segunda-feira, 22 de junho de 2026

 


                   “MAGNUS HOMO”

 

 Deus, belo em grau máximo, rege a beleza do mundo”, formula Boécio(480-525), séculos antes de Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179). A doutora da Igreja, também musicista, vê na beleza sensível  um eco da beleza divina, e percebida na musical harmonia dos sons a matéria-prima do homem e da Natureza em sua totalidade. Durante o Renascimento Carolíngio, três séculos antes de Hildegarda, falou Escoto Eriúgena  (815-877)  da teofania manifesta do homem. Anteriormente, o  neoplatônico Macário (c.390-430) viu no ser humano uma síntese do Universo (magnus homo).

Terceiro milênio, e diante do progresso tecnológico chegou-se até a IA, quando então o papa Leão XIV sentiu a obrigação de alertar sobre os acontecimentos recentes. Escreve a encíclica Magnífica Humanitas, na qual confirma a magnitude do homem, pondo, todavia, em dúvida se na modernidade essa criatura estaria  apta para administrar um avassalador progresso tecnológico.  A revolução da informática, com uma relevância semelhante às mudanças sociais e econômicas, que levaram Leão XIII a escrever a Rerum Novarum.

A Igreja com a responsabilidade de acompanhar a humanidade no seu progresso material, e, em especial, a salvação espiritual frente aos apelos da matéria. O plano material que esteja intimamente conectado ao plano espiritual, e o progresso com vistas a promover o bem da humanidade. Mas há a possibilidade de o homem cair na tentação de  enveredar pela senda a lhe fazer mais mal, que bem. Sem estar plenamente apto para viver sua humana natureza diante desses avanços da técnica, que pode virar um tsunami, a exigir medidas de segurança para conter as águas, às vezes traiçoeiras. Haja discernimento, preparação a priori.

Ao pensar e agir apenas por sua racionalidade, o homem pode falhar no cumprimento do que Deus  reseva para sua máxima criação, sua humanidade e fraternidade. Daí a importância da encíclica do papa leão XIV, ou seja, informar para a reflexão dos católicos e de todos os mundialmente responsáveis desses avanços, sobre sua má utilização. A tecnologia os  fins que persegue.  Na dúvida, pro réu”, diz o juiz ao dar sua sentença sobre uma acusação de crime. Será que podemos  deixar o barco correr? Ou será  melhor tomar as medidas necessárias para que a travessia seja mais segura, e possa haver um porvir realmente alvissareiro para a humanidade?


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