé inquebrantável na vida e plena confiança nos dias que viriam, sem grandes alterações.  Nada de melhor, nem pior, era pensado por aqueles jovens, que andavam no bonde Gonçalves Dias, um bonde da esperança, como podia ser chamado. Havia uma organização social hierarquizada, com Deus em primeiro lugar, depois os pais, e os demais componentes da hierarquia social. O pai de família sem temer o desemprego, tinha como sustentar os seus com dignidade. O bem sempre almejado. A maldade de Hitler e do nazismo para sempre derrotada, o que era deveras alvissareiro.

    Não havia como prever na década de 50 o que  a mente humana seria capaz de criar, o salto que seria dado em direção a um tempo, bem diferente do vivido até então, e por séculos. O progresso avassalador da tecnologia e os avanços da ciência aonde nos levariam? E se podia até preferir ver o tempo parar, não amadurecer, muito menos envelhecer. Mas não dá para ficar onde se está,  quer se queira, ou não, temos que avançar, mesmo com risco de perder algo para crescer e evoluir. É certo que nascemos potencialmente humanos, e temos de evoluir, no que falhamos algumas vezes. Falhar era um problema sério, o que hoje em dia não causa tanto constrangimento, pois errar é uma forma de aprendizado.  

    Tem gente que não arrisca nada, ou não precisa arriscar, e perder o que tem e lhe satisfaz, mesmo aquele emprego que frustra os sonhos. E se é um trabalho que assegura a tranquilidade futura, tudo bem. Mas tem que avaliar a situação, ter empenho, faz parte da vida. Não é questão de ambicionar o impossível, o que seria pior a emenda que o soneto. O melhor é se sentir realizado, sem precisar fazer coisas extraordinárias.  

      Certo que o mocinho sempre vence no fim do filme, livra cidade dos bandidos e salva as damas das mãos dos homens maus. Assim como acontece na vida real, por maiores que sejam os entraves o bom moço a todos supera. Bom parâmetro para verificar o estado evolutivo, mental e espiritual das pessoas é observá-las sem preconceito. Observo o bom moço a tantos anos ao meu lado, já não é tão moço assim, e admiro  suas vitórias, e mais ainda sua força interior, exemplar. E quanto aos jovens de hoje, que não andam mais de bonde, e em seus carros correm em busca de uma vida melhor, mesmo decepcionados com toda violência e a corrupção. O quanto seria bom se pudéssemos acreditar nos políticos, homens e mulheres na condução do nosso país, que eles um dia mereçam confiança. Saudosa estou do meu bonde da esperança, e aqui me vejo desconfiada do mundo motorizado, computadorizado, avançado, que não se sabe para onde vai!   




segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018







                                    O  CONCERTO







               No século XVII as mulheres já podiam ser apreciadas no exercício individual da leitura, da escrita e da música, como as retratou Vermeer de Delft.  A moça da viola, por exemplo, é uma nobre que ainda vivia no campo, enquanto nos grandes burgos medievais as mulheres da emergente classe burguesa passam a ter uma vida social e cultural ativa, para tanto desenvolvem pendores intelectuais e artísticos. No quadro O Concerto duas jovens da próspera burguesia  tomam aula de música com um mestre, ou um maestro, encarregado de ensiná-las. Ele está sentado de costas, o rosto oculto para quem de fora observa a lição, tendo à sua esquerda uma das moças ao piano, enquanto à sua direita outra moça canta, seguindo o que está no papel em suas mãos. 

             A  situação feminina tem expressiva mudança com a ida do campo para a cidade, quando a ala feminina passou a interagir mais efetivamente na sociedade. Apesar de aparentemente favorável a elas, o mundo não está para brincadeira, e duas telas penduradas na parede da sala de música dão sentido dúbio à cena  retratada por Vermeer, fazem contraponto com as damas. A vegetação escura, selvagem, ocupa a maior parte de uma das telas, e apenas um terço está em azul. A outra tela é um esboço de A Alcoviteira pintada por Dick van Baburen, que pertencia à sogra de Vermeer. Tem ainda uma paisagem campestre pintada no tampo do piano. O selvagem, obscuro, diz da fantasia teutônica, esboça a alma inquieta, como a do compositor Richard Wagner e sua música apoteótica, marco na época. Já o azul claro tem a ver com o mito de Orfeu. Para o orfismo o herói foi o primeiro homem a receber a revelação de certos mistérios divinos, e os teria transmitido a alguns iniciados sob a forma de poemas musicais. Os pungentes e harmoniosos cantos órficos, capazes de emocionar as divindades subterrâneas e iluminar as almas penadas.

         “O Orfeu”, de Cláudio Monteverdi (1607), foi a primeira obra lírica completa em teatros europeus, inspirada no mito de Orfeu. Já a apoteótica e extraordinária música de Wagner acabou por servir ao nazismo, que a utilizou como propaganda. Tragédia da decadência dos costumes, do declínio do amor e da moral no mundo moderno, previsto por Vermeer, ainda que o pintor aceitasse a modernidade e o progresso. Havia esperança de se poder sustar a barbárie através da fé e também da instrutiva arte barroca. Com o esforço de cada pessoa em particular e a capacidade da união para interagir no sentido da elevação da sociedade como um todo. A harmonia universal associada às mais nobres ações humanas, às melhores técnicas, aos sábios conceitos, em especial às artes, para enfrentar os percalços, amenizar as dores, até mesmo exorcizar os demônios, que teimam em infernizar a vida humana na modernidade. A descrença começou naquele século, naquele justo momento, conquanto nunca se tenha confiado tanto na capacidade do homem superar obstáculos e seguir em frente com o extraordinário milagre da vida humana na Terra.








sábado, 10 de fevereiro de 2018







                                          "MÃE, É HORA DE EU IR!"

                   
  

           Os filhos um dia vão sair de casa, eles têm que cuidar de suas vidas, e alguns partem cedo, vão estudar fora, outros querem ter seu próprio lar, casados, ou mesmo solteiros. "Mãe é hora de eu ir!" Diz a filha, não que seja uma ida sem volta, embora a saudade faça com que os pais pensem que vão perdê-los. No passado os filhos só partiam da casa paterna para constituir uma nova família, e mesmo casados havia os que ficavam morando com os pais. Depois veio a debandada, cada um cuidasse de ter sua casa, o que aconselhava o bom senso, corroborado pelos psicólogos. E se dizia: “Quem casa quer casa bem longe da casa onde se casa”. Época do pleno emprego. No presente momento os filhos estão deixando para partir o mais tarde possível, por impossibilidade de se manterem, ou sustentarem uma família, até  mesmo por comodismo.
                  
               Gustavo vai completar 27 anos, já tem curso superior, mas pela primeira vez deixa a casa dos pais, foi se especializar no exterior, na Austrália. Palmas para ele, que está seguro para viver tão longe. A avó sentiu um aperto no coração às vésperas da partida do neto, ao escutá-lo dizer para a tia ao se despedir: “Vou sentir saudade!..” Ela lembrou do pai dele que, aos dezessete anos de idade fez vestibular para agronomia em Lavras-MG e teve coragem de lá permanecer por quatro longos anos, e só vir em casa nas férias. O vazio que deixou com sua partida, filho único, com mais duas irmãs. Corajosa como o filho, a mãe respeitou sua iniciativa, confiante que tudo ia dar certo. Uma mãe que pergunta a si mesma certas horas: “Como pode uma mãe ficar longe do único filho?” Pode, sim, é a resposta. Conquanto um dia ele resida perto de sua casa...
                
            Anos 60, os boomers (pais do baby boom) cedo saiam de casa para trabalhar e logo casavam, o ideal era a família e os filhos. Hoje quem há de resistir à sedução de ficar comodamente em casa dos pais, duro é enfrentar a vida cedo demais. Independência e responsabilidade andam juntas. Louvável os pais que aceitam de bom grado o filho, ou filha, ficar longe de casa durante o longo período de estudo. Também vê-los casados, atentos aos passos que eles dão, seus avanços, e se sentirem em paz por isso. Em vez de tolher as iniciativas dos filhos, ter confiança que os eles seguem seu caminho, sem maiores entraves, só o que a vida cobra, nada além da conta. E ter a satisfação do dever cumprido. Confiar nos jovens a quem foi dada boa formação, como o rapaz que parte agora rumo ao futuro, e tudo vai dar certo, com a graça de Deus.