quinta-feira, 25 de junho de 2026

 


                     SILÊNCIO NADA INOCENTE

 


Na década de 50, em visita a uma prima em outra cidade lembro-me de suas palavras: “É normal as brigas em família, pior é o silêncio,  as pessoas se ignorarem, não se darem atenção, sem compromisso uns com os outros, ou algo de maior gravidade.” O medo, por exemplo, de causar algum  incômodo, ser inconveniente, quando o que se quer mesmo é a paz, em vez da guerra, que acontece quando não há diàlogo, diplomacia, para sanar, ou contornar uma situação conflituosa, isso em qualquer relação. Não cruzar os braços e deixar que as coisas se resolvam por si mesmo, ou com o tempo. Indispensável é o respeito, e não temor de desagradar, e por conta   disso silenciar, o nada inocente silêncio.

As pessoas devem ter a liberdade de expor suas ideias, e até mesmo suas discordâncias. Certo que das frustrações a vida não poupa ninguém. Ajuda todos precisam, e mais ainda nas horas de aflição,  que requer é o amor, a necessária atenção, que deve vir na hora certa, e, em alguns casos, que haja compaixão. Sem fazer o outro de coitadinho,  e lembro minha tia-avó que diza par sua  madrinha que se voltava para ela toda compadecida: “ Coitada da Amélia.” Revidava: “Não me chema de coitadinha.” Atender na hora certa um filho, ou alguém que precise de ajuda, é de suma importância, e jamais pensar que cada um sabe o que fazer da sua vida, que é capaz o suficiente para agir sozinho em perigo, mesmo adulto. Isso com a desculpa da não interferência, que parece mais descaso, até mesmo  irresponsabilidade.    



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