domingo, 5 de março de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
A MULHER
EMPODERADA
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| Novas Edite, Rute, Judite, Débora |
E como definir a mulher “empoderada”, que chegou ao século XXI diferente das suas antecessoras? Uma evolução e tanto aconteceu, quando uma geração de mulheres, com boa instrução, aderiram ao trabalho fora de casa e a receberem da sociedade a contrapartida em segurança financeira. Não havia mais como sujeitar as mulheres à situação de dependência, e até mesmo indigência. Empoderada, ou empossada dos seus direitos, inclusive à posse de um marido, um bom homem, bem melhor que os do passado. As feministas contundentes em suas reivindicações, queimavam até sutiãs nas praças. E porque não desposada? A mulher que atinge um patamar de visibilidade social, sem se frustrar da condição de esposa e mãe, mas com condição de deliberar com responsabilidade sua própria vida. Importava sair da sombra.
Infelizmente, nunca tantas mulheres foram tão desrespeitadas e estupradas como hoje, sendo necessário continuar a luta contra o preconceito, para que haja respeito ao sexo feminino, seja qual for condição em que se encontre. O ideal judaico louvava as mulheres, e temos os livros de Edite e Judite, que narram suas histórias, entre outras grandes personagens bíblicas femininas, como Débora, juíza, profetisa e líder de guerra. Nos Evangelhos as mulheres se destacam na ação e contemplação (Marta e Maria), na sabedoria (a Samaritana e sua fonte) e na devoção (Madalena). Superiores a todas essas mulheres está Maria, a Mãe de Jesus e também sua prima Isabel. Bem casadas, elas conceberam os frutos que nos legariam a civilização cristã, em um processo evolutivo de João Batista bíblico a Jesus Cristo. Muito por causa das mulheres, ou mesmo por sua conta, avançou a civilização: nos primeiros tempos, no meio, e nos novos tempos.
No Ocidente liberal e democrático é inalienável o direito da mulher ser livre, inteligente e capaz, com leis rigorosas para garantir-lhe todo o respeito que lhe é devido, e punir os infratores. Diferente do Oriente, onde o obscurantismo do fundamentalismo religioso relega as mulheres a um estado de quase escravidão, algumas até mesmo escravas sexuais. Inaceitável para o nosso mundo civilizado e cristão a mulher ser impedida de estudar, o caso da jovem paquistanesa Malala Yousafzai que enfrentou o grupo fundamentalista Talibã, milícia em ação no deserto da Jordânia, e aos 12 anos foi ferida em um ataque dentro do transporte para escola. Escapou da morte e recebeu o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se porta-voz mundial para a educação feminina. Retorno a Maria, a Mãe divina que sobreviveu ao Filho, sua missão que ia continuar ao lado do apóstolo João, que levou Maria para casa após a crucifixão, e seu irmão fraterno, Tiago em Jerusalém, ao lado de quem nossa Mãe divina teria envelhecido, sem que haja notícia da Sua morte. A tradição cristã diz que Maria ascendeu aos céus, a chamada Assunção. Pelos séculos seguintes Mãe e Filho haveriam de assumir uma dimensão sobre-humana. José também esteve ao pé da cruz, José de Arimateia, quem tratou do piedoso sepultamento do Filho para que ressuscitasse.
O discurso do mundo tecnológico é um
discurso de Fera que pretende transformar a Bela, ou a nova civilização, numa
princesa amada, um discurso infantil. E a nova mulher que surge se dá o nome de
empoderada. Ela que também deve ser
abençoada. A civilização cristã firme na direção dos novos rumos, mesmo em estado
de inquietação da atualidade, sobressaltada por ideias polêmicas e pelo terrorismo, que faz
vítimas em todo o mundo. A cada tempo uma geração envelhece e se renova com novos membros,
os valores também renováveis a cada tempo, a cada era, bom que seja assim. A
era em que vivemos hoje é essa “fera” tecnológica, mas que em união
indissolúvel com a “bela” civilização cristã, tem por obrigação preservar seus valores, essenciais à vida, o que as gerações futuras só têm a agradecer e louvar. Mesmo que
alguns reminiscentes bárbaros torçam para que aconteça um divórcio.
A igreja católica dedica o mês de Março a São José, e no dia 8 é celebrado o Dia Internacional da Mulher.
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| Jesus e a Samaritana |
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
O século XXI chegou mandando brasa,
literalmente, e em sentido figurado. A temperatura nas alturas, o clima sufocante, a par de baixarias
que rolam por aí, e nós outros, os
velhinhos, a sentirem falta de um tempo bom de se viver. Dias de clima mais ameno,
sem tanto asfalto e com espaço para respirar. E ainda que se tenha hoje o ar
condicionado para aliviar o calor, e outros meios que o homem busca para supera
as adversidades, criadas pela natureza e as por ele provocadas, a vida hoje não
está nada fácil. Já foi melhor, inclusive para as jovens mulheres, que
estudavam em boas escolas femininas, e quando adultas passavam a trabalhar na
sua indústria caseira, cercadas de crianças e animais domésticos, cultivando
suas flores no jardim da casa, que não era de boneca, intriga do dinamarquês.
O “estado natural” da mulher e da
família, constituída de pai, mãe e filhos. Ah, a família, o quanto ela perdeu nos
apertos de hoje! Não só pelos
apartamentos em que se vive nas cidades média e grande, uma selva de pedra, ainda
com há o perigo da extinção. Em vez de paz e tranquilidade um atordoamento, o tanta
que se destrói em nome do progresso. E a sensação é que fomos novamente expulsos
do paraíso terrestre, e a ordem agora é não olhar para trás, e seguir em frente,
tudo bem, se não fosse a gravidade de certas questões, que se nos apresentam
como avanço. E não esqueçam que no passado é que foram feitas as maiores
descobertas da ciência, a vacina, a penicilina, e tudo de mais de útil para a
humanidade.
Queremos hoje um retrocesso ao estágio
selvagem, de animais irracionais. Reagir, ou aceitar viver no inferno, eis a
questão. Os gêneros eram apenas dois, com
os quais se nascia e morria, uma construção cultural calcada na vida natural e
digna, com o homem e a mulher buscando a felicidade no casamento com um parceiro
do outro sexo, e consequente a procriação, já com a pílula para o planejamento
da natalidade. Na atualidade os desconfortos a que somos
submetidos, alguns ditames moderno que são insuportáveis, e será
para o bem de todos olhar para frente nos novos dias. Também sem apego espiar os velhos tempos. Ficar de olhos
bem abertos para um progresso que nos querem impor, mas que nega a
civilização, como um processo evolutivo, que segue o princípio aristotélico do
equilíbrio. O contrário desse raciocínio é o homo demens, um ser ridículo, capaz de ser soterrados
por um tsunami de lixo.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
MÁSCARA, PARA QUE TE QUERO?
Tempo de carnaval, e os mascarados saem
às ruas, conquanto digam as más línguas que é também quando caem as máscaras. Nossa
condição de civilizados a nos impor usar máscaras o ano todo, em especial, as
mulheres, que pintam o rosto, seguem com paixão o figurino da moda, o que seria esconder, até mesmo distorcer uma imagem real. A natureza, na sua
irracionalidade, alheia à ética e estética. E sendo quem somos, ditos racionais, achamos
por bem corrigir as imperfeições, e realçar as perfeições, o que todos têm.
O construtor, o artista faz brilhar a imaginação ao criar o belo, mesmo que haja quem se esmere em pintar figuras distorcidas, ainda assim dignas de admiração, como arte. A construção de cada um como pessoa em sua aparência
externa, sua estética, assim como guarda na alma sua ética, tudo o que diferencia uma pessoa da outra. O prazer que se tem de
revelar quem se é de verdade, ou imagina ser. Além do prazer moderno em ser
diferente. Máscaras, para que te quero?
Evitar ferir o bom
gosto, ou melhor, o bom senso, causar polêmica, atoa. Muita coisa sem valor pelas quais se luta, quando não se deve perder o foco com bobagens, para dizer o mínimo. E temos a catarse do carnaval, que surgiu
na idade média, os dramas teatrais que foram para as ruas. A civilização no seu
auge, mais dramática que trágica, ou mágica. No carnaval vestimos a fantasia, colocamos uma
máscara, ou não, e vamos celebrar, em especial, a alegria de viver, no que é permitido
ao ser civilizado fazer nessa breve concessão à barbárie.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
ATREVIDA
Era o cúmulo do atrevimento a sobrinha querer sair fantasiada de colombina no carnaval, e a pirralha só tinha quatro anos. A tia e madrinha ficava apavorada, coitada, pouco se atrevia a sair de casa. Nascemos, todavia, com o desafio
bíblico de crescer e multiplica, e para tal desiderato temos que ousar. Nos Evangelhos há o milagre da
multiplicação dos pães, e é quase isso que temos de realizar para que se cumpra
a ordem divina. O homem que tem fé e segue os mandamentos, além da obediência que
deve às leis civis da sociedade a que pertence. Nossa espécie animal que evolui
como indivíduo, civiliza-se, instigada pela fé e pela razão, das quais ela pode
dispor com livre arbítrio.
Se somos filho, neto, pai, primo, amigo,
membro de uma família humana, se somos todos irmãos, por nossa herança
biológica, também somos irmãos em espírito. Triste a sensação de orfandade, de
vazio, abandono, solidão. Pior de tudo é estar fora de si mesmo. Ninguém que
tente fugir dos limites impostos de per si e pelo espaço vital. Evitar ficar de
fora, ser esquecido, mesmo se estiver
por baixo. Quem se isola pode ser vítima das contingências, e mais ainda das
incoerências pessoais. Sábia natureza, e em cada etapa da vida - da infância à
velhice – ressurgimos renovados, mesmo na idade avançada.
Ser perseverante no ideal de
renovação, reagindo contra a moderna cultura da negação, que faz a pessoa ser menor
do que é, e ter menos que de direito. Nem
se iludir pela ambição, achar que pode tudo, acontece ao homem moderno, no
domínio da tecnologia e da ciência, com possibilidade de agir de maneira
equivocada na aplicação das riquezas extraídas da terra, e, em especial, da
mente. Garimpo necessário, mas requer todo cuidado para não degradar o ambiente,
esgotar os veios, provocar o fim de tudo...
Em um tempo não muito distante - quando
a menina quis brincar de princesa - almejava-se a imortalidade, que viria com o
livro, o filho, a árvore. Realizações que se confrontam com as inúmeras
possibilidades atuais. Mas sabemos que o mundo está em grave crise, talvez,
irremediável, a ponto de ser preferível o esquecimento, a ter de criar,
procriar, conservar. Com alarde fala-se em pós-civilização. Se ainda almejamos
a felicidade no amor, é o desamor, o ódio que parece mover o ser humano no
presente momento.
Atrevamo-nos
a uma nova vida, mas que ela seja abundante de acertos e bênçãos!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
CONTO
GRATA SURPRESA!
Homenagem
aos que enfrentam a vida com coragem!
Geovana desceu do
carro com seu precioso vestido de organza florido, e de pronto recebeu a ajuda
do marido para livrar-se das poças d´água, consequência das chuva de verão na
rua sem calçamento. Ser amparada por tão atento cavalheiro era o máximo de
felicidade, depois de ter dançado com ele, na sua festa de formatura, um encontro
que acabou por conduzi-los ao matrimônio. Abandonar o palco da vida pública e
todo o sucesso que pudesse dele advir foi para ela um acerto honroso. Vicente também
deixava o Rio de Janeiro, onde cursava medicina, para retornar a S. Luís, cumprir a missão que tinha
em sua terra natal. Antes de chegarem ao Casarão — herança do casal na pacata cidade
— prestes a completar quatrocentos anos, passaram por casinhas miseráveis, piores
que as favelas no Rio. Geovana teve a sensação de empobrecimento. Mas, como
mulher, renovava na família suas esperanças de felicidade pessoal e de sucesso
social.
As
circunstâncias internas e externas — familiares e mundiais — no momento, a
exigir plena atenção, que se avaliasse com justiça as mudanças, as que podiam
ser negociadas e as inegociáveis. Findo o primeiro dia ao lado do marido já
adormecido, o sono não vinha para aquela jovem esposa, que resolveu atiçar mais
um pouco a imaginação. Podia ser covardia querer proteger-se, lembrar de como
era sua vida até aquele momento e não devia alimentar suspeitas quanto ao
futuro. Tinha de olhar sua vida daí para frente com a paciência que lhe era
peculiar. Amadurecia, e a sensação era de ser alçada a uma situação
particularmente distintas da que até então experimentava, ares nunca dantes respirado.
Uma certa angústia era natural que sentisse. A terra natal, a rotina de jovem
dependente dos pais havia ficado para trás. Por fim, Geovana deixou-se embalar por
uma feliz indiferença, além do que lhe fosse permitido questionar, e adormeceu,
para acordar no dia seguinte, cheia de energia.
Era uma jovem cuidadosa que iniciava o dia a dia
de uma nova vida ciente de que por mais cuidado que se tenha, ou se receba, pouco
serve de garantia, mas é provável que não aconteça o pior. A vida é sempre
justa para quem não se atrapalha nos detalhes, aquele rosto ressentido pela
felicidade do outro, que se deve ignorar. Entender que os impulsos são simples
pretextos para desafiar a vida, que é convincente como vida e não como mero
acaso. E o desafio para qualquer mulher à época, também para Geovana, não era
apenas administrar a casa, mas acompanhar o que acontecia no mundo, um novo
tempo que se impunha, as coisas acontecendo de forma acelerada. Mas a função do
amor, além de construir, não seria também conservar, restaurar, promover, e até
fazer milagres? A família pedia que fosse assim, como aquele casarão, ainda
firme, apesar de séculos de vida, erguido muito antes dos dois recém-casados terem nascido. O chamado pé direito bem alto,
para dar livre trânsito ao ar, as pinturas nas paredes, belas paisagens
tropicais, suas folhagens, com lindos pássaros empoleirados, que pareciam
cantar para os moradores do local. Espectador de gerações, se aquele canário pudesse
falar!... Mas iam continuar calado, como as árvores que circundavam o local, pensou
a nova habitante. Já na cama, depois de tudo inspecionar, Geovana deu graças a
Deus por aquele homem ao seu lado, por
aquele sono que chegou tranquilo, na segunda noite de casada.
No dia seguinte Geovana olha
pela janela e avista a igrejinha lá mais acima, quase no fim da rua uma linda
igrejinha, grata surpresa! Acredita que ela está ali para aliviar seus temores,
consolar sua possíveis dores. A fé que ia fortalecer as decisões futuras do
casal, desde o início cada um com o sentimento de estar no lugar certo, ao lado
da pessoa certa. E sem a angústia de serem politicamente corretos ela ia agir
com bom senso, era da sua natureza. Cumpria com o marido a lei da reciprocidade,
e nada mais importante que dar alegria a quem se ama, dar afeição ao que se
quer, o que aumenta sua própria alegria, e maior é o que se recebe em troca. O
caráter imprevisível e incontrolável da vida, mas para os que se deixam jogar
para um lado e para o outro. A desonestidade das atitudes em particular, assim
como das realizações dos governos, das pregações dos religiosos, o que cedo ou
tarde se revela, e os infratores punidos. E o quanto é desonesta a modernidade
quando ela frustra até as mais simples expectativas das pessoas. Pensando
assim, a esposa de Vicente, avessa a todo e qualquer radicalismo, deu
graças a Deus pelo terceiro dia de casada, como haveria de ser os demais dias no
casarão.
Cinco anos depois.
Caía a tarde, e Geovana
escreveu a sua querida irmã Marli: “Vou ficar longe de Vicente, o que é normal
na profissão dele, mas não esperava tão cedo e que ele fosse para tão longe. Mas
ele havia se alistado para atuar na ONG Médicos
Sem Fronteira, e acaba de ser requisitado para um trabalho na Síria com os
refugiados, prontamente aceito. Ele vai cumprir essa missão espinhosa, além de perigosa. Não sei por
quanto tempo vamos ficar separados! Ele já partiu, e estou com as malas prontas,
vou deixar o local onde vivi dias produtivos e felizes. Fica a sensação do
dever cumprido no casarão, as paredes, o teto, o assoalho preservados, toda a
fachada restaurada, os insetos peçonhentos mantidos longe de qualquer ataque. Entramos
em outra etapa de nossas vidas. Compete agora aos novos moradores continuarem a
preservação, que não alterem sem necessidade. De longe acompanharei tudo.”
A notícia da partida não foi
de todo uma surpresa para o casal, que não sentia medo dos desafios. As
realizações e boas lembranças no Casarão iam com eles, em especial o casal de
filhos, a menina ainda amamentando. Ela ia ficar com os pais, enquanto
aguardava a volta do marido. O Oriente a pegar fogo, o que originou à questão dos
refugiados. Um mundo distante, mas tão perto, das guerras por questões
religiosas, o que era um mero pretexto para o selvagem extravasar sua sede de
sangue. Cristãos sendo degolados por sua fé, um absurdo! A atenção de Geovana se estendia agora para além da
família, do seu país, do Ocidente. E
pediu a Deus que olhasse para seu marido, seus filhos, para todas as famílias.
E logo pegou sono, na sua última noite na linda cidade do nordeste, que
aprendera a amar.
No rio de Janeiro, na casa
dos pais, Geovana aguardava notícias do marido, um cristão no meio de radicais
mulçumanos, o que era motivo de sobra para inquietar uma esposa. Pensava por
quanto tempo a humanidade ia sofrer com a facção religiosa, autodenominada
Estado Islâmico, e sua paranoia de querer explodir a civilização ocidental e
cristã. O facão oriental a degolar cristãos diante das modernas câmeras de
televisão. Medo têm os ignorantes de conviver com a civilização. E antes de adormecer Geovana rezou: Mãe abençoa teus filhos e nos livre de todo mal. Amém! Foi assim até a volta do marido são e salvo, após cumprir aquela sua
missão de paz com sucesso, tendo ainda muito o que fazer. Mas estavam
preparados para enfrentar os desafios que se lhe apresentassem.
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